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De olho no mercado, Klauss Câmara "mergulha no futebol" e curte família

Klauss Câmara segue com os cursos de aperfeiçoamento sobre o futebol enquanto curte sua família - Arquivo Pessoal
Klauss Câmara segue com os cursos de aperfeiçoamento sobre o futebol enquanto curte sua família Imagem: Arquivo Pessoal

Guilherme Piu

Do UOL, em Belo Horizonte

15/01/2021 19h03

Há quatro meses sem clube desde que deixou o Grêmio, em setembro do ano passado, o executivo de futebol Klauss Câmara tirou um período sabático para cuidar da mente e curtir suas paixões, sua família e o futebol. Nesse período, mesmo distante do dia a dia de um clube, o dirigente de 40 anos não deixou de acompanhar jogos e de se atualizar, até porque, segundo ele próprio, "pretende em breve estar de volta trabalhando com o que mais gosta".

"A TV está ligada é bola, na internet a gente vê futebol, vai brincar com o filho é bola. A verdade é que a gente não desliga nunca do futebol", afirma em entrevista ao UOL Esporte.

Atleta entre 1991 e 2001, Klauss Câmara, assim como muitos garotos e garotas, não conseguiu em sua época emplacar uma carreira dentro dos gramados. Por isso, pelo amor ao futebol e ao esporte, se dedicou aos estudos para se manter dentro do universo que mais tem afinidade.

"É um privilégio ser movido por algo que você ama fazer, trabalhar com o que gosta. Claro, como em tudo na vida há o ônus e o bônus, mas quando você ama o que faz não tem nada igual. Trilhar qualquer caminhada, se dedicar e empenhar ao máximo é necessário. Tenho orgulho de alcançar no futebol o que já alcancei. Espero ir mais adiante", disse o jovem executivo da bola.

Graduado em educação física, pós-graduado em gestão e marketing esportivo, Klauss, que antes do Grêmio passou por outras grandes equipes, como Cruzeiro, Fluminense, Sport, Athletico-PR e Figueirense, aproveita o tempo longe da pressão e do dia a dia frenético dentro de um clube para se manter atualizado.

"Estou consumindo muito futebol em todos os níveis. Fiz um curso online de quatro meses, de Barcelona, espetacular. Vendo muito jogo, estudando bastante todas as Séries, A, B, C, D, vendo jogadores. Ao mesmo tempo curtindo como ninguém os filhos, coisa que o futebol não permite muito. A gente sempre viajando, em competição, e nessa pandemia estou bastante em casa com eles por uma questão obrigatória do confinamento. Depois pela saída do Grêmio, fiquei ainda mais em casa. Tenho curtido muito eles, à família, porque sei que quando voltar será naquela pegada de novo. Tenho tentado aproveitar o máximo, além de me capacitar e buscar novos conhecimentos", garantiu.

Final da Copa do Brasil

Do consumo intenso pelo futebol, Klauss Câmara estará ligado nos próximos dias à sequência de jogos de seu antigo clube, o Grêmio, que enfrentará o Palmeiras em jogos do Campeonato Brasileiro, hoje, às 21h30, pela 30ª rodada, e na final da Copa do Brasil.

Responsável por boa parte da montagem do elenco que pode ser hexacampeão do mata-mata e se igualar ao Cruzeiro, o executivo fala da importância do trabalho fora das quatro linhas nas agremiações.

"Fico feliz de ver o Grêmio disputando hoje mais uma final de Copa do Brasil e podendo ser o maior vencedor ao lado do Cruzeiro na competição. Isso é fruto de um trabalho que começou com muitas mudanças, reformulação no elenco, saída de jogadores mais experientes e que necessitavam de substitutos. Ao lado do Renato (Gaúcho, técnico do Grêmio), nós dois desde novembro, dezembro de 2019, começamos a planejar e monitorar o mercado. Começamos a mexer no que era importante para o elenco de 2020 mesmo com questionamentos, rejeição da torcida", disse, lembrando logo em seguida da contratação do experiente Diego Souza.

"O Diego Souza, por exemplo, um jogador que não estava em um nível de performance que sabíamos que ele podia desempenhar. Mas as características e o comportamento em campo, e o que ele tinha como atleta, era o que buscávamos para um camisa 9. E ele é o artilheiro da equipe, batendo recorde pessoal de gols, mesmo vindo com rejeição trouxe o que esperávamos", comentou.

Câmara sabe que há erros também em avaliações, e diz que isso é "normal e natural dentro dos processos do futebol". Mas que o trabalho em conjunto com todas as áreas auxilia na diminuição de equívocos.

