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Árbitro que validou gol de mão de Maradona relembra lance: 'Tive dúvida'

Diego Maradona em disputa de bola com o goleiro da Inglaterra Peter Shilton para marcar de mão, na Copa do Mundo de 1986 - gol "A mão de Deus" - Getty Images/Getty Images
Diego Maradona em disputa de bola com o goleiro da Inglaterra Peter Shilton para marcar de mão, na Copa do Mundo de 1986 - gol "A mão de Deus" Imagem: Getty Images/Getty Images

Do UOL, em São Paulo

26/11/2020 21h53

Em 1986, Ali Bennaceur era o primeiro tunisiano a apitar um jogo da magnitude das quartas de final da Copa do Mundo. Até então, a tarefa era reservada aos principais árbitros da Europa e da América do Sul. Quis o destino que ele cruzasse com Diego Maradona, e entrasse para a história por outros motivos.

Bennaceur foi quem validou o gol de mão do craque que abriu o placar contra a Inglaterra. A vitória por 2 a 1 - o segundo gol, também histórico, é considerado um dos mais bonitos da carreira do ex-jogador - seria o primeiro passo para a conquista do título mundial e um marco na carreira de 'El Diez'.

"Não vi a mão, mas tive uma dúvida. Dá para ver as fotos, recuei para seguir o conselho do meu auxiliar, o búlgaro Dotchev, e quando ele confirmou que era legal, validei o gol", contou Bennaceur, hoje com 76 anos, ao português 'O Jogo'.

O tunisiano revelou que na época, a orientação da Fifa era para que os árbitros seguissem a decisão dos colegas mais bem colocados. "Fiz o que tinha que fazer, mas houve confusão. Dotchev depois indicou que viu dois braços e não sabia se eram de Shilton ou de Maradona".

Aos cinco minutos do segundo tempo, Maradona subiu junto com o goleiro inglês e, segundo declarou após a partida, abriu o placar com "um pouco da cabeça e um pouco da mão de Deus".

Depois da partida, o ex-árbitro foi muito critiado pela atuação. A vitória dos ingleses na Guerra das Malvinas esquentava os ânimos dentro de campo, trazendo à tona a nacionalidade do juiz.

"Não criticaram o meu desempenho, mas o meu país, dizendo que a Tunísia é areia, deserto. 'Como dar um jogo destes a um árbitro quando eles não têm futebol'", lembrou. As críticas fizeram com que a embaixada da Tunícia pedisse um pedido de desculpas oficial.

"Quem conhece as instruções da Fifa sabe que cumpri minha missão, e estou orgulhoso de ter apitado um jogo tão importante', afirmou.

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