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Antes do "sabia não", Marinho foi Tartaruga Ninja e pediu vaga para Felipão

Marinho rodou bastante antes de deslanchar, após vídeo que virou meme - Ivan Storti/Santos FC
Marinho rodou bastante antes de deslanchar, após vídeo que virou meme Imagem: Ivan Storti/Santos FC

Eder Traskini e Marinho Saldanha

Do UOL, em Santos (SP) e Porto Alegre (RS)

13/08/2020 04h00

É fácil conhecer Marinho hoje em dia. Atacante do Santos, que chegou do Grêmio, passou pelo futebol chinês e, antes disso, teve o vídeo do 'sabia não'. O antigo meme ocorreu durante uma entrevista quando defendia o Ceará, em 2015. Mas a carreira de Mário Sérgio Santos Costa começou bem antes e não parecia nada promissora até a resposta pitoresca.

É verdade, o atual camisa 11 do Santos já foi considerado uma promessa nas categorias de base. No entanto, seus primeiros anos como profissional indicavam que ele seria apenas mais um daqueles atletas que prometem muito e não conseguem entregar quando sobem.

Marinho rodou por oito clubes, entre base e profissional, até chegar ao Ceará, se destacar em campo e se tornar uma das maiores figuras do futebol brasileiro fora dele.

Sem dúvida, o "sabia não" tornou o jeito irreverente de Marinho conhecido nacionalmente, mas muitas outras histórias estão escondidas em sua carreira antes do meme. O UOL Esporte conversou com ex-técnicos do atacante e conta algumas delas.

No Inter, 'expulsão' de academia e alvo de brincadeiras

Marinho chegou ao Internacional em 2018 como 'projeto de craque'. Egresso do Fluminense, o jogador logo se uniu ao elenco de cima. Mas não durou muito tempo e acabou relegado ao time B. Entre idas e vindas no elenco, era alvo de brincadeiras dos jogadores mais experientes. No clube nos anos seguintes, convivia com momentos em que foi trancado no quarto na concentração e passado para trás na fila do refeitório pelos mais velhos.

Em 2010, Celso Roth foi quem tirou o jogador aos gritos da academia. Marinho se recuperava de lesão e fazia corridas em uma das esteiras. Roth, que havia determinado que jogadores da base não frequentassem o mesmo ambiente do principal, confundiu o atleta com algum novato, pela estatura e o semblante juvenil. Mesmo já sendo membro do time de cima, aos gritos, ele foi expulso do ambiente e completou atividade no gramado.

Caxias, Paraná e 'Tartaruga Ninja'

Foi o empresário de Marinho, Jorge Machado, que o levou para o Caxias. Emprestado em 2011, ele jogou pouco por lá, mas conquistou a todos. Brincalhão, extrovertido, gostava muito de exercícios físicos e logo ganhou apelido: 'Tartaruga Ninja'.

"Era pelo porte dele, baixinho, mas forte. Gostava de exercícios de peitoral, braços, pequeninho, chamavam ele de Tartaruga Ninja", contou o técnico Guilherme Macuglia, que trabalhou com ele no time da Serra Gaúcha, ao UOL Esporte. "Todos gostavam muito do Marinho. Jogadores, dirigentes. Ele sempre mostrou um grande potencial em campo, mas, principalmente, era muito querido fora dele", completou.

Foi Macuglia quem levou Marinho para o Paraná. Depois da Série C pelo Caxias, ele jogou a B e fez parte do elenco que tentava voltar à elite do Brasileirão. Não conseguiu. Foram seis jogos no Caxias, sete no Paraná, nenhum gol marcado.

"Eu acho que ele se deslumbrou um pouco na carreira. Ele tinha jogado em grandes clubes, Fluminense, Inter, e quando o jogador é jovem e vai para um clube menor, ele estranha, tem dificuldades. Foi o que aconteceu com ele, precisou de um tempo para amadurecer", completou.

Reserva do Ituano, mas com vaga na seleção

Do Paraná, Marinho passou pelo Goiás e foi parar no Ituano. Foram 11 jogos na temporada de 2013 do Campeonato Paulista. O atacante ajudou o time do técnico Doriva a escapar do rebaixamento, sendo importante saindo do banco de reservas.

Mesmo assim, Marinho não se intimidou ao ver o técnico da seleção brasileira na época, Luiz Felipe Scolari, dando uma preleção para um duelo decisivo como convidado pela comunicação do clube. O reserva do Ituano queria sua vaguinha na lista de Felipão.

"O assessor do Ituano também era assessor do Felipão e levou ele para fazer uma palestra pra nós antes do jogo decisivo. Foi muito bacana receber ele e foi engraçado. O Marinho para a preleção do Felipão no meio e fala: 'Felipão, não esquece de mim quando for convocar a seleção hein'. Pois é, estava muito distante pra ele naquele momento, mas mostra a personalidade que ele tem. Foi uma risada só naquele momento, mas de fato ele se tornou um jogador de alto nível", lembrou Doriva em entrevista ao UOL Esporte.

Lisca Doido proporcionou retomada a R$ 7 mil

Marinho sofreu com lesões no Ituano e ficou oito meses parado entre 2013 e 2014. A carreira foi retomada no Náutico a pedido do técnico Lisca, conhecido como Lisca Doido, que já havia trabalhado com Marinho na base do Inter.

"Ali ele retomou a carreira e decolou! Foi ganhando R$ 7 mil em 2014! Jogou muito no Náutico, mas com muitas lesões pelo tempo que ficou sem competir", contou Lisca ao UOL Esporte.

Ainda com as lesões citadas por Lisca, foi no Náutico que Marinho finalmente conseguiu jogar mais vezes na temporada. Até ali, os 11 jogos pelo Ituano eram o recorde dele em uma temporada. No clube pernambucano, Marinho entrou em campo 23 vezes e chamou atenção do Ceará.

Daí para frente, você já sabe a história. Sabe não? Que m... hein. Marinho deve ser titular do ataque santista na partida de hoje (13) contra o Internacional, no Beira-Rio, às 19h30, pela segunda rodada do Brasileirão.

FICHA TÉCNICA:

INTERNACIONAL x SANTOS
Data e hora:
13/08/2020 (Quinta-feira), às 19h30 (Brasília)
Local: estádio Beira-Rio, em Porto Alegre (RS)
Árbitro: Marcelo de Lima Henrique (RJ)
Assistentes: Rodrigo Figueiredo Henrique Correa e Carlos Henrique Alves de Lima Filho (ambos do RJ)
VAR: Pathrice Wallace Corrêa Maia (RJ)

INTER: Marcelo Lomba; Saravia, Bruno Fuchs, Victor Cuesta e Moisés; Lindoso (Musto), Praxedes, Patrick (Boschilia) e Marcos Guilherme; Galhardo (Pottker) e Guerrero. Técnico: Eduardo Coudet.

SANTOS: Vladimir; Pará, Lucas Veríssimo, Luan Peres e Felipe Jonatan; Alison, Diego Pituca e Carlos Sánchez; Soteldo, Marinho e Kaio Jorge. Técnico: Cuca.

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