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Léo Pelé relembra racismo na infância: "maior vergonha da minha vida"

Léo Pelé relembrou o início da carreira em entrevista  - Ale Cabral/Agif
Léo Pelé relembrou o início da carreira em entrevista Imagem: Ale Cabral/Agif

Do UOL, em São Paulo

21/10/2020 22h42

Léo Pelé saiu de casa cedo para tentar o sonho de virar jogador de futebol. Depois de superar muitas dificuldades, o zagueiro revelou em entrevista ao canal oficial do São Paulo no Youtube a única coisa que o fez pensar em desistir da carreira: o racismo.

Ainda adolescente, Léo conta que foi abordado e expulso de um shopping pela sua cor, após um segurança questionar se ele estava lá para "pedir dinheiro". "Ele me ofendeu. Eu era menino, saí pensando o que estava fazendo ali. Eu não mereço isso. Foi a pior vergonha da minha vida", relembra.

O jogador de 24 anos se posicionou contra o preconceito racial, e pediu para que os torcedores também se engajem na luta contra o racismo. "Eu sou negro e tenho que defender o que sou. E tenho orgulho de ser negro", diz. "Espero que as pessoas abracem a causa contra o racismo".

Infância difícil

Carioca, Leo deixou a casa dos pais, onde vivia com seis irmãos, com apenas 10 anos, rumo a Santos, no litoral de São Paulo. O irmão, Renato, era quem ajudava com o dinheiro para as passagens de ônibus. "Renato cortava cabelo a R$ 2, R$ 3, na época, e me dava. Foi quem mais se preocupou e abriu o coração para que eu pudesse realizar meu sonho".

Em casa, muitas vezes faltava o básico, e quando surgiu a oportunidade de buscar o sonho, ele não titubeou. O pai não quis que ele viajasse, mas o garoto já sabia o que queria. "Eu falei: 'pai, eu vou mudar a história da nossa família'", e embarcou no ônibus.

Encontro com o Rei

Em Santos, Léo jogou na escolinha do Pelé, e teve um baita primeiro encontro com o Rei. "Fiquei em pé na sala, com aquela cara de envergonhado. Entra o Rei. Ele olha e diz: 'não é possível, esse menino é meu filho!'', relembra. "Foi legal demais".

Para o zagueiro, atuar pelo São Paulo é um sonho realizado."O São Paulo foi uma escolha pessoal, sempre lutei, treinei muito para isso. Esperei quase dois anos pela minha vez. Você entra por aquele portão, é o São Paulo, um sonho para mim. Valeu a pena. Agora, só coisas boas."

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