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Ex-Palmeiras, Sérgio soube gerir dinheiro e planeja "quadra bar temática"

Sérgio prestes a ser abraçado por Evair em comemoração de gol do Palmeiras sobre o Vitória, na decisão do Brasileiro de 1993 - Pisco del Gaiso/Folhapress
Sérgio prestes a ser abraçado por Evair em comemoração de gol do Palmeiras sobre o Vitória, na decisão do Brasileiro de 1993 Imagem: Pisco del Gaiso/Folhapress

Marcello De Vico e Vanderlei Lima

Do UOL, em Santos (SP)

14/08/2020 04h00

Goleiro do histórico título paulista de 1993 e com 333 jogos com a camisa alviverde, Sérgio é um daqueles jogadores que soube, muito bem, gerir o dinheiro depois de pendurar as chuteiras. Como ele mesmo diz, 'não foi muito', já que não atuou fora do país, mas o suficiente para, com uma boa administração financeira, viver hoje uma vida bem tranquila na cidade de Sorocaba, interior de São Paulo.

"Eu fiz algumas coisas, não foquei em uma só. Na área do esporte não consegui acompanhar; eu ia fazer faculdade, não dei sequência e parei. Agora estou tocando uma empresa de marketing esportivo, e através disso tenho também duas empresas de representações de negócios. Esse ano eu ia montar uma empresa voltada para escolinha de futebol de goleiro, mas parei por causa da pandemia", conta em entrevista exclusiva ao UOL Esporte.

Além de manter as próprias empresas, Sergião, hoje com 50 anos, agora planeja abrir um espaço que mistura um bar temático com quadras esportivas. Ele mesmo dá mais detalhes.

"Como estou morando em Sorocaba, estou com um projeto pra fazer uma quadra de atividade esportiva juntamente com o bar temático. Está bem avançado, já tem até investidor querendo conhecer esse projeto. Vai ser um bar bem temático, rústico, junto com quadras de tênis, de futevôlei e de futebol society", conta o goleiro que, além de Palmeiras, passou por clubes como Santos, Flamengo, Portuguesa, Vitória e Bahia.

Fernando Prass, Sérgio, Jailson e Velloso no lançamento da nova camisa de goleiros do Palmeiras - Leandro Miranda/UOL - Leandro Miranda/UOL
Fernando Prass, Sérgio, Jailson e Velloso em lançamento de camisa de goleiros do Palmeiras
Imagem: Leandro Miranda/UOL

Sonho de ser técnico: "mistura de Felipão com Luxa"

O planejamento para 'o que fazer com o dinheiro depois de parar de jogar' ajudou Sérgio a ter a possibilidade de, hoje, se arriscar em atividades que sente prazer. Além do bar temático, ele também tem em sua lista de desejos abrir uma escolinha de futebol para goleiros. E ainda, como muitos ex-jogadores, sonha com a experiência de um dia ser treinador.

"É uma coisa ainda que eu não sosseguei, ainda penso, sim. Estou me preparando para o final do ano, talvez tenham dois amigos que querem me convidar para um projeto. Pelo que peguei de conhecimento com os treinadores, pela minha vivência, acredito que daria para fazer um bom trabalho, então quero experimentar essa oportunidade ainda", conta.

Eu seria uma mistura de Vanderlei Luxemburgo com Felipão, meio que dosado"

Mas qual seria o perfil do técnico Sergião? "Hoje, se eu for ver bem, seria um pouco de Rogério Ceni, porque é a nossa característica. Quando você é goleiro, gosta de gesticular, de falar, a gente não consegue ficar parado, não. Eu não teria, por exemplo, aquela calma do Oswaldo de Oliveira. Eu seria uma mistura de Vanderlei Luxemburgo com Felipão, meio que dosado, porque tem que saber a hora de cobrar. Mas eu não teria essa calma de ficar ali no banco quietinho, isso não dá".

