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Liga dos Campeões - 2020/2021

"Jogo da vida": como PSG x RB Leipzig pode influenciar o futuro de Neymar

Neymar durante jogo entre PSG e Monaco pelo Campeonato Francês 2020/2021 - Valery HACHE / AFP
Neymar durante jogo entre PSG e Monaco pelo Campeonato Francês 2020/2021 Imagem: Valery HACHE / AFP

João Henrique Marques

Colaboração para o UOL, em Paris (França)

24/11/2020 04h00

Classificação e Jogos

Quando insistiu com a ideia de deixar o Paris Saint-Germain para voltar ao Barcelona em 2019, Neymar não acreditava no sucesso esportivo do clube francês. A confiança foi retomada com a chegada à final da Liga dos Campeões na temporada passada, mas não foi o suficiente para uma renovação contratual. O vínculo até junho de 2022 permanece intacto, e os planos para o futuro passam pela série de jogos decisivos do PSG, que começa hoje (24), diante do RB Leipzig, às 17h (de Brasília), no Parque dos Príncipes.

Em postagem em sua conta no Instagram, Neymar chama o duelo pela Liga dos Campeões de "jogo da vida". Uma derrota deixa o PSG praticamente eliminado na fase de grupos da competição e sem o trunfo desejado pela diretoria para renovar com o brasileiro — que seria a possibilidade de avançar longe no torneio, novamente. Os confrontos seguintes na competição, contra Manchester United e Istanbul Basaksehir, também já têm o mesmo peso.

"Feliz em voltar e triste pelo resultado...mas faz parte, bora recuperar a energia, que terça é o jogo da vida", escreveu o jogador, após a derrota por 3 a 2 para o Monaco, na última sexta-feira (20), pelo Campeonato Francês. Foi sua primeira partida depois de sentir uma lesão em 28 de outubro, em confronto com o time tuco, pela Champions.

O clube francês está hoje fora da zona de classificação às oitavas de final, restando três jogos para o encerramento da fase de grupos. Os líderes do Grupo H são Manchester United e Leipzig, com seis pontos cada. O PSG divide a terceira colocação com o Basaksehir, com três pontos. É uma situação que devolve a negociação com Neymar à mesa, muito antes do que a diretoria chefiada por Leonardo esperava.

Por que não renova?

Neymar não aceita uma renovação imediata com o PSG, com receio de arrependimento. O clube francês tem fama de "prisão de ouro" no mercado, fazendo jogo duro, com a tendência de segurar os jogadores até o fim do contrato. O camisa 10 já viveu essa experiência em 2019, aliás, quando ocorreu o flerte para regressar ao Barcelona. Se essa postura do clube for mantida, a confiança do entorno do brasileiro é de que, aos 30 anos em junho de 2022, receberá propostas de milionárias de vários clubes de ponta.

Após período turbulento nos bastidores com Neymar, o PSG já esteve perto da renovação desejada. Na cidade de Lisboa, palco das finais da Liga dos Campeões da temporada passada, o presidente do clube, Nasser Al-Khelaif, teve jantares com o Neymar da Silva Santos, pai e empresário do camisa 10, em que a ampliação do vínculo até 2024 foi discutida. O jogador, no entanto, ainda prefere esperar.

No PSG, Neymar planejou ser o melhor jogador do mundo conquistando a inédita Liga dos Campeões ao clube. Ser eliminado na fase de grupos deixaria o objetivo inviável em seu quarto ano de contrato. Pior: um revés desse tamanho passaria ainda uma sensação de final de temporada já em novembro, seis meses antecipado. O Campeonato Francês é conquista simples, e a disputa na Liga Europa não serve para abrilhantar a carreira de um craque com o status do brasileiro.

Pacientemente, o PSG evita pressionar Neymar pela renovação, mas confia no sucesso dentro de campo do time. A estratégia adotada é a de aproveitar o bom ambiente no vestiário e a confiança do brasileiro, e, enquanto isso, encorpar o caixa para bonificações e um aumento tanto para ele como para Mbappé, que tem vínculo com a mesma data de vencimento. Por conta disso, Thiago Silva e Cavani, que tinham o terceiro e quarto maiores salários do clube, foram descartados.

Ao deixar Lisboa com a derrota na final para o Bayern de Munique, o PSG imaginava ali ter encontrado o caminho para o sucesso. Um risco de eliminação na fase de grupos na edição seguinte da Liga era algo impensável, mas virou uma possibilidade após duas derrotas por 2 a 1 para o Manchester United e Leipzig.

Neymar no sacrifício

Recuperado de lesão na coxa esquerda, Neymar teve somente 30 minutos em campo na derrota para o Monaco. O jogo foi usado como uma tentativa da comissão técnica para dar ao brasileiro, ao menos, um pouco de ritmo de jogo, já visando o confronto decisivo contra o Leipzig.

"Ele não está na melhor capacidade possível, isso é claro. Eu espero que não seja cedo para ele voltar a jogar um jogo com essa intensidade, pois precisamos dele. É nosso jogador chave", disse o treinador do PSG, Thomas Tuchel, à véspera da partida contra o Leipzig.

Para ter Neymar contra o Leipzig, o PSG ficou satisfeito com o corte do atacante da seleção brasileiro há dez dias. O camisa 10 foi ausência nas vitórias por 1 a 0 contra Venezuela e 2 a 0 diante do Uruguai, pelas Eliminatórias Sul-Americanas à Copa de 2022, e ainda ganhou moral no clube por retornar a Paris no final de semana para finalizar o tratamento da lesão.

Antes de encarar o Monaco, o camisa 10 fez apenas um treinamento coletivo com o time e contou com liberação médica para jogar apenas na véspera da partida.

Atuar os 90 minutos contra o Leipzig passou a ser o foco de Neymar desde que o time perdeu o confronto na Alemanha por 2 a 1, no dia 4 deste mês. Na partida, ele e Mbappé estiveram ausente por conta de lesões. Nesta terça-feira, o "jogo da vida" do brasileiro ainda não será com a força máxima do PSG por conta da ausência de Icardi (machucado). No entanto, uma mudança tática para tornar o time mais ofensivo deverá ser realizada.

"Precisamos nos doar ao máximo. Tem uma possibilidade ter quatro [jogadores] na frente [Kean ou Icardi, Mbappe, Neymar, Di Maria]. Quero mais coragem para marcar do que medo de sofrer gols", destacou Tuchel.