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Por que D'Alessandro resolveu por deixar o Inter no fim do ano

D"Alessandro disse que não seguirá no Inter após 31 de dezembro - Pérsio Ciulla/TXT Sports
D'Alessandro disse que não seguirá no Inter após 31 de dezembro Imagem: Pérsio Ciulla/TXT Sports

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

24/11/2020 04h00

D'Alessandro convocou entrevista coletiva para explicar que não renovaria seu contrato com Internacional, mas também não encerraria sua carreira. A saída ao fim do vínculo atual, em 31 de dezembro, mostra o acúmulo de insatisfações e uma ideia alimentada ao longo de 2020 pelo meia de 39 anos.

D'Ale ainda completará a temporada, mas não terá chance de acrescentar um novo título em sua coleção. Pelo Colorado, que defende desde 2008 — houve uma interrupção no empréstimo ao River Plate —, são sete títulos do Gauchão, uma Recopa, uma Copa Suruga, uma Libertadores, uma Recopa e duas Recopas Gaúchas.

"Posso estar tranquilo com o que eu fiz. Foram 12 anos no clube, sem sacanagem, respeitando todo mundo. Obviamente que uns gostaram de mim e outros não, mas senti respeito de todos. Discutir com colega com objetivo de ganhar é normal, quero ver meus companheiros brigarem por ganhar, daí a coisa vai andar. Se meu colega se conforma com empatar ou perder, aí não vamos longe. Aprendi isso com caras importantes no clube, com Bolívar, Índio, Clemer, Alex, Tinga, Magrão... Estou sendo injusto com alguém que eu vou esquecer. São caras que deixaram um legado na história do Inter", disse em sua coletiva.

Decisão pessoal, fim de ciclo

D'Alessandro afirma que seu ciclo no Inter chegou ao fim. O gringo entende que depois de 12 anos de clube é necessário sair. Mesmo que não tenha revelado uma razão específica, a conversa com a família, amigos e empresário ao longo da temporada foi importante no amadurecimento da ideia de concluir a passagem pelo Colorado.

"O primeiro passo, e mais difícil, foi decidir. Mas tomei a minha decisão, vida que segue. Vou continuar jogando futebol e não estaria em lugar melhor do que aqui. Mas chegou o momento de dar fim a uma história. Muitos já passaram pelo Inter e também vou passar. O mais importante é o clube, isso é mais importante que qualquer pessoa, dirigente ou atleta. O clube", disse D'Ale.

Eterno responsável por tudo

Perto do fim de sua entrevista, D'Alessandro admitiu que levou em conta uma rotina com a qual convive no Inter. Ele sempre é o mais cobrado nos momentos de pressão. Seja para justificar tropeços ou defender o grupo, em momentos de troca de comando ou eliminações, D'Ale carrega cobrança maior e serve, muitas vezes, de escudo para o restante dos jogadores. São responsabilidades com as quais dificilmente irá lidar, imediatamente, no clube que defenderá a partir de janeiro.

Queria jogar mais

Em certo momento de sua manifestação, D'Alessandro disse que gostaria de jogar mais quando Eduardo Coudet era o técnico. O argentino chegou a sobrar até do time reserva. Adiante, elogiou Abel Braga e Odair Hellmann, com quem atuou mais. Disse que o atual técnico do Fluminense foi quem melhor "entendeu seu momento". Nas palavras, ainda que não diga diretamente, D'Ale deixou claro que queria garantias de que seria utilizado. Entende que ainda tem futebol para jogar em alto nível, seja o tempo que for. E no Inter carregaria o que já carrega hoje, a cobrança por ser o mesmo de anos atrás.

Não teve a ver com a saída de Coudet

D'Alessandro explicou que a decisão de deixar o clube no fim do ano não está relacionada à saída de Eduardo Coudet — seu amigo pessoal e que aceitou oferta para treinar o Celta de Vigo. O gringo falou que a decisão estava tomada, mesmo que o técnico tivesse permanecido no comando.

"A saída dele [Coudet] foi ruim para o grupo. Não tem como não ter um momento de instabilidade ou desorganização. Vai embora um treinador que tinha conseguido com que o grupo alcançasse resultados dentro de campo. Mas a vida segue e sempre foram respeitadas as escolhas dele. A decisão de não renovar com Inter foi minha, decidi com minha família, não teve nenhuma relação com a saída dele. Se ele estivesse aqui, teria sido a mesma coisa, a decisão já estava praticamente tomada quando ele optou por sair", explicou.

Momento político conturbado, torcida dividida

Pesou na avaliação de D'Alessandro o momento político do Inter. Não apenas o processo eleitoral, do qual está bem informado e ciente, mas a divisão entre os próprios torcedores. D'Ale citou um comentário de um conselheiro em rede social, atacou influencers e jornalistas, mostrando que o ambiente criado no entorno do clube o desagrada, e foi presente na decisão de não permanecer.

"Já vivi seis anos políticos no clube, sempre aparecem os menos colorados para bater, criticar, não ajudar, criar tumulto, para colocar aqui dentro problemas que não temos e nunca tivemos. Mas sempre tentei não passar da linha, sempre fui mais um funcionário do clube. Nunca briguei nem discuti com diretor. Sempre apenas expus minhas ideias porque isso faz parte do dia a dia e irá acontecer sempre. O clube tem que ser mais respeitado, não é qualquer um que pode pegar microfone e sair falando mal do clube. Tomara que isso mude", disse.

"Não tem momento ideal para fazer um anúncio desses"

Questionado sobre a hora de oficializar que não permaneceria, prestes ao duelo com o Boca Juniors, com o Inter vivendo um ambiente político complicado e queda de desempenho e resultados em campo, D'Alessandro falou que não haveria um momento ideal para tornar pública sua decisão.

"Eu pensei nisso. Nunca tem um momento ideal para fazer um anúncio desses. Pelo menos para mim. A gente imagina e não quer que chegue nunca. Mas a hora chegou, a vida é assim. Nossa vida útil é assim", sentenciou.

"Eu achei que seria melhor anunciar agora, poderia ser pior depois. Daí tem os jogos com o Boca... A partir de agora se cria uma outra situação. Em 31 de dezembro, eu estarei livre e preciso saber para onde irei. Sem tirar o foco dos jogos, mas preciso saber o que farei da minha vida no ano que vem", completou.

Jogo de despedida, retorno e trabalho para empresário

Ainda que esteja encerrando seu ciclo no Inter, D'Alessandro cogita voltar, fazer um jogo de despedida para poder encerrar a carreira abraçado pela torcida com a qual tem uma relação tão importante. Antes, porém, dará trabalho a seu empresário, Matías Aldao.

"Jogo de despedida é um pensamento que externei agora. Eu gostaria. Sempre expus minha vontade de encerrar carreira no Inter ou no River. Sempre falei a mesma coisa. Um me lançou para o futebol e outro fez com que minha carreira melhorasse 500%. Então, tenho essa vontade. Não sei por quanto tempo jogarei depois de janeiro, não sei onde vou jogar. Por isso eu digo que se abrem outras possibilidades. Agora, vou dar trabalho para o meu empresário, que não trabalha há algum tempo, né, são 12 anos aqui. Estava muito fácil para ele. Neste jogo [de adeus], se Deus quiser, voltarei. Se me deixarem, claro. Entrarei em campo para me despedir da torcida no Beira-Rio, seria um sonho", finalizou.

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