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Dedo na ferida: Oito vezes em que Richarlison se posicionou sobre polêmicas

Richarlison ajoelha-se em apoio ao movimento Black Lives Matter antes da partida entre o Everton e Leicester - Jon Super/Pool via Getty Images
Richarlison ajoelha-se em apoio ao movimento Black Lives Matter antes da partida entre o Everton e Leicester Imagem: Jon Super/Pool via Getty Images

Do UOL, em São Paulo

18/11/2020 17h03

Richarlison não tem medo de polêmica. O atacante do Everton e da seleção brasileira é um dos poucos atletas na atualidade dispostos a colocar o dedo em feridas que fogem ao mundo do futebol - do apagão no Amapá à violência contra mulher, da morte de George Floyd e o racismo à covid-19 e as queimadas no Pantanal. Nas redes sociais, ele é apontado por torcedores como 'necessário'.

O atleta é o embaixador da USP na campanha de conscientização sobre a covid-19. O apoio foi divulgado ainda no início do período de isolamento no Brasil, em março.

Depois da vitória da seleção brasileira ontem (17) diante do Uruguai, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2022, ele usou os microfones para lembrar que os quase 800 mil habitantes do Amapá estão sem luz elétrica há 10 dias. "Infelizmente o povo do Amapá não vai poder ver meu gol hoje porque não tem luz há DUAS SEMANAS. Estão vivendo dias muito difíceis e espero que resolvam isso logo. Queria dedicar o gol e a vitória de hoje a todos os amapaenses", escreveu.

As queimadas do Pantanal também foram lembradas pelo jogador, nascido no interior do Espírito Santo. Além de periodicamente abordar o assunto no Twitter, ele dedicou espaço na coluna publicada sobre sua trajetória no site 'The Players Tribune' para pedir ajuda para a região.

"Quero falar de algo muito importante para mim e que deveria importar para você também. Estou muito triste e preocupado com o que está acontecendo no Pantanal", escreve. "(...) Olha, não sou político. Não consigo interromper as queimadas sozinho. Mas como jogador da Seleção Brasileira e do Everton, posso ao menos mostrar às pessoas o que está acontecendo. Por isso, postei algumas fotos nas minhas redes sociais em demonstração de apoio ao Pantanal. Não queria apenas me solidarizar com o problema. Era para chamar a atenção das autoridades".

O caso de Mariana Ferrer, estuprada em uma casa noturna de Florianópolis não foi deixado de lado. Ela acusa o empresário André Aranha, influente do ramo do futebol. Mesmo após a apresentação de provas, ele foi absolvido pela Justiça. Richarlison endossou a hashtag #justicapormariferrer, compartilhada milhares de vezes após a sentença.

Quando a prisão do motorista Robson completou um ano, ele cobrou justiça as autoridades. "Um brasileiro em apuros na Rússia. Robson Oliveira está preso em Kashira, na Rússia, há mais de um ano por um crime que não cometeu".

Robson era funcionário de Fernando, jogador do Spartak Moscou à época, e desembarcou na Rússia portando Mytedom 10mg, medicação proibida na Russia. Utilizado contra dores fortes, o remédio era para o sogro de Fernando, mas Robson foi responsabilizado e preso.

A morte de George Floyd, sufocado por policiais brancos nos Estados Unidos, e do menino João Pedro, assassinado pela polícia no Rio de Janeiro durante uma ação na Baixada Fluminense, levaram Richarlison a discutir o racismo. Em entrevista a revista à revista 'Placar', ele foi direto e não mediu palavras.

"O racismo é um assunto que nós, que viemos da favela, estamos acostumados. Sempre fui tratado de forma diferente. Acompanhei o caso da morte do João Pedro, no qual a polícia deu mais de setenta tiros em sua casa. Poderia ser comigo. Lá atrás, convivi com tiroteios e fui até confundido com traficante. É triste. Lá atrás, convivi com tiroteios e fui até confundido com traficante. (...) Também acompanhei o caso dos Estados Unidos. As pessoas que estão nas ruas estão no direito delas de protestar e pedir justiça. Se estivesse lá, faria o mesmo."

Quando Richarlison declarou torcida para Felipe Prior, do 'BBB20', e as acusações de violência contra mulher vieram a tona, ele se retratou imediatamente. "Fala, pessoal! Eu não sou juiz, mas também não passo pano pra ninguém. Violência contra a mulher é abominável, não importa quem cometeu e nem porquê, não existe motivo no mundo pra que isso aconteça. Aprendi isso desde cedo", escreveu.

"Se isso que foi dito sobre o Prior na matéria se confirmar, na humildade, peço desculpas e retiro o apoio que dei a ele nessa última semana no jogo, ainda que não soubesse dessas acusações, igual a todos vocês. Espero que tudo se esclareça logo! Fiquem bem! É noix", completou.

Além do posicionamento em questões pontuais, Richarlison também é famoso por suas ações de caridade. Ele ganhou o prêmio Community Champion, da Associação de Jogadores Profissionais da Inglaterra (PFA), pelos trabalhos beneficentes que realiza. Não é incomum que ele compartilhe campanhas de arrecadação nas suas redes sociais.

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