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Política e atrito com Di María e Mbappé. Entenda demissão de Tuchel no PSG

Thomas Tuchel, técnico do PSG, durante partida contra o Red Bull Leipzig, pela Champions League - Manu Fernandez / POOL / AFP
Thomas Tuchel, técnico do PSG, durante partida contra o Red Bull Leipzig, pela Champions League Imagem: Manu Fernandez / POOL / AFP

João Henrique Marques

Colaboração para o UOL, em Paris

24/12/2020 10h08

Ao completar 22 anos no domingo, Kylian Mbappé esperava por gols e vitória do Paris Saint-Germain contra o Lille, pelo Campeonato Francês, para comemorar o aniversário. A decisão do treinador Thomas Tuchel, no entanto, foi a de o deixar no banco de reservas por 80 minutos alegando preservar o atacante com problemas físicos. Internamente no clube, cutucar um "queridinho" da diretoria soava como um ato final do trabalho do treinador alemão.

O PSG empatou por 0 a 0 com o líder da competição e ontem venceu o Strasbourg por 4 a 0. A goleada não bastou. Tuchel ainda teve como estopim uma entrevista não autorizada ao canal de TV alemão 'Sport 1' essa semana em que reclamava do PSG: "Às vezes penso aqui: sou um treinador ou sou um político do esporte, um Ministro do esporte? Onde está meu papel como treinador em um clube assim?", disse Tuchel.

A briga política foi pano de fundo de uma demissão que não preocupa o vestiário. Pelo contrário, além de Mbappé, outro craque do time, o argentino Angel Di María passava por problemas com o treinador alemão por perder a titularidade do time para o brasileiro Rafinha.

Colocar Mbappé como reserva era uma decisão médica, defendia o treinador. O problema maior foi o tempo em que ele ficou no banco de em um duelo tão importante. A expressão de descontentamento quando o francês entrou em campo era clara e pressionava Tuchel ainda mais.

No vestiário, a crítica comum era de incompreensão com tantas mudanças táticas promovidas por Tuchel. No cenário, a improvisação do volante português Danilo como zagueiro era a que mais irritava.

Tuchel x Leonardo

A imprensa francesa encarou a improvisação de Danilo como um golpe de Tuchel no diretor esportivo, Leonardo, pelas saídas de Thiago Silva (Chelsea) e Kouassi (Bayern de Munique) e a não-contratação de um zagueiro desde então. A vinda do português era considerada desnecessária, uma vez que o técnico já utilizava Marquinhos como meio-campo e ainda contava com Herrera, Verratti, Paredes e Gueye para a função.

A pressão sobre Thomas Tuchel ocorre muito por conta do relacionamento ruim com Leonardo. Ele é visto internamente como desgastado e piorou quando o treinador recentemente cobrou contratações publicamente.

"Tuchel passou a imagem de um elenco fraco", reclamou inicialmente Leonardo. "Temos que apoiar o treinador e também falar coisas. Com o Tuchel, tivemos uma discussão e dissemos que não gostamos da maneira como ele criticou o clube à imprensa. Conversamos e agora a discussão está clara para todos. Depois tem discussões normais, a gente conversa o tempo todo sobre quem está jogando", disse o brasileiro voltando ao tema pouco depois.

Na visão de Leonardo, o PSG não precisa contratar zagueiros por acreditar não ter problemas na posição. O plano foi o de montar o elenco com, ao menos, um reserva para cada posição no campo. Assim, para o dirigente, a defesa central tem Marquinhos e Kimpembe como titulares, sendo Diallo e Kehrer os reservas. À frente, o reserva de Neymar é o alemão Julian Draxler. Já o brasileiro Rafinha fica como opção para as vagas de Di Maria pelo lado do ataque, ou Verratti no meio-campo.

Tuchel já tinha a saída do PSG desenhada há algum tempo. A demissão não choca a imprensa francesa visto que o contrato que terminaria em junho de 2021 já não seria renovado.

A imprensa europeia coloca o nome do argentino Mauricio Pochettino como favorito a assumir o cargo. Ele está desempregado desde que deixou o Tottenham, no fim do ano passado, e já se mostrou disponível para assumir uma nova equipe.

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