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Bastidores: Caso Veríssimo tem guerra fria entre Rollo e conselho no Santos

Pará, Lucas Veríssimo e Wagner Leonardo conversam durante o jogo entre Santos e LDU - Staff Images/CONMEBOL
Pará, Lucas Veríssimo e Wagner Leonardo conversam durante o jogo entre Santos e LDU Imagem: Staff Images/CONMEBOL

Eder Traskini

Colaboração para o UOL, em Santos

02/12/2020 12h00

A atual gestão do Santos e Conselho do clube travam neste momento uma "guerra fria" no clube. Aqui não se trata de desenvolvimento de arsenal nuclear ou corrida espacial, mas, sim, tentar provar que a 'culpa' pelo aumento das dívidas do Peixe não recai sobre seus ombros. E o personagem principal é o zagueiro Lucas Veríssimo.

Cobiçado pelo Benfica (POR), o defensor recebeu ofertas do clube português que agradaram à gestão do presidente Orlando Rollo, mas não ao Conselho Fiscal (CF) — órgão que detém o poder de vetar qualquer transação dentro dos últimos três meses do mandato da atual direção. O CF rejeitou a primeira e também a segunda investida dos portugueses.

Já após o primeiro veto, o incomodo ficou evidente. Rollo chegou a dizer durante a reunião do Conselho Deliberativo que deveria ficar registrado que a atual direção trouxe solução para os problemas financeiros vividos e que não poderia ser responsabilizada caso perdesse jogadores de graça por falta de pagamento de salários até o fim de 2020.

O Conselho Fiscal se manteve firme na rejeição. A proposta previa pagamento de 6,5 milhões de euros por Veríssimo, mas de maneira parcelada e sem nenhum valor à vista. A solução encontrada por Rollo foi acionar um fundo belga que adiantaria os valores, mas diminuiria o montante para 5,1 milhões, dos quais ainda seriam descontados 25% entre valores pagos ao atleta e seu empresário, restando 3,8 milhões de euros (R$ 23 milhões) para o clube.

Diante da rejeição, o Benfica melhorou a oferta e topou pagar 1,2 milhão de euros à vista, mas a gestão manteve a ideia da antecipação do restante do valor sob os mesmos juros e, novamente, o Conselho Fiscal rejeitou os moldes do negócio. A alegação é de que tal antecipação afetaria demasiadamente futuras gestões do clube.

A decisão desagradou ao presidente Orlando Rollo, que falou com o UOL Esporte momentos antes da decisão contra a LDU e afirmou que o elenco santista estaria irritado com a posição do CF. Veríssimo também não gostou e chegou a pedir para não jogar, mas voltou atrás e foi titular contra os equatorianos. Em nota, o Santos ainda afirmou que não recebeu o parecer do Conselho Fiscal.

A situação também irritou a comissão técnica, que vê cada dia mais o Peixe criando mais problemas internos e externando tais fatos. Uma pessoa ouvida pela reportagem chegou a dizer que "parece que nossos inimigos estão nas nossas trincheiras ao invés do outro lado da batalha".

Sabendo da condição financeira delicada do Peixe, o CF emitiu parecer favorável a três transações que podem render R$ 16 milhões ao clube, como publicou o UOL Esporte. No entanto, mesmo assim, a gestão do clube ainda bate o pé pela venda de Veríssimo — que também deseja seguir para o Benfica.

Além de rejeitar a oferta do Benfica, o Conselho Fiscal deixou claro que rejeita a forma como a antecipação seria feita. O órgão, por outro lado, aprova a venda ao Al-Nassr (EAU) que prevê o mesmo valor (6,5 milhões de euros, ou R$ 40 milhões) em duas parcelas: uma dez dias após assinatura e outra no fim de janeiro de 2021. Nesta opção, 5 milhões de euros ficariam com o Peixe. Veríssimo, no entanto, não deseja ir para o Al-Nassr.

O Conselho Deliberativo do Santo se reúne virtualmente amanhã (3) para votar os pareceres emitidos pelo Conselho Fiscal. No entanto, de acordo com o Estatuto, quando uma oferta é rejeitada pelo CF, ela não vai para votação no plenário do CD — uma vez que os dois órgãos precisam aprovar para que a transação possa ser realizada durante os últimos três meses de gestão.

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