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Candidatura de Marcelinho racha PSL, e deputado fala em chantagem por verba

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ex-jogador Marcelinho Carioca - reprodução/Instagram/Marcelinho Carioca
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ex-jogador Marcelinho Carioca Imagem: reprodução/Instagram/Marcelinho Carioca

Adriano Wilkson e Vanderlei Lima

Do UOL, em São Paulo

10/08/2020 04h00

A chegada do ex-jogador Marcelinho Carioca ao PSL provocou uma disputa entre lideranças do partido. O quadro foi agravado no final de julho, quando o ídolo do Corinthians se encontrou com o presidente Jair Bolsonaro e gravou um vídeo fazendo embaixadinha com ele.

Bolsonaro se elegeu presidente pelo PSL, mas rompeu com o partido no ano passado. Uma ala do partido hoje é crítica ao presidente.

Marcelinho quer ser candidato a vereador de São Paulo pela legenda. O problema é que ele sofre forte oposição na executiva estadual, que trabalhou para desfiliá-lo e garante que ele não será candidato.

No dia 30 de julho, o UOL Esporte noticiou que Marcelinho seria candidato, informação confirmada na ocasião pelo deputado federal Júnior Bozzela, presidente do PSL paulista. Depois da publicação da reportagem, Bozella afirmou ter sido cobrado pelos militantes do partido e voltou atrás.

O deputado usou a palavra "chantagem" para definir a negociação de Marcelinho por verbas e cargos no partido e afirmou que o ex-jogador havia desistido de se candidatar depois que o partido negou seus pedidos.

"Ele estava botando a faca no pescoço. E errou o cálculo político. Fez uma pressão por fundo e cargos, e o partido não tem condição de ceder a esse tipo de assédio ou de chantagem. Ele mesmo desistiu depois", afirmou o parlamentar, que também é vice-presidente nacional da legenda. De acordo com ele, Marcelinho exigiu R$ 3 milhões de verba para a campanha, o que o PSL teria negado.

"Ele esticou a corda e depois desistiu", disse Bozella, para quem a desistência do ex-jogador seria "irreversível". "Seria desmoralizante para o partido aceitar a candidatura dele, ficaria parecendo que estamos cedendo à pressão." O deputado disse ainda que o ex-jogador teria sido desfiliado do partido.

Procurado pela reportagem, Marcelinho disse não compreender a postura de Bozella e afirmou que é, sim, pré-candidato a vereador e batalhará para ser confirmado na convenção do partido. Ele enviou um documento que prova que sua filiação está regular.

Marcos ao lado de Marcelinho Carioca - Reprodução - Reprodução
Após ser criticado, Marcelinho recebeu apoio de Marcos, ex-goleiro do Palmeiras
Imagem: Reprodução

Marcelinho conta com o apoio do advogado Antonio Rueda, outro vice-presidente nacional do PSL.

Segundo Marcelinho, o Bozella "falou uma série de mentiras a meu respeito, o que me causou estranheza. O sujeito falar que pedi R$ 3 milhões, entre outras inverdades, revela muito mais sobre quem acusa do que sobre quem está sendo 'maledicentemente' acusado. Só resta lastimar a postura radical e isolada que adotou. A que interesse atende esse gol contra?"

Antonio Rueda chancelou a pré-candidatura de Marcelinho, o que o coloca em franca dividida com Bozella. Segundo Rueda, a desfiliação do ex-jogador foi "um equívoco" do diretório estadual, que já teria sido corrigido internamente.

"Ele é pré-candidato e tem meu apoio. Não só meu como de outros deputados federais", assegurou Rueda. "Ele é competitivo e só faz agregar."

Sobre o deputado federal que faz campanha contra a candidatura do corintiano, Rueda disse: "Não entendo esse movimento do Bozella, é incompreensível, é irracional. Pra mim fica claro que ele não quer o Marcelinho, mas ele não me explica o motivo."

As convenções partidárias para definir às chapas que disputarão as eleições municipais ocorrem de 31 de agosto a 16 de setembro. As eleições estão marcadas para novembro.

Marcelinho: "Bolsonaro tem meu irrestrito apoio"

Marcelinho que vem tentando se eleger desde 2010 e já concorreu por partidos de esquerda, como o PSB e o PT, afirmou que não está interessado em disputas ideológicas.

"Eu sou filho da periferia, amigo. Eu não me importo com essa salada ideológica, mas com a sociedade e seus valores de família, de Estado eficaz e resolutivo, e de um governo que não compactue com a corrupção", afirmou ao UOL Esporte.

Sobre já ter elogiado o ex-presidente Lula, o ex-jogador comentou: "O ex-presidente está pagando pelas consequências de seus atos, não vou julgar ninguém. Hoje o nosso presidente é Bolsonaro, que teve meu voto no segundo turno e tem meu irrestrito apoio às mudanças que o país precisa e creio que deixará um bom legado para a nação."

Depois que encerrou a carreira, Marcelinho se formou em jornalista e exercia até recentemente a função de comentarista em uma rádio de São Paulo. Ele afirmou que pretende ter um cargo público para "contribuir mais com a sociedade".

"O PSL me convidou e me ofereceu a legenda. É um desafio, e sou movido por isso. Tenho à mesa propostas de trabalho de diversas fontes, inclusive de mídias internacionais, tenho minha vida pessoal e profissional resolvida, mas entendo que posso levar oportunidades às pessoas, assim como me estenderam a mão um dia. Busquei conhecimento, tenho estudado, sou jornalista, me formei em gestão pública e estou convencido de que posso contribuir mais com a sociedade, principalmente com os menos favorecidos, que é a minha origem, exercendo um mandato eletivo."

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