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Candidatos à presidência do Corinthians respondem 5 perguntas do UOL; veja

Entrada principal do Parque São Jorge, sede social do Corinthians e local da eleição deste sábado - Reprodução/Wikipedia
Entrada principal do Parque São Jorge, sede social do Corinthians e local da eleição deste sábado Imagem: Reprodução/Wikipedia

Samir Carvalho

Do UOL, em São Paulo (SP)

28/11/2020 04h00

A eleição que decide o novo presidente do Corinthians nos próximos três anos ocorre hoje (28), no Parque São Jorge. Três candidatos disputam o pleito: Duílio Monteiro Alves, diretor de futebol na última gestão de Andrés Sanchez, e os concorrentes de oposição Mário Gobbi e Augusto Melo.

As eleições ocorrem das 9h às 17h (de Brasília). Após o fim das votações, o clube paulista iniciará a apuração para saber quem substitui Andrés Sanchez, que revelou que não voltará mais a trabalhar no Corinthians, em entrevista exclusiva ao UOL. Andrés se licenciou do cargo no último dia 18.

Duílio, Gobbi e Augusto responderam cinco perguntas feitas pela reportagem do UOL Esporte. Veja abaixo as respostas de cada candidato:

Como planeja fazer o Corinthians voltar a brigar pelos principais títulos?

Duílio: Neste ano, o Corinthians demorou a encaixar, sendo que, infelizmente é o primeiro ano meu na diretoria de futebol em que não conquistamos títulos. Acredito que temos um bom grupo e devemos sempre estar atentos às oportunidades que surgirem para trazer possíveis reforços, dentro das necessidades pedidas pela comissão técnica. Vale lembrar também de que nenhum clube ganha mais com a volta das torcidas do que o Corinthians. A Fiel sempre fez e fará a diferença. Em pouco tempo também, com a volta de boa parte das receitas da Arena entrando nos cofres do clube, a contratação de reforços ficará ainda mais viável. O Corinthians já ganhou muitos campeonatos com equipes não tão badaladas e já deixou a desejar com grandes astros em campo. Por isso, para continuarmos a brigar pelos principais títulos, temos que ampliar e gerar novas receitas, continuar trabalhando forte e manter um bom ambiente dentro do grupo.

Gobbi: Eu tenho uma premissa que, para mim, é basilar: só se olha as quatro linhas no mundo do futebol, mas a causa é a gestão e as quatro linhas são apenas o efeito dela. Se a gestão está mal, o reflexo é evidente nas quatro linhas. Costuma-se dizer que o goleiro falhou, que o técnico não é bom, que o centroavante perdeu o gol. Aí estão tratando dos efeitos do problema, quando na verdade a base está na gestão. O Corinthians não precisa apenas ser recolocado no caminho das vitórias. O Corinthians precisa ser colocado no caminho do lugar que lhe cabe: o de protagonista permanente do futebol brasileiro e mundial. E isto só será possível se começarmos o mais rápido possível a fazer um grande trabalho de profissionalização do clube, de equilíbrio das contas e, paralelamente, de resgate dos valores e da marca Corinthians. Para completar todo este processo, precisaremos de apoio e da paciência de todos os envolvidos: torcedores, sócios, conselheiros e diretores.

Augusto: Com planejamento, contratações pontuais, salários em dia, elenco mais enxuto para o treinador implantar sua filosofia de jogo e, principalmente, ter um bom vestiário, porque futebol não se faz só com craques e só dinheiro, mas principalmente com vestiário, um grupo fechado, amor e raça. Corinthians é feito dessa forma também.

Pretende contratar reforços de peso?

Duílio: Digo sempre que o Corinthians tem que estar aberto e atento às oportunidades que o mercado do futebol apresenta. A engenharia financeira da Arena que está praticamente solucionada, junto à ampliação e geração de novas receitas ajudará bastante nos pagamentos dos compromissos do clube e também na contratação de reforços.

