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Marcos Braz aproveita 'onda de títulos' no Fla e tem 6ª maior votação no RJ

Marcos Braz, vice de futebol do Flamengo, foi o sexte vereador mais votado no Rio de Janeiro - Reprodução
Marcos Braz, vice de futebol do Flamengo, foi o sexte vereador mais votado no Rio de Janeiro Imagem: Reprodução

Bernardo Gentile

Do UOL, no Rio de Janeiro

16/11/2020 12h00

O trabalho desempenhado à frente do Flamengo, principalmente em 2019, trouxe bons frutos para o vice-presidente de futebol Marcos Braz. O cartola aproveitou a 'onda de títulos' na última temporada e viu sua popularidade entre os torcedores atingir níveis altíssimos. E tudo isso foi comprovado nas urnas deste domingo (15).

Diante da clara divisão entre progressistas e conservadores, Marcos Braz conseguiu se inserir como uma figura alternativa. Posicionado mais ao centro, o PL (Partido Liberal) mostrou ter acertado na escolha. Tanto que o cartola do Flamengo terminou eleito como o sexto vereador mais votado no Rio de Janeiro. Ele recebeu 40.938 votos e ficou atrás apenas de Tarcísio Motta (PSOL), Carlos Bolsonaro (Republicanos), Cesar Maia (DEM), Gabriel Monteiro (PSD) e Chico Alencar (PSOL).

Pois esse posicionamento "alternativo" do candidato, segundo o espectro da política do Rio, foi resolvido da forma mais simples. Toda a campanha de Marcos Braz para vereador teve ligação com o Flamengo, time de maior torcida do Brasil. Por exemplo, o dirigente ganhou elogio dos torcedores por se mostrar frio nas negociações, mesmo as mais complicadas. "Gelo no sangue", diziam os rubro-negros. E ele fez jus à expressão ao confirmar sua candidatura apenas um mês antes da eleição.

Nem mesmo a instabilidade do time em campo atrapalhou os planos de Marcos Braz. Ele, por exemplo, teve que administrar duas goleadas sofridas nas últimas semanas e que culminaram na demissão de Domènec Torrent. Rogério Ceni foi contratado, mas acumula uma derrota e um empate nos primeiros dois jogos. Mesmo com a fase ruim, a imagem do cartola segue inabalada.

braz - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Marcos Braz adotou o vermelho e preto na identidade visual dos materiais publicitários. Além disso, fez alusão ao currículo como dirigente e adotou o jingle "Esse é vencedor". Ele faz questão de garantir à torcida que, mesmo que conquiste uma cadeira na Câmara Municipal, pretende permanecer no cargo esportivo.

"Eu só saio do Flamengo demitido ou campeão do mundo. O trabalho vai continuar normalmente com muito carinho, com muito respeito sempre. Vamos nos dois. Pode ficar tranquilo que eu vou fazer os dois. Dá para fazer normalmente, é no Rio de Janeiro, não é viagem, não tem horário de jogo duas, três da tarde. Estou muito tranquilo quanto a isso", disse em coletiva.

Braz não é necessariamente um novato na política municipal. Foi secretário de Esporte e Lazer em 2012 na gestão de Eduardo Paes, que hoje está no segundo turno da eleição a prefeito, pelo DEM, contra Marcelo Crivella (Republicanos), atual mandatário. Também já havia se candidatado a vereador pelo PSB, mas não se elegeu. Amigo do senador Romário (Podemos-RJ), ele tem registros em suas redes sociais de encontros com o presidente Jair Bolsonaro e o vice Hamilton Mourão (PRTB-RJ), que é torcedor do Flamengo.

Bandeira e Fred Luz fracassam

Marcos Braz não foi o único com ligação ao Flamengo a concorrer a um cargo político. O ex-presidente Eduardo Bandeira de Mello (Rede) e o ex-diretor executivo Fred Luz (Novo) concorreram à prefeitura do Rio de Janeiro, mas tiveram desempenho pífio. O antecessor de Rodolfo Landim no comando da Gávea terminou a eleição com 65.296 votos (2,48%), na oitava posição. Luz veio logo atrás, com 46.246 votos (1,76%). Eduardo Paes liderou a votação com 974.804 menções (37,01%).

Vale lembrar que Bandeira já havia concorrido a deputado federal em 2018, mas também não foi eleito. Ele é apontado pelo Ministério Público como um dos responsáveis pelo incêndio que matou 10 jogadores da base do Flamengo no ano passado, mas ainda não foi processado.

Rio tem histórico de eleger cartolas

Eleger cartolas em cargos públicos é uma característica do carioca. Marcos Braz apenas engordou a lista, que já conta com nomes de peso. Nos anos 80, Márcio Braga se elegeu deputado federal depois de conquistar o tricampeonato carioca e o Campeonato Brasileiro como presidente do Flamengo.

O Vasco também não fica atrás. Eurico Miranda teve dois mandatos no Congresso com tamanha popularidade criada entre os torcedores como dirigente. Prova disso é que adotou uma simples promessa de campanha: "Quero ajudar o Vasco da Gama".

Em 2010 foi a vez do ídolo e ex-jogador Roberto Dinamite ser eleito para o último de seus cinco mandatos como deputado estadual. Na época ele era o presidente do clube.

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