"Ninguém consegue nada sozinho. Um atleta da modalidade que é individual, um jogador de tênis, nadador, eles não conquistam nada sozinhos, há pessoas com eles que contribuem para a conquista de resultados. Em uma modalidade coletiva com o futebol, mais ainda. São vários departamentos trabalhando para os atletas desempenharem melhor, o treinador ter as melhores condições. É importante o executivo ter essa condição e capacidade de ser o generalista. Tem que ser especialista no futebol, mas generalista em todas as outras áreas, entender um pouco de cada área que lidera, pois vai precisar do trabalho bem feito nessas áreas para colher o esperado pelo torcedor e a instituição. Tudo isso nada mais é do que maximizar a possibilidade de resultados, tentar aumentar a possibilidade de ter sucesso e minimizar erros", analisou.

Trabalho em equipe

E foi dessa forma que o treinador conseguiu trabalhar bem ao lado de Renato Gaúcho entre janeiro de 2019 até setembro de 2020, colhendo bons frutos. Como o bicampeonato gaúcho e classificações importantes em torneios nacionais e sul-americanos. Além do trabalho de integração entre a base e o profissional, revelando e vendendo jogadores."A questão principal é a reformulação de um elenco com R$ 3 milhões na época que eu estava lá. Depois que eu saí, houve novas contratações. Enquanto eu estava lá foi montado com um valor bem abaixo de orçamento e R$ 170 milhões em vendas de jogadores. Isso traz para nós executivos um sentimento de realização profissional, por ter responsabilidade financeira, austeridade, trabalhando dentro do orçamento do clube, por montar uma equipe competitiva e que traz resultado esportivo. Por fazer muito com pouco, vendo várias equipes do Brasil com alto poder de investimento e que acabaram com performance e rendimento inferiores", comentou.

Bastidores

Klauss, dentre outras vendas, participou da consolidação do negócio envolvendo o Grêmio e o Benfica, que contratou o atacante Everton "Cebolinha" por 20 milhões de euros, algo em torno de R$ 120 milhões na cotação da época.

Parceria elogiada pelo próprio Renato Gaúcho, que fez tabelinha com Klauss nos bastidores do Grêmio.

"Sempre importante a presença do executivo nos clubes, pela ajuda que esses profissionais dão aos treinadores. Tive o prazer de trabalhar com o Klauss Câmara, trocávamos muitas ideias, um profissional muito competente. Fizemos um grande trabalho no Grêmio. Desejo sorte a ele e digo, tive o prazer de trabalhar com ele no Grêmio", disse ao UOL Esporte o técnico Renato Portaluppi.

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Profissionalização do departamento de futebol

"Não existe um departamento de futebol hoje sem informação, sem estatística, sem dados de sua equipe, e do desempenho e performance do seu adversário, por exemplo. Ao mesmo tempo é imprescindível o controle de mercado, saber os jogadores que atendam demandas futuras de contratação, capacidade e valor de mercado de cada um. Os atletas estão todos monitorados, essas informações são muito bem elaboradas e estruturadas em um departamento de futebol, facilita na tomada de decisão na hora de contratar. Claro que é imprescindível esse departamento, é imprescindível ter dados e ciência, mas ao mesmo tempo é fundamental, e um grande segredo a meu ver, que esses dados sejam muito bem interpretados por pessoas que têm a plena condição técnica para isso. O treinador acaba sendo figura fundamental para isso.

Executivo com total autonomia?

"A autonomia é difícil e complexo, porque eu sou totalmente contrário ao executivo que acha que tem a chave do clube, a chave do cofre para fazer o que bem entende, isso é perigoso para a instituição. Compartilhar as decisões é fundamental, saber dividir as ideias é primordial com todos envolvidos no projeto. Isso é usar a sabedoria. A função de liderar, elaborar, monitorar diariamente os processos, ter controle sobre isso e de tudo o que for relevante para as decisões, isso é papel do executivo. E conseguir encontrar esse equilíbrio"

Trabalhar com a base

"Vejo muitos clubes tendo opção ou não de aproveitamento de atletas da base. Essa é uma condição básica em qualquer clube do Brasil, ainda mais em momento de dificuldade econômica que todos estamos passando. Querendo ou não dentro do orçamento de um clube de futebol a maior receita extraordinária, aquilo que não se prevê, que não está garantida, é a comercialização de atletas, onde se tem a maior rentabilidade é com os atletas oriundos das categorias de base. Aproveitar atleta da base é fundamental e te dá a possibilidade ter no elenco profissional a renovação de atletas. No Grêmio, por exemplo, que buscou atletas consolidados no mercado fazer muito bem a transição desses atletas, e, acima de tudo, que é o segredo, fazer a boa transição para os jogadores da base ao profissional. Para ter essa condição de retorno financeiro, retorno técnica, estar em equilíbrio aos atletas experientes. Isso é fundamental na função do executivo, saber o momento certo de ver a base, de saber quem se destaca, elaborar estratégia de treinamento e acompanhamento desses jogadores antes de ir ao mercado. E ao mesmo tempo atender ao treinador quando ele solicita a contratação"

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