Gobbi: A atual situação financeira do clube, que deve R$ 1 bilhão (sem contar o estádio), não permite que as contratações de peso sejam prioridade. No entanto, sei que é importante reforçar o elenco e, quando acontecer, será dentro de uma nova realidade financeira e, principalmente, com 100% de orientação da comissão técnica. Nos últimos tempos, o Corinthians trouxe um número gigantesco de jogadores sem nem saber da necessidade técnica, inchou demais o quadro de atletas (e vários deles estão emprestados, com salário arcado pelo clube) e, consequentemente, aumentou o custo e o rombo. O projeto para o futebol masculino é ter um time competitivo, que honre as tradições do Corinthians, até que as finanças do clube sejam sanadas. Depois que conseguirmos colocar o Corinthians de volta ao trilho do trem, certamente o clube assumirá o papel de protagonista permanente. Não queremos que esta mudança aconteça por um curto período, de quatro, cinco anos, como já aconteceu. Queremos que o Corinthians seja protagonista permanente! Por isso, é extremamente importante entender o novo momento, enxergar o clube de forma diferente, apoiar as mudanças e ter paciência por algum tempo para, então, assumir o protagonismo.

Augusto: Pretendo contratar dois ou três reforços, tenho nomes em vista e, após as eleições, vamos sentar com o treinador e sentir a opinião dele e ver o que ele precisa, quais as dificuldades que ele encontra para achar um time. Temos intenções de fazer duas ou três contratações.

Pretende manter a comissão técnica?

Duílio: Sou e sempre fui contra a troca de treinadores. Para se fazer um bom trabalho, é preciso de tempo. O time sob o comando do Mancini e da nova comissão técnica, apesar do pouco tempo de trabalho, tem mostrado evolução.

Gobbi: O Corinthians está em uma situação difícil no Campeonato Brasileiro, lutando para não cair pela segunda vez em três anos (2018 e agora). É hora de incentivar os profissionais que estão lá e prestigiar o trabalho deles para que terminem a competição na melhor colocação possível. O trabalho do Vagner Mancini está só no começo, é momento de deixá-lo trabalhar. Até aqui, acho que ele está indo muito bem!

Augusto: Nós temos uma boa comissão técnica, precisamos entender de que forma foi contratada, o que foi prometido. Vai depender do máximo de pontuação que ele vai conseguir nos levar até o fim do campeonato. Vai tudo depender de um planejamento para o próximo ano.

O que é necessário fazer para estruturar as finanças do clube?

Duílio: Pelo nosso plano de gestão, em primeiro lugar, consideramos necessário criar uma força-tarefa nos departamentos jurídico e financeiro para renegociar processos e chegar a novos acordos que nos permitam cumprir com os compromissos e manter o fluxo de caixa positivo. Ao mesmo tempo, diversificar e trazer novas receitas por meio da tecnologia e da inovação, transformando o departamento de marketing, que passará a ter também braços específicos, 100% focados nos esportes olímpicos, amadores, no clube social e na responsabilidade social. Para o clube social, um bom exemplo é a viabilização do projeto Arena Fazendinha, que trará grandes shows e eventos para nossa querida Fazendinha, gerando novas receitas. Teremos, ainda, a finalização do alojamento do CT da Base, que já está em uso, e que irá ajudar bastante na formação e revelação de novos atletas.

Com isso, conseguiremos retorno dentro e fora de campo, e as receitas geradas serão essenciais para equilibrar as contas mais rapidamente. Temos também que tornar o Fiel Torcedor mais atrativo e aumentar os benefícios para quem não mora em São Paulo. Isso nós podemos conseguir trazendo conteúdos exclusivos, experiências e vantagens diferenciadas e buscando inspiração em planos de torcedores que são sucesso pelo mundo — o do Benfica (Portugal), por exemplo, dá desconto de R$ 1 por litro de gasolina abastecido. Por fim, o acordo fechado, que deverá ser assinado com a Caixa nos próximos dias, possibilitará que o clube receba, já na volta do público aos jogos, boa parte das receitas com bilheteria, além de todas as outras receitas geradas na Arena, que já possui, entre outras atividades comerciais, Universidade para 2.000 alunos, shows, restaurantes, academia, salão de beleza, barbearia, locadora de automóveis, etc. Há bastante a ser explorado e criado e estamos preparados para isso.

