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Presidente do Atlético-MG diz que sua relação com Sampaoli é "quase zero"

Treinador argentino tem personalidade forte e não é de dar papo nem para o presidente do Galo - Bruno Cantini/Atlético-MG
Treinador argentino tem personalidade forte e não é de dar papo nem para o presidente do Galo Imagem: Bruno Cantini/Atlético-MG

Guilherme Piu e Thiago Fernandes

Do UOL, em Belo Horizonte e São Paulo

10/12/2020 04h00

As características do técnico Jorge Sampaoli são conhecidas dos torcedores Brasil afora. Não é mistério para ninguém que o argentino é uma pessoa agitada, nervosa à beira do gramado, que xinga e gesticula, "um pouco maluco", como chegou a dizer o atacante santista Marinho — com quem trabalhou em 2019 — e bem reservado. O fato de ser um "cara fechado" faz com que o treinador não tenha relação nem mesmo com o presidente do Atlético-MG.

Em conversa com o UOL Esporte, Sérgio Sette Câmara, que nos próximos dias deixará a cadeira presidencial no Galo — a ser assumida por Sérgio Coelho — revelou que sua relação com o treinador é "praticamente zero".

"Minha relação [com Sampaoli]? Zero. Praticamente zero. É o estilo dele ficar fechado ali entre ele e a comissão técnica dele, sem se abrir demais. Não é só comigo, é com a direção de comunicação, com o corpo médico... Ele não é de resenha, não é aquele camarada que fica ali. É a forma dele", disse Sette Câmara.

Sampaoli foi apresentado como treinador do Galo em 9 de março, pouco antes de a pandemia da Covid-19 assolar o Brasil. Mesmo com o centro de treinamento atleticano fechado por regras impostas pelo protocolo de segurança sanitária, Sampaoli impõe suas regras particulares no local. Tanto que nem todo mundo que tem permissão de entrar na Cidade do Galo pode assistir treinos, ter contato com atletas e a própria comissão, como apurou o UOL.

"O [Jorge] Desio [auxiliar técnico] é um cara mais leve no trato, mas fala pouco. Eles não são de muita conversa. Mas é aquela história, eu não quero um treinador para bater papo, quero treinador para entregar serviço. Ele exige, e vi até uma matéria com o Fábio Santos [hoje no Corinthians] dizendo como ele tira do jogador muita coisa", completou o presidente alvinegro, que deu até "pitaco" na escalação do gringo no jogo contra o Internacional.

"A torcida ficou meio chateada no último jogo [contra o Internacional], mas todo mundo falha, até o treinador. Falar depois do leite derramado é fácil, mas talvez não fosse o caso de entrar com três zagueiros. Na minha opinião, o Gabriel está um pouco sem ritmo de jogo, enxergaram isso [jogadores do Inter] e jogaram o [Thiago] Galhardo na direita em cima dele, pode ter tido alguma falha. Mas tem muitos acertos. Quantas vezes nós vimos o Atlético-MG sair para o intervalo e voltar em outra condição, aí você vê que tem o dedo do treinador. O saldo dele é positivo", palpitou.

Sobre a forma de Jorge Sampaoli lidar com a diretoria e demais funcionários do Galo, sem tanto papo e conversa, Sette Câmara disse que entende o comandante.

"Em matéria de relacionamento, a gente entende a forma como eles são, mais fechados, e tudo bem. Tem uns que são mais abertos, tem uns que são mais fechados. O importante é fazer o trabalho sério e entregar resultado, essa é a principal meta e é isso que me cabe. Se entrar mudo e sair calado, mas a coisa continuar acontecendo, es ótimo"

O contrato de Jorge Sampaoli com o Galo é válido até o fim de 2021. Entretanto, o futuro presidente alvinegro já demonstrou interesse de prorrogar o vínculo do comandante até o final de 2022.

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