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Sem Sánchez, Santos revê problema na criação; veja 13 tentativas frustradas

Lucas Lima reage a chance perdida durante jogo entre Santos e Vitória, em 2017 - Ale Cabral/AGIF
Lucas Lima reage a chance perdida durante jogo entre Santos e Vitória, em 2017 Imagem: Ale Cabral/AGIF

Eder Traskini

Colaboração para o UOL, em Santos

27/10/2020 04h00

O Santos parece preso há anos em um círculo vicioso em uma posição específica do time: a armação de jogadas. A função do antigo 'camisa 10', no jargão do futebol, não encontra um dono desde Lucas Lima, hoje no rival Palmeiras. O uruguaio Sánchez, apesar de não ter como origem essa característica, cumpriu bem o papel no ano passado, mas sua lesão faz o fantasma voltar a assombrar a Vila Belmiro.

Lucas Lima se destacou no Peixe até 2017 e chegou à seleção brasileira. Em fim de contrato, fez jogo duro para renovar e acertou com o rival Palmeiras — onde nunca teve o mesmo destaque. De lá pra cá, pelo menos 13 atletas tentaram, em vão, ocupar tal vaga no Alvinegro praiano.

Hoje, após a grave lesão de Sánchez, que rompeu o ligamento cruzado do joelho e só deve voltar na próxima temporada, o Peixe não tem ninguém que diga "pronto, sou eu" e chame tal responsabilidade, como explicou Cuca em entrevista coletiva.

"Eu tenho tentado com o Arthur Gomes, Lucas Lourenço, Jean Mota... Com todos os meias que eu tenho tentado, a gente não teve aquele meia que diz "pronto, sou eu". Precisamos continuar insistindo até que o momento chegue"

Para acabar com tal problema na criação de jogadas, o Santos já tentou de tudo ao longo dos últimos anos: subiu jovens de potencial da base, buscou apostas que vinham se destacando em outros clubes, investiu pesado em atletas de nome e até mesmo buscou estrangeiros veteranos para a função.

Relembre algumas das tentativas do Peixe para substituir Lucas Lima tanto durante sua passagem quanto após sua saída:

Serginho

Campeão da Copa São Paulo de Juniores, em 2014, Serginho subiu com expectativa alta. Com Lucas Lima ainda brilhando como titular, Serginho era uma aposta para médio prazo. No entanto, ele nunca conseguiu se firmar na equipe, empilhou empréstimos até se destacar no América-MG e ter os direitor econômicos vendidos para o Japão.

Léo Cittadini

Léo Cittadini pelo Santos - Ivan Storti/Santos  - Ivan Storti/Santos
Imagem: Ivan Storti/Santos

Outro campeão da Copinha, em 2013, Cittadini também foi alçado ao time principal cercado de expectativa. Teve poucas oportunidades e foi emprestado para a Ponte Preta no ano seguinte. De volta, começou a ganhar espaço atuando um pouco mais recuado com Dorival Júnior, em 2016, mas foi atrapalhado por pequenas lesões que evitavam uma sequência maior. Não renovou o vínculo e acertou com o Athletico-PR no ano passado.

Rafael Longuine

Eleito revelação do Paulistão em 2015, atuando pelo Osasco Audax do técnico Fernando Diniz, Longuine foi disputado por vários clubes e acertou com o Peixe. Ficou no Santos até 2017 e nunca se firmou. Desde então, acumula empréstimos: Coritiba, Guarani, Ponte Preta e CRB. No Bugre e na equipe de Alagoas, o meia se destacou.

Cristian Ledesma

Ledesma em treino no Santos - Divulgação/Santos FC - Divulgação/Santos FC
Imagem: Divulgação/Santos FC

Ledesma chegou ao Santos em 2015 cercado de expectativa pela carreira toda construída na Itália. O argentino, no entanto, fracassou no Santos. Foram apenas quatro jogos antes de se despedir rumo ao futebol grego.

