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Locutor do Allianz superou censura para virar inspiração antes de título

Marcos Costi, locutor do Allianz Parque - Arquivo Pessoal
Marcos Costi, locutor do Allianz Parque Imagem: Arquivo Pessoal

Beatriz Cesarini

Do UOL, em São Paulo

15/08/2020 04h00

O Palmeiras entra em campo hoje, às 21h30 (de Brasília), para enfrentar o Goiás no Allianz Parque, pelo Brasileirão, e Marcos Costi estará lá, pronto para cobrir o duelo. Locutor da Arena desde a inauguração em 2014, o jornalista de 38 anos caiu nas graças dos palmeirenses com seu jeito único de levar as informações à arquibancada e incentivar o torcedor. Tal 'empurrão' já chegou a ser questionado anos atrás, mas hoje o comunicador vibrou ao ver seu bordão na voz de Luxemburgo antes da final do Paulistão, que rendeu o título sobre o Corinthians.

"Eu me senti muito feliz, bem lisonjeado, com o Luxemburgo usando o meu bordão na preleção da final contra o Corinthians. É uma coisa que eu penso e digo lá na hora, justamente para marcar os momentos mesmo, para marcar conquista, campeonato, algo feliz para o Palmeiras. Eu fico feliz que as pessoas acabam adquirindo essas falas para determinados momentos marcantes", declarou Marcos ao UOL Esporte.

Antes do confronto que rendeu o título paulista ao Palmeiras, Luxemburgo citou a frase "Aqui na minha casa mando eu" durante a preleção aos jogadores palmeirenses. É um bordão de Marcos, entoado pela primeira vez antes da decisão entre o Alviverde e Corinthians no Estadual de 2018.

Marcos vem se destacando, justamente porque colocou em evidência o papel do locutor de estádio. Torcedor "privilegiado", o paulistano nascido no bairro do Brás (região central de São Paulo) vibra quando vai falar sobre o Palmeiras e coloca um tom mais sóbrio quando informa sobre o time adversário de todos os jogos. Ele também incentiva os torcedores antes e depois das partidas.

"Eu ia com meu pai aos jogos e não tinha celular antigamente. Meu pai sempre foi com o rádio e peguei essa mania com ele de ouvir escalação por lá. E teve um locutor na época, o Clóvis Sachetti, que começou a fazer esse negócio de mexer com a torcida, chamar as organizadas antes do jogo... Aquilo me marcou. Achei que isso poderia ser algo fixo. Durante o jogo era algo muito frio, formal. Eu sempre pensei: Por que durante o jogo não pode ser um pouco diferente?", disse Marcos.

Essa euforia nem sempre foi totalmente aceita. Em meados de 2017, a diretoria palmeirense da época pediu por uma postura mais neutra nas frases de efeito soltadas no Allianz Parque. Em determinado jogo em que acabou se excedendo, o locutor chegou a ser 'suspenso' de uma partida.

Hoje em dia está tudo certo. Quando quer aflorar o seu lado mais torcedor, Marcos desliga o microfone e vibra (ou xinga). Antes de ligar novamente, ele dá uma respirada e manda a informação necessária. Para o locutor, que também é formado em marketing e gastronomia, esse é o trabalho dos sonhos.

"Não tem como eu falar que não sou um torcedor privilegiado. Todo mundo que consegue trabalhar com sua paixão é um privilégio. E não tem como enjoar. Pelo contrário, o vínculo vai ficando cada vez maior, aquilo vai se tornando cada vez mais parte da vida. O lado ruim é para quem convive comigo, porque tô sempre de olho em agenda, nos jogos e tudo mais", destacou Marcos.

Segundo o jornalista, esse sucesso como 'a voz do Allianz' vem justamente pelo ineditismo. "É uma coisa nova mesmo. Nunca teve. Acho que talvez seja o começo e fico ainda mais lisonjeado, porque vem da história do Palmeiras isso. O clube sempre foi de vanguarda e esteve à frente de muitas coisas, desde preparador de goleiro, patrocínio em camisa... Eu gosto de ser um cara de criação. Fico feliz com isso".

Esse mesmo trabalho dos sonhos o levou a se tornar um dos únicos torcedores presentes no Allianz Parque na conquista do título paulista. Por causa da pandemia causada pelo novo coronavírus, os jogos no Brasil são realizados de portões fechados.

"É totalmente diferente estar no estádio fazendo a locução sem a torcida. É triste. Fica meio sem alma", relatou Marcos, que ainda descreveu tudo o que sentiu durante o confronto decisivo de 8 de agosto, diante do arquirrival Corinthians.

"Foi insano, uma coisa louca. Juntou muitas coisas, muito sentimento, isso que estamos vivendo no mundo, problemas pessoais que todo mundo está tendo, rivalidade, o jogo como foi: tomar gol no último segundo. Indo para pênalti, já é uma carga emocional absurda, ainda mais em uma final contra o rival dentro de casa. Juntou também o dia dos pais, eu desabo mesmo, não tem como, porque é um alívio de tudo isso", contou.

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