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Ídolo dos dois lados, Iarley dá receita para Inter eliminar o Boca Juniors

Iarley tenta sair da marcação de Carles Puyol, na final do Mundial de Clubes da Fifa em 2006 - Etsuo Hara/Getty Images
Iarley tenta sair da marcação de Carles Puyol, na final do Mundial de Clubes da Fifa em 2006 Imagem: Etsuo Hara/Getty Images

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

09/12/2020 04h00

Se alguém tem propriedade para opinar sobre o duelo entre Internacional e Boca Juniors, este é Pedro Iarley. O ex-atacante foi campeão do mundo pelos dois clubes e é ídolo em ambos. Atualmente coordenador técnico das categorias de base do Colorado, ele dá dicas e aponta caminhos para o time brasileiro seguir na Copa Libertadores.

Inter e Boca Juniors jogam hoje (9), às 21h30 (de Brasília), na Bombonera, em duelo de volta das oitavas de final. Por ter perdido o jogo de ida, em casa, por 1 a 0, cabe ao time gaúcho vencer por dois ou mais de vantagem para encarar o Racing na fase seguinte. Se ganhar por margem mínima, também avança marcando dois ou mais gols como visitante (2 a 1, 3 a 2, 4 a 3, em diante). Se devolver o 1 a 0, leva a decisão para os pênaltis. Outro cenário coloca o Boca Junirs adiante.

Primeiro passo é acreditar

Ao UOL Esporte, Iarley contou que primeiro de tudo é preciso acreditar. Uma equipe mentalmente forte, que confie em seu potencial, tem tudo para conseguir reverter o placar adverso.

"É possível, sim. O futebol se decide em 90 minutos. Já ganhei jogos com times em que não vivíamos um grande momento, e perdi com super times. Já tenho essa experiência. Tudo pode acontecer. O mais importante é acreditar. Os jogadores precisam acreditar e deixar tudo em campo", disse.

"Eu diria para o torcedor que o Inter é um time grande. Por mais que esteja passando por um momento difícil, tem que acreditar. A camisa é muito pesada, você não pode apostar de maneira nenhuma que o Inter não possa reverter o placar. É fundamental para o clube, para o momento", acrescentou.

Aprender as lições do campo

Além de ter confiança em suas capacidades, o Internacional precisa entender a razão pela qual não venceu em casa. Desta forma poderá aprender com as falhas e seguir na competição, na avaliação de Iarley.

Iarley, jogador do Boca Juniors, levanta a taça do Mundial Interclubes de 2003 - AFP PHOTO/Yoshikazu TSUNO - AFP PHOTO/Yoshikazu TSUNO
Imagem: AFP PHOTO/Yoshikazu TSUNO

"Tem que entender o adversário, o que aconteceu no jogo de ida. Ver os pontos fortes e fracos. Foi um jogo em que a chuva atrapalhou um pouco, mas não se viu uma superioridade tão grande do Boca, por viver um momento melhor. É preciso tirar lições daquela partida para a segunda", disse.

"O Boca Juniors tem uma parte defensiva muito sólida, uma sustentação para o ataque, com jogadores como Tevez, experiente, para cadenciar o jogo e fazer a transição. Mas o grande ponto da equipe deles é a parte defensiva muito sólida", completou.

Evoluções e a segurança no comando

Iarley foi campeão da Libertadores e do Mundial de Clubes pelo Inter em 2006, exatamente sob comando de Abel Braga. Dos pés dele saiu o passe para o gol de Gabiru contra o Barcelona. Debaixo do pé dele a bola permaneceu quando o Colorado já estava na frente e precisava segurar o jogo. Fundamental em momentos decisivos, ele confia no acréscimo do chefe da comissão técnica, que volta após isolamento em razão da Covid-19.

"É muito complicado analisar o rendimento tático nas circunstâncias que tudo aconteceu. Tem que se salientar a atitude do Abel em vir treinar o time neste momento turbulento da saída do Coudet. Os jogadores sentiram muito a saída, foi visível nos jogos. A gente não pode culpar a comissão técnica, mas exaltar a atitude de assumir o time", disse.

"É muito importante ter o treinador ali no campo. Por mais que se respeite o auxiliar e se esteja com ele no dia a dia, o seu treinador, o seu líder, influencia muito. No jogo, ele tem as sacadas dele, as orientações dele para passar no momento. Várias vezes no jogo contra o Barcelona, por exemplo, ele me chamava e falava para abrir aqui, para segurar a bola ali, para fazer outro movimento, coisas que muitas vezes não tinham sido trabalhadas mas é o feeling do treinador, do mais experiente, no campo, no momento. Isso tudo ajuda, com certeza", acrescentou.

Boca sem a Bombonera, mas perigoso

Pelo Boca Juniors, Iarley foi campeão do Mundial de Clubes de 2003 (ainda no formato de jogo único do campeão da Libertadores contra o campeão da Liga dos Campeões). O time argentino bateu, nos pênaltis, o Milan de Kaká, Seedorf, Pirlo e companhia. Iarley jogou toda partida, mas não participou das cobranças.

Iarley conhece a Bombonera a seu favor, e contra, pois foi protagonista em vitória do Paysandu no estádio argentino. Por isso, ele vê benefício para o Colorado no estádio vazio em razão da pandemia de novo coronavírus.

"Tem influencia, sim, no jogo. Isso é positivo para o Inter, não tanto para o Boca, que joga sem o seu torcedor. Lá sempre se criou um clima, com aquela música, o alento do torcedor empurra o time. O Boca joga ao som do seu torcedor. Com certeza com o apoio da torcida o Boca é um time muito mais difícil de ser batido", opinou.

FICHA TÉCNICA:

BOCA JUNIORS x INTERNACIONAL
Data e hora: 09/12/2020 (quarta-feira), às 21h30 (de Brasília)
Local: La Bombonera, em Buenos Aires (ARG)
Árbitro: Roberto Tobar (CHI)
Auxiliares: Christian Schiemann e Claudio Rios (ambos chilenos)
VAR: Julio Bascuñan (CHI)

BOCA JUNIORS: Andrada; Buffarini, López, Izquierdoz e Fabra; Salvio, Campuzano, Capaldo e Villa; Cardona e Tevez. Técnico: Miguel Ángel Russo

INTERNACIONAL: Marcelo Lomba; Rodinei (Heitor), Moledo, Cuesta e Uendel; Rodrigo Dourado, Edenilson, Patrick e D'Alessandro; Galhardo e Yuri Alberto. Técnico: Abel Braga

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