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De quase demitido a vice-líder: como Abel virou o jogo e reergueu o Inter

Abel Braga, técnico do Inter, resgatou rendimento do time  no Brasileiro - Ricardo Duarte/Inter
Abel Braga, técnico do Inter, resgatou rendimento do time no Brasileiro Imagem: Ricardo Duarte/Inter

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

08/01/2021 12h46

Classificação e Jogos

Abel Braga encontrou dificuldades no início de sua trajetória no Inter. Contratado para substituir um prestigiado Eduardo Coudet, amargou eliminações e perdeu a liderança do Brasileiro até engrenar. Quase deixou o clube, mais de uma vez, porém encontrou forças e reconstruiu o time, hoje vice-líder da competição.

Há pouco mais de 20 dias, Abel vivia incerteza sobre o futuro. O jogo de volta contra o Boca Juniors, pela Libertadores, poderia selar a demissão do Colorado. Mas o time venceu e mostrou crescimento, mesmo eliminado nos pênaltis. Um sinal de que a situação poderia mudar com o tempo, o que de fato aconteceu.

Depois veio a troca de direção, e nova dúvida. Miguel Ángel Ramírez, acertado com clube, poderia assumir logo no início do ano. De novo não se concretizou e o "fico" veio após o último jogo do ano passado, contra o Bahia, depois de conversa com a nova gestão do clube. Abel será mantido até o fim do Brasileirão.

Nunca foi desejo da direção do Inter, atual ou antiga, demitir Abel Braga, um ídolo do clube. Mas o rompimento em acordo esteve próximo de acontecer mais de uma vez.

Mas, em campo, depois de superar o afastamento imposto pela Covid-19, o treinador conseguiu convencer o grupo com "verdades". Ele impôs seu estilo e resgatou jogadores.

Recuperação da defesa

Fragilizada na "era Coudet", a defesa do Inter se recuperou com Abel Braga. Não apenas no aspecto coletivo, mas individual. Jogadores como Rodinei, Moisés e Cuesta, reservas ou criticados pela torcida, cresceram. Rodrigo Moledo pode ser o melhor exemplo disso. Com Coudet foi suplente de Bruno Fuchs e Zé Gabriel. Com Abel recuperou status de um dos principais defensores da meta de Marcelo Lomba.

"Estou seguro na defesa com Moledo, Rodinei? Falem um pouco do Moisés, cara. Não sei onde nós vamos chegar, mas estamos dando o nosso máximo. Temos um ambiente fantástico. Vocês não conseguem imaginar esse grupo quando se fecha ali na roda para entrar no campo. É inimaginável", disse o treinador.

"Verdade" na relação com o grupo

Abel Braga convenceu os jogadores de suas ideias. E não apenas com treinamentos de campo, mas com um diálogo sincero, que pedia atenção e delegava responsabilidades. Em alguns dias, conseguiu mudar totalmente a forma do time jogar e conquistou apreço dos atletas.

"Sabe qual é minha função, realmente? Agir com verdade com eles. Agindo com verdade, aquilo que é montado eles entendem. Eu estou no campo e mostro. Mas toda a virtude é dos jogadores. Não temos que nos colocar no patamar deles. É muito simples conviver com isso. Está sendo importante, positivo. Cada vez mais a confiança aumenta. A gente começou a errar e pensamos: opa, vamos esperar para ver se melhora. Esse time se acostumou a sofrer e está conseguindo resultados. Esse mérito é todo deles, nós aqui não estamos dentro do campo", explicou.

Nos bastidores é fácil ouvir elogios ao comando, em nenhum momento o elenco esteve contra o treinador. Pelo contrário, sempre preferiram sua permanência.

Espaço para melhorar

Desde o jogo contra o Boca Juniors — aquele em que Abel poderia ser demitido — o time só venceu. No total são cinco vitórias seguidas, seis jogos de invencibilidade contando o empate com o Atlético-MG, ocorrido um jogo antes. O time voltou à briga pelo título brasileiro, ficando seis pontos atrás do líder, São Paulo.

Ainda assim há espaço para melhorar. Segundo Abel Braga, a equipe dá sinais de que ainda pode render mais do que está rendendo.

"A melhor coisa na relação time e treinador é o cara fazer o que a gente fala. Eu só quero o melhor para eles. Além da gestão, da verdade, mostrar à equipe o caminho mais fácil e o caminho mais difícil para conquistar, para ganhar. É eles acreditarem", finalizou.

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