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Como Santos superou problemas até eliminar Boca e alcançar final da Liberta

Cuca beija imagem de Santa durante jogo que deu a classificação santista contra o Boca Juniors - Ivan Storti
Cuca beija imagem de Santa durante jogo que deu a classificação santista contra o Boca Juniors Imagem: Ivan Storti

Gabriela Brino

Colaboração para UOL, em Santos

14/01/2021 04h00

Quem vê o Santos classificado para a final da Copa Libertadores, depois de um 3 a 0 contra o Boca Juniors, na noite de ontem (13), na Vila Belmiro, não imagina a quantidade de problema que o clube precisou enfrentar para chegar até a decisão da competição continental.

No próximo dia 30, no Maracanã, no duelo contra o Palmeiras, o Santos buscará o tetracampeonato da Libertadores depois de muitas superações em 2020. Desde o surto de covid-19 no elenco, com internação do técnico Cuca, até problemas com membros da diretoria e penalizações na Fifa por problemas financeiros que o impedem de contratar jogadores até hoje. Afinal, como o Santos alcançou a final da Libertadores?

Fator Cuca

Cuca sem dúvidas é o maior fator que levou o Santos à final da competição continental. Desde sua primeira passagem, em 2018, o comandante se abriu para a equipe, geriu todos os tantos problemas extracampo e acalmou os ânimos na base do que ele mais gosta: conversa.

Hoje, novamente à frente do Santos, o treinador se viu praticamente na mesma situação. Uma diretoria quebrada - até Andres Rueda assumir a presidência em janeiro deste ano, um elenco totalmente desanimado e convencido de que não poderia mais. Então, o treinador se aproximou de todos e conversou. Animou e passou confiança aos mais jovens, além de potencializar e dar gás aos mais experientes.

Por já conhecer parte do elenco, além do estilo de jogo do Santos, Cuca se aproveitou de sua experiência e blindou o elenco de tudo fora campo e bola. José Carlos Peres e Orlando Rollo, por exemplo, não eram assunto no CT Rei Pelé, mesmo enquanto se destacavam na imprensa por causa das tantas desavenças.

Rostos novos

A chegada de atletas da base, apesar do motivo, foi uma grata surpresa a Cuca. Os meninos tiveram suas promoções apressadas pelo clube devido ao impedimento de contratações. Alguns estavam nos planos, outros foram agilizados. Mas a verdade é que se não fossem por eles, o Peixe talvez não chegasse à final.

Kaio Jorge e Sandry, por exemplo, aos 18 anos, estão entre os mais utilizados e bancados pelo comandante santista. O primeiro passou a ser utilizado após Uribe não agradar. Desde então, não saiu mais da equipe, por sua importância tática. O segundo foi testado algumas vezes, mas voltou de vez após dois jogos seguros contra o Grêmio, pelas quartas de final da Libertadores.

Diretoria quebrada

A diretoria anterior foi uma das dores de cabeça do Santos. Dívidas, briga política, um financeiro quebrado a ponto de serem punidos pela Fifa por causa de dívidas. Com isso, o clube foi impedido de buscar novos jogadores no mercado.

Por ter débitos com os clubes de Soteldo, Cléber Reis e Felipe Aguilar, o Peixe ficou sem poder contratar por três janelas. Após a chegada de Rueda, no início do ano, ainda resta buscar acordos com Atlético Nacional, da Colômbia, e Huachipato, do Chile, sendo que o primeiro já tem acordo encaminhado.

Fora isso, Peres e Rollo tiveram um casamento que deu errado. Desde que assumiram o Santos, a dupla teve desavenças políticas. O presidente acusava o vice de golpe, e o vice insistia em participar mesmo diante da situação. No fim das contas, Peres sofreu impeachment no fim do ano passado, e Rollo assumiu o clube por três meses.

Surto de covid-19

O surto de covid-19 no elenco masculino foi um grande susto. Até porque o Santos teve um dos melhores protocolos contra o vírus, mas de repente se viu com 17 jogadores contaminados ao mesmo tempo.

Atualmente, apenas Marinho, Lucas Lourenço, Pará, Felipe Jonatan e Lucas Braga não foram diagnosticados com o coronavírus. Até Cuca e sua comissão tiveram problemas com a doença. O treinador, inclusive, teve complicações e passou quatro dias na UTI, mas superou a doença e voltou ao comando da equipe.

Por causa disso, os auxiliares de Cuca voltaram a utilizar o que tinham em mãos. Os garotos voltaram aos holofotes, mesclados com alguns titulares disponíveis. Mesmo com o desgaste da sequência do time nas competições, o Peixe superou a situação e seguiu forte rumo à final da Libertadores — na caminhada, eliminou LDU nas oitavas, Grêmio nas quartas e Boca na semifinal.

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