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Por que novo posicionamento promete fazer Firmino mais goleador na seleção

Em jejum de seis jogos na Inglaterra, brasileiro fez dois gols na estreia das Eliminatórias - Miguel Schincariol
Em jejum de seis jogos na Inglaterra, brasileiro fez dois gols na estreia das Eliminatórias Imagem: Miguel Schincariol

Gabriel Carneiro

Do UOL, em São Paulo

11/10/2020 04h00

Roberto Firmino enfrenta um jejum de seis jogos seguidos sem balançar as redes pelo Liverpool. Para ampliar a estatística: tem somente um gol marcado nos últimos 14 jogos, desde a eliminação da equipe nas oitavas de final da Liga dos Campeões 2019/2020. Foi diante deste cenário que ele se apresentou à seleção brasileira para as duas primeiras rodadas das Eliminatórias para a Copa do Mundo.

Na estreia, fez dois gols.

Escalado como titular contra a Bolívia na sexta-feira (9), o camisa 20 da seleção esbanjou eficiência, pois concluiu a gol as duas únicas oportunidades que teve na construção da goleada por 5 a 0. Ele foi posicionado pelo técnico Tite diferentemente do que acontece no Liverpool e também o que foi até agora em boa parte dos 45 jogos pela própria seleção.

Firmino jogou no que Tite chama de "última linha" com a orientação para ficar mais plantado na área adversária e não saindo de lá para buscar a bola ou brigar pela posse. A ideia é que a circulação de bola dos outros homens de ataque vise encontrá-lo bem posicionado para marcar, finalizar a última bola. "Ele fez dois e poderia ter feito outros dois", concluiu Tite, que considera o atacante seu jogador "terminal".

Firmino - Lucas Figueiredo/CBF - Lucas Figueiredo/CBF
Atacante de 29 anos tem 14 gols pela seleção brasileira, 11 sob o comando de Tite
Imagem: Lucas Figueiredo/CBF

No Liverpool, o atacante está presente em mais lugares do campo, não é um centroavante tradicional. Sua influência no sistema de jogo de Jurgen Klopp não se limita à área, a ideia é que ele parta de fora para dentro dela com um jogo de tabelas e associações que estimula também a produtividade dos companheiros. Assim, tem menos chances de concluir as jogadas: foram apenas seis finalizações em quatro jogos da Premier League 2020/2021, três no alvo.

No Liverpool, como "falso 9" ou até como meio-campista, é comum que ele deixe a referência vazia para abrir espaços. Na seleção, o modelo de jogo não prevê essa situação como regra. Para usar outro termo de Tite, Firmino não é arco, é flecha. Por isso, vai finalizar mais, dar passes mais decisivos e, consequentemente, fazer mais gols.

Mesmo assim, ele diz que gosta de estar "envolvido" no jogo, como é no Liverpool: "Eu gosto de estar perto da área também, faço função no Liverpool de voltar um pouco mais, mas gosto de ajudar com assistências e gols, quero estar sempre envolvido, me doando ao máximo para conseguirmos as vitórias, dar meu melhor sempre."

Por mais que não seja uma cobrança direta de Tite e de sua comissão técnica, o futebol brasileiro tem grande tradição de camisas 9 goleadores. Romário, Ronaldo e mais recentemente Luis Fabiano são só alguns exemplos de uma longa história. Com Tite, o maior artilheiro é Gabriel Jesus, com 18 gols. Firmino chegou a 11 na sexta-feira em 14 marcados em 45 jogos no total. Uma média ainda baixa, que tende a melhorar se o modelo de jogo de Tite se perpetuar.

Enquanto isso, Firmino diz que se sente no melhor momento da carreira: "Muito feliz e grato a Deus por ter completado 500 jogos e uma trajetória linda que venho vivendo, meu melhor momento aos 29 anos. Não parece, mas tenho 29 (risos). Estou muito feliz e espero que possa dar seguimento no trabalho e continuar conquistando títulos e deixando meu legado no futebol."

O legado de Roberto Firmino agora pode passar por mais gols marcados pela seleção. Se tudo der certo.