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Ex-colega de Pato no Inter é ídolo em Hong Kong e mira seleção

Luciano Silva, ex-Internacional, joga pelo Happy Valley, de Hong Kong - Divulgação/Happy Valley
Luciano Silva, ex-Internacional, joga pelo Happy Valley, de Hong Kong Imagem: Divulgação/Happy Valley

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

29/11/2020 04h00

Luciano Silva jogou nove anos no Inter, mas poucos torcedores guardam lembranças dele. Das categorias de base, passou pelo time B, foi colega de Taison, Luiz Adriano, Alexandre Pato, mas acabou deixando o clube antes de debutar no principal. A realidade do zagueiro de 33 anos hoje é outra. Um dos principais jogadores do futebol de Hong Kong, onde atua pelo Happy Valley, ele sonha em conseguir nacionalidade e jogar pela seleção.

"Foram nove anos de Inter, uma época maravilhosa em que estava iniciando a minha carreira. Tenho muitas lembranças. As que marcaram foram quando subia para treinar com o profissional e na época os zagueiros Sangaletti e Vinícius me davam muitas instruções para ter um bom posicionamento. Isso me ajudou muito. Outro momento marcante foi um torneio que vencemos na Holanda e marquei um dos gols na final, foi uma experiência muito boa jogar contra times grandes da Espanha, Itália e Holanda", contou em entrevista exclusiva ao UOL Esporte.

Hoje, o contato com os antigos companheiros é raro. Mas Luciano ainda acredita na recuperação de Alexandre Pato, parado desde que rompeu com o São Paulo. "É um jogador diferente, e desde novo sempre teve muita personalidade. É um cara que não tem medo de novos desafios", opinou.

A trajetória do zagueiro não foi parecida com a dos colegas. Depois do Inter, passou por clubes menores como Bragantino, Brasil de Pelotas, Misto e América-SP até receber uma chance no An Giang, do Vietnã. Depois de uma curta passagem, surgiu oportunidade em Hong Kong.

"Eu estava atuando no Vietnã e na janela de janeiro estavam precisando de zagueiro em Hong Kong. Um amigo me indicou e acabou dando certo. Sou muito grato a eles por me darem essa oportunidade", explicou.

O início foi no Hong Kong Rangers, depois um breve retorno ao Brasil de Farroupilha, no Rio Grande do Sul, e a volta definitiva para Hong Kong. Yuen Long, Lee Man e agora Happy Valley são os times que ele defendeu, se tornando um dos ídolos do esporte no país, indo para sua oitava temporada sempre como capitão das equipes pelas quais passou.

Luciano Silva não chegou a atuar pelo time principal do Internacional, que defendeu por nove anos - Divulgação/Happy Valley - Divulgação/Happy Valley
Imagem: Divulgação/Happy Valley

"O nível do futebol aqui é médio, algumas coisas precisam ser melhoradas. Mas agora podem cinco estrangeiros por equipe, então esta temporada estará mais qualificada", falou. "Mas eu indicaria Hong Kong para qualquer jogador brasileiro. Depois de você estar adaptado, não quer mais ir embora", completou.

"Os clubes são estáveis, pagam em dia e com a alta do dólar os jogadores estão fazendo bons contratos. O pessoal gosta bastante do futebol. Com a situação da pandemia, estão indo pouco aos estádios, mas esperamos que as coisas voltem ao normal", comentou.

A educação e a cultura das pessoas também surpreenderam Luciano. A segurança e a eficácia do transporte público também chamaram atenção.

"Aqui se anda muito de metrô, os transportes públicos são de alta qualidade. Uma vez vi uma menina de aproximadamente 15 anos abrindo um laptop no metrô. Na hora pensei: imagina se fosse no Brasil (risos). Outra vez, esqueci a carteira no banco. Voltei depois de uma hora e estava no mesmo lugar. As pessoas são muito educadas e corretas aqui", comentou.

Tanto que, hoje, Luciano não pensa em voltar ao Brasil. A meta é conseguir nacionalidade e, quem sabe, jogar pela seleção de Hong Kong, que nunca disputou uma Copa do Mundo.

"Ainda faltam alguns anos para isso acontecer, mas meu objetivo é poder representar a seleção do país. Já tem alguns brasileiros que jogaram pela seleção, e nesta temporada quatro atletas vão mudar o passaporte", contou.

"A gente não pode falar nunca no futebol. Mas hoje não me vejo mais atuando no Brasil. Meu plano é encerrar minha carreira aqui na Ásia", finalizou.

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