Gobbi: A situação financeira do Corinthians é gravíssima e praticamente pré-falimentar. A recuperação das finanças, bem como da credibilidade do clube, será prioridade. O projeto para esta área é bastante complexo, como teria que ser face à complexidade dos desafios e oportunidades de um clube como o Corinthians. Mas ele passa essencialmente pela gestão eficiente do fluxo de caixa do clube. Temos que equilibrar as contas, voltar a gastar dentro do que o clube arrecada, mas, além disso, buscar o crescimento desta arrecadação, gerando recursos para investir no futebol e nas outras importantes iniciativas do clube.

Entre os principais pilares do projeto da área financeira, além de prováveis cortes de custos e da readequação de processos internos que a auditoria de uma das big four (Deloitte, Ernst & Young, KPMG e PricewaterhouseCooper) irá nos mostrar, temos um plano de criação de fundos de investimento, feito por um renomado profissional da área e com passagens por grandes instituições brasileiras e internacionais. Em três anos, quero entregar o clube saudável financeiramente e com o caminho trilhado para ocupar o seu devido lugar: o protagonismo permanente no futebol mundial.

Augusto: Primeiramente, uma auditoria total, para saber o que aconteceu, acontece ou pode acontecer, equacionarmos dívidas com receitas, fechar as torneiras, contratamos um grande advogado na área tributarista, renomado, montamos um grande corpo jurídico, onde teremos um advogado em cada área para recuperação de dívidas. Temos condições de recuperar alguns contratos e o que não for bom vamos ter de rescindir. O Corinthians precisa de um choque de gestão. Temos professores da USP fazendo estudos entre dívidas e receitas. Ganhando a eleição, vão gerar uma economia de mais de 30% de folha salarial. O Corinthians precisa ser passado a limpo. Reestruturaremos o Corinthians. Temos um grande projeto para trazer muitas receitas. A marca é muito forte, o Corinthians é muito grande. Em dois anos estamos dobrando essas receitas

Como avalia a última gestão presidencial?

Duílio: Acho o Andrés o melhor presidente da história do Corinthians. Nesta última gestão, ele conseguiu cumprir a missão que havia assumido ao se candidatar: a de concluir o CT da base e a de fechar os acordos financeiros da Arena, viabilizando seu pagamento e tornando-a o principal ativo para que o Corinthians possa gerar grandes receitas e seguir com tranquilidade seu caminho de crescimento e conquistas. Além disso, é importante lembrar que o Corinthians tem hoje o segundo maior valor de marca das Américas e o maior da América Latina, segundo a Revista Forbes.

Essa força e todas as estruturas que foram construídas e viabilizadas (CT, CT da base, Neo Química Arena etc) devem ser aproveitadas agora para que o Corinthians seja ainda maior no futebol e em tudo que envolve o clube. Sabemos, porém, que agora é essencial ter foco total na administração do clube, de forma eficiente e com as melhores práticas de governança e gestão disponíveis no mercado.

Gobbi: O crescimento da dívida do clube em mais de meio bilhão de reais em três anos, os péssimos resultados em campo, a falta de manutenção da sede social, os números absurdos de contratações para o futebol profissional e para o sub-23 — que somadas, chegam à inacreditável conta de um jogador a cada 12 dias — e a contratação de sete técnicos, em pouco mais de dois anos e meio, para o profissional falam por si só. A gestão atual foi amadora e basicamente uma confraria de amigos, em que muitas contratações nos mais diversos departamentos foram feitas por amizade, e não por questão técnica.

Augusto: Em relação à última gestão presidencial? Desastrosa.

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