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Bastidores do Santos: Ex-funcionário diz que tentam "melar voto online"

Votação do impeachment do presidente José Carlos Peres, do Santos, na Vila Belmiro - Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC
Votação do impeachment do presidente José Carlos Peres, do Santos, na Vila Belmiro Imagem: Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC

Eder Traskini e Gabriela Brino

Colaboração para o UOL, em Santos

30/11/2020 16h55

O Santos demitiu na última semana um dos principais responsáveis pelo avanço do voto online dentro do clube: Daniel Gonzalez. O funcionário foi responsável pelo setor de sócios no Peixe nos últimos anos e, segundo nota oficial do Peixe em 6 de outubro deste ano, o clube se aproximava de uma "base cadastral 100% confiável".

A nota oficial do Santos ainda citava a atualização de mais de 10 mil cadastros e mais de 400 problemas identificados entre falecimentos, datas de admissão e números de CPF, segundo levantou uma auditoria realizada pela empresa Grant Thornton. A mesma empresa, no entanto, encontrou falhas no programa de sócios em nova auditoria realizada nos últimos dias.

Segundo o Santos, Gonzalez foi demitido por "solicitar informações acerca de nomes de sócios, de valores pendentes de sócios inadimplentes e os respectivos boletos para quitação através de telefone pessoal de ambos". O ex-funcionário rebate, acredita que sua demissão foi política e afirma que vê um movimento para "melar o voto virtual" desde o início do mês. Em nota, a atuação gestão do Santos afirmou que é favorável ao voto à distância.

"Acessei somente quatro vezes, última dia 9 de setembro de 2019. Faz mais de um ano. Conheço o histórico do Santos, de gente tentando produzir prova contra as pessoas, sou mais esperto do que isso. Você pode ver o e-mail, dia 9 de novembro deste ano pedi que meu usuário fosse bloqueado. Comecei a perceber. Fui demitido em 26 de novembro, mas desde o início de novembro eu já via uma tentativa de melar o voto virtual, por isso pedi que meu usuário fosse bloqueado", disse Gonzalez em entrevista ao UOL Esporte.

"Eu que pago a mensalidade da minha mulher. Já paguei a do meu irmão em mais de uma ocasião, ele reside fora do Brasil. E em duas ocasiões específicas, paguei a mensalidade de dois sócios. Uma de um ídolo do clube, em uma ação promocional realizada pelo marketing, não quero falar quem é, até para não expor a pessoa, mas isso está registrado. E a outra, aliás de um grupo político que com frequência me critica, mas ele é meu amigo pessoal e estava com problema, não estava conseguindo efetuar o pagamento por um erro de código de barras. Ele pediu para eu pagar para ele me reembolsar, pois não queria correr o risco de estar inadimplente em uma lista de sócios que o Santos divulgaria para eleição. Minha demissão é evidentemente política, não é técnica. Não gosto de me vitimizar, ela é política, mas não só no sentido pejorativo, também no sentido de alinhamento. Eu e a atual gestão temos uma visão de clube totalmente diferente. Então, é natural que, sem nenhum tipo de juízo de valor, ele coloque pessoas que pensem como ele. Mas, às vésperas do processo eleitoral, isso que é um pouco esquisito.", disse Gonzalez.

As eleições do Santos estão marcadas para o dia 12 de dezembro e serão seis chapas disputando a presidência do clube, um recorde. Na última semana o clube realizou um teste de ambiente online para a votação. Sobre o teste, Marcelo Teixeira, presidente do Conselho Deliberativo, disse à reportagem:

"Com todos os detalhes e orientações, a área executiva deve trabalhar para manter o cadastro em ordem. As inconsistências ou problemas deverão ser separados e controlados à parte quando da data da eleição e obrigatoriamente estes associados somente poderão votar presencialmente se os esclarecimentos forem feitos no ato da análise de votação. O trabalho da auditoria serve para apontar correções que foram e continuarão sendo feitas na secretaria do clube."

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