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Futebol feminino terá dia histórico com final em 4 plataformas: "Uma luta"

Corinthians e Avaí Kindermann disputam o título do Brasileirão feminino 2020 - Thais Magalhães/CBF
Corinthians e Avaí Kindermann disputam o título do Brasileirão feminino 2020 Imagem: Thais Magalhães/CBF

Diego Salgado

Do UOL, em São Paulo

05/12/2020 04h00

O futebol feminino viverá um dia histórico neste domingo (6), com a transmissão de Corinthians x Avaí Kindermann em quatro plataformas. A decisão do Campeonato Brasileiro poderá ser acompanhada nas TVs fechada (ESPN) e aberta (Band), além da Rádio CBN e por meio do Twitter da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Tantas opções para acompanhar o jogo, que começará às 20h na Neo Química Arena, em Itaquera, reforçam a ascensão do futebol feminino no Brasil nos últimos anos. Tal patamar foi atingido depois do sucesso da Copa do Mundo, disputada no ano passado.

"Há transmissão porque as pessoas gostam, é um produto interessante. É a realização de um processo que acontece há tempos e explodiu na Copa do Mundo [de 2019]. Agora é a nossa hora. Vamos chegar às casas das pessoas e quebrar preconceitos", disse Mariana Spinelli, comentarista da ESPN, que estará na transmissão juntamente com a narradora Renata Silveira, além da repórter Bibiana Bolson, da comentarista de arbitragem Renata Ruel e do comentarista Leonardo Bertozzi.

"Não foi fácil, mas se tornou orgânica a transmissão da final. Era uma luta, uma causa, Foi preciso dar o mínimo de condições às atletas, convencer a CBF, os clubes. Foi um processo de como levar para a TV, como atrair marcas. A roda gira de forma mais natural agora. É um bom produto do mercado", completou Mariana.

Mariana Spinelli - Divulgação - Divulgação
Mariana Spinelli será uma das comentaristas do jogo que vai definir o título
Imagem: Divulgação

Renata Silveira também vê a Copa do Mundo 2019 como um divisor de águas. "É uma evolução, mudou muito depois da Copa, virou a página, com estádios lotados", disse a narradora, que vê evolução dentro de campo também.

"Há um crescimento da modalidade em várias vertentes, não só no sentido de mais pessoas verem futebol, mas também a parte técnica, com mais investimento dos clubes. Muitos estão fazendo da forma correta, em busca de títulos. E quando começa a ter uma evolução dentro de campo, existe um interesse maior do público. Uma coisa leva a outra", completou Renata.

Tanto a comentarista quanto a narradora ressaltaram que a interação nas redes sociais, com uma procura cada vez mais intensa sobre o futebol feminino, é outro indício de que a modalidade vive uma fase de evolução no país.

"Quando muita gente vem falar, é que tem uma demanda. É um crescimento importante. As pessoas estão procurando por conteúdo. Ele é praticado por mulheres, mas é para todos. As pessoas estão mais abertas a conhecer a modalidade, a conhecer as jogadoras", frisou Mariana.

"O produto chama a atenção. Esses jogos das finais estão sendo disputados nos estádios principais. Isso é um atrativo também. As empresas estão tendo retorno, audiência, senão não fariam. Que sirva de exemplo para outras mídias. Esses veículos estão sendo inteligentes, tem muita gente querendo ver. É um público que acompanha, que sabe", afirmou Renata.

Expectativa para o futuro

A ascensão da modalidade no Brasil faz as jornalistas sonharem com um futuro em que o futebol feminino tenha cada vez mais espaço. A aposta é novamente a disputa da Copa do Mundo, em 2023, na Austrália e na Nova Zelândia, além dos Jogos Olímpicos de Tóquio no ano que vem.

Renata Silveira - Divulgação - Divulgação
A narração da final será feita por Renata Silveira, da Fox Sports
Imagem: Divulgação

"É importante manter essa onda. Esses torneios estarão ainda mais consolidados, com mais estrutura para as transmissões, mais debate, mais rostos conhecidos, mais times de camisa aqui no Brasil", disse Mariana, que também espera que o preconceito diminua.

"Quero que alguns debates tenham sido superados, com uma sociedade mais evoluída, que abraçasse um pouco mais quando a gente falasse, que não fosse preciso explicar que mulher pode jogar bola", afirmou.

Um sentimento comum às duas é a expectativa de maior equilíbrio nos campeonatos. O Corinthians, por exemplo, disputa a sua quarta final seguida, com um título, o da edição 2018.

"De todas as edições, a atual é mais competitiva. O campeonato está caminhando para ter mais equilíbrio entre as equipes. Haverá mais equipes no mesmo patamar do Corinthians, haverá um equilíbrio técnico" disse Renata.

Jogo com emoção, sim

Como o primeiro jogo terminou empatado sem gols, o jogo deste domingo está completamente aberto. Uma nova igualdade leva a decisão para os pênaltis na Neo Química Arena. "Vai ser emoção desde o começo", apostou a narradora.

Na difícil tarefa de desbancar o Corinthians em casa, o Avaí conta com a meio-campista Júlia Bianchi, que foi apontada como a revelação do campeonato por Mariana e o destaque do torneio por Renata.

O jogo será disputado com portões fechados, por causa da pandemia do novo coronavírus, mas nem isso diminui a expectativa em relação aos anos que vêm pela frente.

"O futebol feminino sempre conviveu em contexto igual ao dessa pandemia: orçamento reduzido, sem estrutura, pouca torcida. É o jogo pelo jogo. A qualidade deu um salto absurdo, as equipes têm mais estrutura, os clubes de camisa entraram para valer. Algo aconteceu", frisou Mariana.

Além do Campeonato Brasileiro, a ESPN conta detém os direitos de outras competições do futebol feminino em seu portfólio de direitos, como a Champions League, a Copa da Rainha, na Espanha, e a FA Cup, na Inglaterra.

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