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Sob fortes cobranças, futebol do Cruzeiro chega ao quarto diretor em um ano

Mário André Mazzuco será o quarto diretor de futebol da Raposa no intervalo de um ano - Rafael Ribeiro/Vasco
Mário André Mazzuco será o quarto diretor de futebol da Raposa no intervalo de um ano Imagem: Rafael Ribeiro/Vasco

Guilherme Piu

Do UOL, em Belo Horizonte

06/01/2021 04h00

Classificação e Jogos

O Cruzeiro passa por um intenso processo de transformação, vive grave crise financeira e o departamento de futebol, um setor importante dentro do clube, mostra muita dificuldade de se estabelecer até para ajudar na contenção de despesas. Em um ano, a Raposa chega ao quarto diretor de futebol, o que mostra a inconstância no trabalho e muitas indefinições geradas pela pasta.

Ontem (5), Mário André Mazzuco, ex-Vasco, foi anunciado como substituto de Deivid na diretoria de futebol do Cruzeiro. Apesar de descer de posto, o ex-atacante segue como funcionário celeste e retomará suas antigas funções como diretor técnico — cargo que exercia até outubro do ano passado.

Mazzuco é o quarto profissional a assumir a pasta desde 6 de janeiro de 2020. Antes dele, estiveram nessa cadeira de diretoria os profissionais Ocimar Bolicenho (6 de janeiro a 15 de março de 2020), Ricardo Drubscky (17 de março a 1º de outubro) e Deivid (1º de outubro de 2020 a 5 de janeiro de 2021). Pela caneta desses três, mais de dois times foram contratados em menos de 12 meses.

Os três antecessores de Mazzuco foram responsáveis por 23 contratações. Desses, 11 já deixaram o clube, sendo o meia-atacante Régis o último, já que seu contrato finalizou em 31 de dezembro e não foi renovado. Alguns sequer foram aproveitados ou estão treinando separadamente do plantel principal.

São eles: Daniel Guedes (treinando separado); Marllon (devolvido ao Corinthians), João Lucas (contrato rescindido para acertar com o Avaí), Giovanni (treinando separado), Jean (devolvido ao Palmeiras), Everton Felipe (emprestado ao Atlético-GO), Matheus Índio (nem jogou, rescindiu e foi para o Botafogo-SP), Roberson (rescindiu para acertar com o Atlético-GO), Ângulo (emprestado ao Botafogo), Jhonata Robert (emprestado ao Famalicão, de Portugal) e Gui Mendes (despromovido ao sub-20).

Quem chegou em 2020 e teve mais chances foram Raúl Cáceres, Ramon, Régis (que já não está mais no clube), Marcelo Moreno, Airton, Filipe Machado, Giovanni Piccolomo (passou a ganhar chances na reta final de 2020), Rafael Sóbis, Arthur Caíke (contrato está vencendo e não será renovado) e William Pottker. Ainda estão no grupo, mas sem tantas chances: Rafael Luiz e Claudinho.

Vindo do Vasco, onde trabalhou com um orçamento reduzido — com alguns acertos em contratações, como os argentinos Germán Cano e Martín Benitez —, Mazzuco terá uma tarefa complicada, já que pegará um Cruzeiro em forte crise financeira.

"O futebol é movido por paixão, emoção, pelo torcedor, o elemento fixo dos clubes. Muitas vezes, de acordo com a situação de ambiente que nós nos confrontamos, a situação dos clubes nos quais estamos inseridos, ela não permite que você tenha os mesmos objetivos que o espectador espera. Talvez o momento do clube é outro, você refazer um trabalho, reconstruir algo pela dificuldade financeira ou pelo perfil de anos anteriores que o clube passa. Por mais que você tenha um projeto interessante na mão, talvez não dê tempo, pois a gestão tem dois, três anos, e ela muda", analisou André Mazzuco em entrevista ao projeto Fut Talks, da Universidade do Futebol, em agosto do ano passado.

Com orçamento bastante reduzido pela permanência na Série B e sem a receita de bilheteria, o departamento de futebol da Raposa precisará se reinventar.

"Bate a necessidade do resultado que não é aquilo que você não pode entregar. Esse é o grande desafio nosso para equilibrar esse pensamento. Ao mesmo tempo que é preciso entregar algo interessante, você tem que entender o contexto do clube, se ele permite entregar aquilo que as pessoas esperam. E, ao mesmo tempo, tem jogo quarta e domingo, o ganha, perde empata, e isso é um balizador por ser um esporte de paixão."

"A gente tem que ter cuidado de poder equilibrar os dois lados e passar uma mensagem correta. Nós, os profissionais, temos que inserir um projeto de qualidade independentemente do tempo. Meu pensamento, sempre que entro em um clube, é de entender as necessidades principais que o clube tem, isso obtendo ou não o resultado esperado. A gestão do negócio precisa ser bem feita para que você deixe algo a ser construído ao longo do tempo. Às vezes nós não colhemos nossos resultados, porque a passagem é constante", comentou.

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