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Fãs encaram fila de 5h e apenas 10 segundos em frente a caixão de Maradona

Caixão de Diego Maradona tem bandeira da Argentina e camisas da seleção argentina e do Boca Juniors - Handout / Argentinian Presidency / AFP
Caixão de Diego Maradona tem bandeira da Argentina e camisas da seleção argentina e do Boca Juniors Imagem: Handout / Argentinian Presidency / AFP

Tales Torraga

Colaboração para o UOL em São Paulo

26/11/2020 12h54

A despedida ao ídolo Diego Maradona levou uma multidão à Casa Rosada, sede do governo argentino em Buenos Aires. Para os milhares de fãs que foram dar adeus ao ex-jogador, a espera é longa e exige muita resistência física.

De acordo com o Canal 5 Notícias, já são 2 quilômetros de fila e o tempo de espera chega a cinco horas. Ao chegar na frente do caixão, as pessoas só podem permanecer por 10 segundos.

Além disso, o clima também é um fator que complica a situação. Agora, a temperatura está na casa dos 24º C, mas o sol potencializa o calor. As máscaras, obrigatórias pela pandemia, dificultam ainda a respiração das pessoas.

A prefeitura de Buenos Aires estuda colocar postos médicos no percurso para atender rapidamente aqueles que passarem mal durante a espera.

Velório

As primeiras horas do velório foram movimentadas. A cerimônia começou às 6h com confusão e passou a ter uma multidão cantando por Maradona durante o tempo de espera na longa fila que se formou no entorno da Casa Rosada.

Logo na abertura do velório, houve um princípio de tumulto com confusão entre fãs do ex-jogador e alguns policiais na Plaza de Mayo, na frente da Casa Rosada. O jornal Olé afirmou que uma pessoa ficou ferida.

Em meio à pandemia do coronavírus, aglomerações também foram registradas, mas a situação se normalizou minutos depois. O confronto aconteceu após alguns torcedores invadirem uma área bloqueada pela polícia.

Mais tarde, os torcedores adaptaram uma música de arquibancada para homenagear o camisa 10. "Diego é um sentimento que não consigo explicar", cantaram os fãs de Maradona. A torcida também não perdeu a chance de ironizar Pelé, o maior rival do craque argentino. "Maradona é maior do que Pelé" foi outra música bastante ouvida nos arredores da Casa Rosada.

O presidente do país, Alberto Fernández, ainda apareceu para prestar tributo por volta das 11h26. Usando máscara de proteção contra o coronavírus, Fernández acenou e chegou a tirar fotos com alguns torcedores que se aglomeravam em uma área determinada pelas autoridades.

Já dentro do salão da cerimônia, o presidente se emocionou e colocou uma camisa do Argentinos Juniors, primeiro time profissional de Maradona, sobre o caixão do argentino.

Antes de Fernández colocar a camisa do Argentinos Juniors, o caixão do ex-jogador já estava coberto com uma bandeira da Argentina e duas camisas: uma do Boca Juniors, clube onde ele é ídolo, e uma da seleção nacional. Ao pé do caixão, os torcedores atiraram camisas, bandeiras e flores para Maradona.

A realização da cerimônia na Casa Rosada é considerada uma grande honraria na Argentina. A última personalidade a ser velada no local foi o ex-presidente Néstor Kirchner, em 2010.

Enterro

O corpo de Maradona será enterrado ainda hoje no cemitério Jardim da Paz, situado na periferia de Buenos Aires. O local fica no bairro de Bella Vista e é o mesmo onde estão enterrados os corpos dos pais do ex-jogador.

A família decidiu mudar a data do sepultamento - que poderia acontecer no fim da semana - nesta manhã.

Morte

Maradona morreu após sofrer uma parada cardiorrespiratória em sua residência, em Tigre, cidade vizinha de Buenos Aires. O laudo preliminar da autópsia realizada ontem (25) apontou um quadro de insuficiência cardíaca aguda. A análise definitiva será divulgada em até 48 horas.

A saúde do craque argentino já estava precária desde o início do mês, quando ele foi operado de um hematoma subdural e depois, por decisão familiar e médica, permaneceu hospitalizado devido a uma "baixa anímica, anemia e desidratação" e um quadro de abstinência devido ao vício em álcool.

O ex-jogador chegou a ter alta há duas semanas e passou seus últimos dias em casa, acompanhado de enfermeiras 24 horas por dia.

Antes dos problemas de saúde, o campeão mundial trabalhava como técnico do Gimnasia y Esgrima, de La Plata.

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