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Blogueiros: O que explica turbulência de Diniz e Ceni, líderes do BR?

Fernando Diniz esbraveja durante derrota do São Paulo para o Red Bull Bragantino - ANTÔNIO CÍCERO/PHOTOPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Fernando Diniz esbraveja durante derrota do São Paulo para o Red Bull Bragantino Imagem: ANTÔNIO CÍCERO/PHOTOPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Do UOL, em Santos (SP)

07/01/2021 14h57

Nem mesmo as posições privilegiadas na tabela de classificação do Campeonato Brasileiro fazem com que o líder São Paulo, de Fernando Diniz, e o terceiro colocado Flamengo, de Rogério Ceni (empatado em pontos com o Atlético-MG), gozem de momentos de tranquilidade, tanto dentro quanto fora de campo.

O São Paulo foi surpreendido pelo Red Bull Bragantino e perdeu por 4 a 2 na noite de ontem (6), com direito a um desentendimento entre o técnico Fernando Diniz e o meio-campista Tchê Tchê.

Já o Flamengo perdeu o Fla-Flu de virada, ficou mais longe do título e vê Rogério Ceni cada vez mais contestado no comando rubro-negro. O técnico, aliás, foi alvo de críticas por criticar os erros da equipe e não assumir a culpa pelo revés.

Mas o que de fato explica essa turbulência de Fernando Diniz e Rogério Ceni, líderes do Brasileirão? Fizemos essa pergunta aos colunistas do UOL Esporte, que analisaram a situação dos treinadores. Confira:

Diniz é pela própria instabilidade que marca o seu trabalho e também o comportamento muito particular na gestão do elenco. Rogério Ceni é pela pobreza de ideias na necessidade de fazer seu time ser protagonista. Uma coisa é jogar reativo no Fortaleza, outra é se impor como favorito.
ANDRÉ ROCHA

Ceni nunca mostrou ser técnico de vestiário, que administra grupo e faz time jogar no papo. Para ideias e projetos, tempo é indispensável, no futebol e na vida. Diniz tem ideias e está tendo tempo, mas tem grupo limitado. E isso pesa no Brasileiro.
ANDREI KAMPFF

Em todos os times que passou, Fernando Diniz sempre teve essa característica de jogos muito bons seguidos de alguns ruins. Por vezes, o time joga muito bem, cria muitas chances, mas não consegue ganhar. É uma marca de seu trabalho essa montanha-russa. Agora, está passando por isso no São Paulo, mas ainda tem gordura para queimar. Ceni, por sua vez, nunca emplacou uma sequência de bons resultados em times de grande expressão e sofre até hoje com a cobrança por um Flamengo no mesmo nível de Jorge Jesus.
DANILO LAVIERI

O Flamengo não se achou desde a saída de Jorge Jesus. Dome não acertou o time e Ceni vai pelo mesmo caminho, mesmo com mais tempo para treinar. Ceni, como Dome, tem a sombra de Jesus e do bom futebol do Flamengo em 2019 logo ao lado e não é fácil. Diniz sofre a pressão dos anos do São Paulo sem título. Qualquer tropeço faz com que a desconfiança apareça, ainda mais uma derrota elástica como a de ontem. Esse destempero de Diniz na beira do gramado é reflexo disso também. Há pressão.
MARCEL RIZZO

Diniz: elenco curto e alego excessivo a um modelo. O São Paulo sente muita dificuldade em implantar o jogo de passes curtos e triangulações desde sua área quando é pressionado. E não tem alternativa. Ceni: o grande técnico do Fortaleza está demonstrando ser um grande técnico do Fortaleza.
MENON

Talvez seja cedo para falar em turbulência pelos lados do Morumbi. A vantagem na liderança ainda é enorme e Diniz já passou por momentos muito mais delicados. Na Gávea, o que atrapalha a vida de Rogério é a expectativa de que o Flamengo volte a jogar urgentemente aquele maravilhoso futebol de 2019. Essa pressa faz com que etapas sejam queimadas e, assim, nada dá certo.
MILTON NEVES

Oscilações são naturais em todos os times, ainda mais numa temporada desgastante como a atual. Mas há particularidades nos casos. No Flamengo, Ceni ainda está iniciando um trabalho, o que torna altos e baixos mais comuns. Por sua vez, o São Paulo sente duramente alguns desfalques, como as recentes ausências de Luciano e Luan.
PERRONE

Creio que são dois problemas de ordem diferente. O que explica o desempenho e o resultado do São Paulo contra o Bragantino é muito mais de ordem tática. Pela ausência do encaixe das peças que vinham atuando e formando o coletivo que funciona do Tricolor. O fato de alguns titulares não terem jogado mexeu com a organização da equipe e expôs aquilo que o São Paulo apresentou de pior na temporada. No caso do Flamengo é comportamental. O mesmo elenco que ''boicotou'' Domènec agora se acomoda e subestima adversários ao abrir vantagem mínima nos jogos. Como explicar a diferença de postura em campo depois de fazer 1x0 e massacrar o Fluminense por 40 minutos? O mesmo já havia acontecido diante do Bahia. Sinceramente não vejo um problema de ordem tática. Rogério Ceni até minimizou os problemas defensivos que o time tinha e tenta desenvolver ideias basicamente idênticas as de Jorge Jesus. A execução delas não é a mesma, mas se fosse um time desorganizado, não criaria o volume de chances que produz em determinados períodos dos jogos.
RODRIGO COUTINHO

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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