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Fla de Dome mantém alguns traços de Jesus, mas prova de seu próprio veneno

Leo Burlá

Do UOL, no Rio de Janeiro

10/08/2020 04h00

Com apenas uma semana de trabalho, o técnico Domènec Torrent, do Flamengo, sabia que uma dose de conservadorismo era uma boa aliada para a estreia contra o Atlético-MG. Sem tempo e em pleno processo de adaptação ao novo grupo, o espanhol manteve a espinha dorsal, tratou de não revolucionar muito, mas esbarrou nas dificuldades de todo trabalho em início.

Na derrota por 1 a 0 sobre o Galo, houve até mais semelhanças do que diferenças para a equipe do Mister Jorge Jesus, mas o Fla provou de seu próprio veneno ao encarar uma equipe que sufocou o adversário em seu campo durante os 90 minutos, algo que notabilizou o time que dominou o futebol do Brasil e da América do Sul em 2019.

O Fla que busca o gol e que gosta da bola (a posse foi de 67%) estava presente no Maracanã, mas Dome mesmo reconheceu que o time jogou de forma mais desorganizada coletivamente do que o habitual. Sem sua principal força, as individualidades não fizeram a diferença e houve até um excesso de bolas alçadas. Na base do desespero, o técnico chegou a ter cinco atacantes em campo.

"Não tínhamos as linhas compactas, temos de trabalhar isso melhor. Jogamos muito separados. Somos o Flamengo, queremos ganhar, mas algumas vezes não é possível. Não marcamos e tivemos a má sorte do gol contra", ressaltou o treinador.

Com o trabalho no começo, Torrent mandou a campo o time-base que foi deixado por Jorge Jesus, mas tentou dar sua marca na forma de o time sair com a bola. O goleiro Diego Alves foi mais participativo, mas Willian Arão, que se notabilizou por ser efetivo neste momento do jogo, não foi tão acionado. Com muita troca de passes e mais lentidão, o Fla se enrolou em muitos momentos e caiu na armadilha do argentino Jorge Sampaoli.

"O Dome está conhecendo todo mundo, não é cabível cobrar. Perder é muito ruim, mas a gente vai melhorar e vamos chegar longe de novo", minimizou Rafinha.

Rafinha - Alexandre Vidal / Flamengo - Alexandre Vidal / Flamengo
Rafinha em ação em Flamengo x Atlético-MG
Imagem: Alexandre Vidal / Flamengo

Independentemente dos aspectos táticos e técnicos, a parte física foi decisiva no jogo. Com os atleticanos em pleno ritmo de competição, o Rubro-negro sentiu o peso de 24 dias sem jogar um só jogo oficial. Com a antecipação da volta do Carioca (defendida pelo clube), o time iniciou o Brasileiro degraus abaixo neste quesito. A tal falta de ritmo foi ressaltada por todos os rubro-negros após o tropeço.

"Foram 24 dias só treinando. O Atlético é uma bela equipe e tem mais ritmo de jogo do que a gente. Ainda assim, criamos ocasiões de gol. Faz tempo que a gente não jogava, a gente vai melhorar com toda certeza", completou o lateral.

A partir de agora, Domènec e seus colaboradores mergulham na maratona do Brasileiro e têm poucos dias para conhecer os novos comandados e buscar soluções. Na quarta-feira, os rubro-negros encaram o Atlético-GO, 20h30, no Olímpico.

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