PUBLICIDADE
Topo

Atlético-MG

Atlético sofre na criação, e Sampaoli tem desafio em setor que mais domina

Thiago Tassi

Colaboração para o UOL, em São Paulo

27/12/2020 04h00

Quando assumiu o Atlético-MG, em março, Jorge Sampaoli logo correspondeu às expectativas. Em pouco tempo, o time mineiro demonstrou intensidade em campo, dominou adversários e chegou à liderança do Campeonato Brasileiro. Só que a situação mudou, a equipe caiu bastante depois do surto de Covid-19 e agora o argentino tem o desafio de melhorar o ataque em 2021.

Ontem, na vitória por 2 a 0 em cima do Coritiba, o Galo novamente demonstrou fragilidade diante de um clube fechado. Lento e previsível (muitas vezes acionando Keno pela esquerda), os mineiros conseguiram furar o bloqueio no talento de Hyoran. Aí as coisas ficaram mais fáceis: o Coxa partiu para o ataque e Eduardo Sasha sacramentou a vitória.

Mas a situação antes dos 21 minutos do segundo tempo expôs a dificuldade atual do Atlético para criar. É verdade que ontem, especificamente, os volantes Allan (suspenso) e Jair (lesão) fizeram falta, mas faltou repertório aos meias e à equipe, como um todo, que abusou das bolas alçadas na área. Hyoran foi o que mais tentou, seja pelo chão ou nas ações pelo alto.

Na visão de Sampaoli, o desempenho de fato não foi bom. Mas o resultado era importante para que o São Paulo não disparasse ainda mais na liderança — são sete pontos de diferença entre os times. O técnico, aliás, deu uma declaração que coloca pressão nele próprio por melhores apresentações.

"Nós nos propusemos ganhar o último jogo do ano, um ano muito difícil para o Atlético-MG, como começou. Nós começamos três meses depois, ideia diferente, jogadores jovens, e neste processo estimávamos que teria [uma melhora] no final do ano. Precisávamos desta vitória hoje [sábado], para seguir brigando, com a possibilidade de jogar melhor e atacar muito mais. Quando o time começou, tínhamos 31 ataques por jogo, hoje já melhorou um pouco", afirmou Sampaoli, que quer jogar ainda mais para frente o Galo.

Prova de que não teve vida fácil, nem muita inspiração ontem foi o número elevado de cruzamentos: 38 ao total. De acordo com dados do Sofascore, o time acertou apenas 10 (26% das tentativas). Além de consagrar a dupla de zaga do Coxa em boa parte do confronto, o Atlético decepcionou se levar em consideração o fato de que teve um intervalo de dez dias entre um jogo e outro.

Em compensação à má atuação, o Galo terá certa tranquilidade para começar 2021, já que assegurou os três pontos vistos como 'obrigatórios'. Mais que a paz pelo resultado, Sampaoli terá ainda mais tempo para melhorar o setor em que domina. Serão longos dias de folga até a partida contra o Red Bull Bragantino, em 11 de janeiro, pela 29ª rodada.

Este grande período sem jogos acontece pela mudança de data do duelo entre Galo e Santos, no Mineirão. A partida aconteceria no dia 7, mas precisou ser alterada para 27 do mesmo mês por causa do Peixe, que joga a semifinal da Copa Libertadores.

Atlético-MG