Vitor Bueno

Vitor Bueno comemora gol pelo Santos - Marcello Zambrana/AGIF - Marcello Zambrana/AGIF
Imagem: Marcello Zambrana/AGIF

Talvez o jogador que teve o melhor desempenho na função, Vitor Bueno se destacou no Botafogo-SP e acertou com o Peixe em 2015, ainda por empréstimo e para a equipe B. O bom desempenho nos treinos fez Dorival Júnior promovê-lo. O meia teve uma grande temporada no ano seguinte e também atuou em 2017, quando acabou rompendo o ligamento cruzado do joelho. Em baixa, foi emprestado ao Dínamo de Kiev em troca por Derlis González, mas retornou ao Brasil para jogar no São Paulo — acertou permanência em definitivo no Morumbi, no início do ano, ao ser trocado por Raniel.

Jean Mota

O melhor jogador do Paulistão de 2019, Jean Mota está no Santos desde 2016, quando se destacou no Fortaleza e foi contratado pelo Peixe. No entanto, com exceção da competição citada, Jean nunca caiu nas graças da torcida. Ele já atuou como lateral esquerdo, segundo volante, meia esquerda e meia de criação. Está sempre envolvido em especulações de transferência, mas segue na Vila e já soma 187 jogos.

Emiliano Vecchio

O argentino teve seus defensores durante os três anos em que atuou pelo Peixe, entre 2016 e 2018. Revelado pelo Rosário Central, Vecchio estava no futebol do Qatar. Somou pouco mais de 40 jogos e fez apenas um gol com a camisa santista.

Diogo Vitor

O Menino da Vila que acumulou problemas disciplinares fez sua estreia profissional pelo Santos em 2016. Após sumiços e voltas, ele se destacou no Brasileirão de Aspirantes no ano seguinte e foi chamado por Jair Ventura em 2018. Foram oito jogos e algum potencial demonstrado antes de ele ser pego em exame antidoping por uso de cocaína e não voltar mais a atuar pelo clube.

Ronaldo Mendes

Ronaldo Mendes comemora gol pelo Santos - Ivan Storti/ Santos FC - Ivan Storti/ Santos FC
Imagem: Ivan Storti/ Santos FC

Um dos meias que ganhou mais espaço em menos tempo, Ronaldo Mendes chegou ao clube em 2016 após destaque pelo Penapolense no Paulistão do ano anterior. Disputou o Estadual de 2016 e foi importante na conquista. No total, fez apenas 12 jogos com a camisa do Santos e foi vendido para os Emirados Árabes.

Gabriel Calabres

Subiu ao profissional após ser destaque na Copinha de 2018. Não convenceu nos treinamentos e teve poucos minutos na equipe profissional. Assinou com o Cianorte e está emprestado ao Botafogo-SP.

Bryan Ruiz

Bryan Ruiz apresentado no Santos - Ivan Storti/Santos FC - Ivan Storti/Santos FC
Imagem: Ivan Storti/Santos FC

Contratado com pompa após disputar a Copa do Mundo de 2018 com a Costa Rica, Bryan Ruiz foi apresentado como o camisa 10 que solucionaria os problemas de criação do time. Na prática, foram apenas 13 jogos e um grande problema para romper o contrato do jogador que ficou afastado e recebendo salário durante toda a temporada de 2019.

Cueva

Outro contratado a peso de ouro e que gerou mais problemas do que soluções. Cueva chegou por cerca de R$ 26 milhões "pagos" ao Krasnodar (RUS). Foram 16 jogos, muitos problemas extracampo e uma rescisão contratual que até hoje é alvo de disputa na Fifa. O peruano "sumiu" do Santos e se apresentou ao Pachuca (MEX). Os três clubes estão envolvidos no processo na entidade máxima do futebol e o pagamento aos russos está, por enquanto, suspenso.

Evandro

Evandro comemora gol com Sánchez no Santos - Fernanda Luz/AGIF - Fernanda Luz/AGIF
Imagem: Fernanda Luz/AGIF

Já considerado "sócio de Sánchez" no meio-campo, Evandro foi descartado pelo Santos durante o período de paralisação do futebol por conta da pandemia. Pouco utilizado pelo treinador português Jesualdo Ferreira, o atleta viu seu contrato se encerrar na metade desta temporada e, em desacordo com o estafe do jogador, o Peixe optou por não renovar contrato. Evandro entrou em campo 23 vezes e fez um gol, sendo um dos mais elogiados na criação em 2019.

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