"Triste, não é culpa deles", diz sobre ex-jogadores em dificuldades

Assim que a aposentadoria virou realidade em sua cabeça, Sérgio tratou de contratar um profissional para administrar e planejar o dinheiro que tinha guardado. Anos depois, o goleiro que pendurou as chuteiras em 2013 tem a certeza de que tomou a decisão certa.

Goleiro Sérgio, em treino do Palmeiras em 2003 - FERNANDO SANTOS/FOLHA IMAGEM - FERNANDO SANTOS/FOLHA IMAGEM
Imagem: FERNANDO SANTOS/FOLHA IMAGEM

"Com ele, aprendi a tocar as contas, fazer uma gestão da minha parte salarial e das minhas empresas, e daí acabei tocando as coisas sozinho. Hoje eu que cuido dos meus investimentos. Não fui um cara que ganhou muito dinheiro no futebol por não ter jogado fora, mas acabei tendo um pouco de juízo, investindo em imóveis... Trabalhei na área de investimento, na área de corporações, fiz um pouco de tudo e acabei aprendendo. Então, a gente toca desta forma, dando uma continuidade naquilo que ganhamos e procurando não deteriorar, não desfazer o que você já ganhou, procurar sempre acumular cada vez mais", diz.

Porém, o mesmo não acontece com muitos jogadores que, ao encerrar a carreira, não têm muita noção do que fazer com todo o dinheiro que receberam como atleta. O que acontece?

"Minha análise é bem prática. Depois que parei, pensei em tudo isso. Infelizmente, nós, daquela geração, não tivemos uma preparação pra parar, isso foi mais individual; cada um buscou o seu espaço pra aprender e tomar conta daquilo que conquistou. Como eu falei, não ganhei muito, mas o que me sustentou foi meu suporte familiar. Sou casado até hoje, tenho minha família, que hoje é meu principal suporte, meu alicerce, e muitos não tiveram isso. Muitos pararam e acharam que iam continuar ganhando ou tocando a vida da forma que foi", diz.

Você tem que se preparar para o mercado novamente. É o segundo tempo da vida"

"É triste, porque não é culpa deles. Na realidade, o que vejo é mais uma questão de orientação. Todo jogador que para acaba não fazendo outro tipo de trabalho. Costumo dizer que, quando você para, volta a ter 20 anos, porque para o mercado normal, do dia a dia, o que você faz? Além de jogar futebol... Você tem que se preparar para o mercado novamente, então vai mais uns cinco anos até você aprender e tocar a vida. É o segundo tempo da vida, então a gente tem que aprender com isso, porque parar é difícil", completa.

Veja outros trechos da entrevista

"Sofri demais contra o Corinthians"

Sofri demais, demais. Ainda quando tomamos aquele pênalti com dez segundos pra acabar, na minha opinião um erro que também poderia ter jogado tudo por água abaixo, infantilidade do time, faltou experiência. A gente está falando hoje porque ganhamos, mas imagina se tivesse perdido o que todo mundo ia procurar de acusação: o zagueiro, o fulano que não segurou a bola, o outro que não fez uma catimba. Quando está faltando dez segundos, um minuto, você tem que segurar a bola lá na frente, parece que eles não tinham essa noção. Tem que assistir o Campeonato Argentino, com os outros sul-americanos...

"Não foi tanto culpa do Gustavo Gómez"

Eu vou ser bem sincero, eu não vi mais, só vi na hora e virei a cara, e não vi mais. Mas como o árbitro apitou e não teve tanta reclamação, achei que foi pênalti. Mas não se dá um carrinho daquele de frente... Eu entendo porque fui jogador, o calor, a adrenalina do jogo, você quer evitar, e um jogador aguerrido como ele é, eu entendo, mas não foi tanto culpa dele. Se tivesse parado a bola na frente, se for fazer uma acusação, é no geral, mas graças a Deus não temos que fazer nenhuma acusação, temos que só comemorar [risos].

Errata: o texto foi atualizado
Ao contrário do que foi informado anteriormente, a cena da foto que abre a matéria é do jogo entre Palmeiras x Vitória, pelo Campeonato Brasileiro de 1993, e não contra o Corinthians pelo Campeonato Paulista.

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