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Ana Thaís Matos revela influência de Fátima Bernardes para ser comentarista

Ana Thaís Matos é comentarista da Globo - Arquivo pessoal
Ana Thaís Matos é comentarista da Globo Imagem: Arquivo pessoal

Do UOL, em São Paulo

10/08/2020 11h27

O Campeonato Brasileiro começou neste fim de semana com novidades nas transmissões da Rede Globo, com estreias de comentaristas mulheres, como a analista de arbitragem Nadine Bastos. Ele e a mais experiente Ana Thaís Matos foram ao Encontro falar da experiência, e a última revelou que Fátima Bernardes foi uma influência para que ela escolhesse a profissão.

Ana Thaís revelou que ver Fátima na Copa do Mundo de 2002, na famosa cobertura do pentacampeonato que teve a então apresentadora do Jornal Nacional nos bastidores da seleção brasileira, foi importante para ela se identificar e saber que uma mulher poderia estar ali.

"Você, em 2002, me influenciou na decisão do que eu queria ser. Eu falei: 'A Fátima está ali dentro, falando com os jogadores, carregando a taça'. Pensei: 'É possível, isso pode acontecer'. Isso nutre no imaginário das meninas uma identificação", contou a comentarista.

nadine - Reprodução - Reprodução
Nadine Bastos, ex-comentarista de arbitragem do Fox Sports
Imagem: Reprodução

Nadine acrescentou que o trabalho de comentaristas mulheres ainda é difícil, por conta das opiniões mais fortes quanto ao trabalho delas.

"Essa pergunta, se eu sei o que é impedimento, sempre acontece. Apesar de a gente mudar isso, mostrando consistência, o olhar de desconfiança ainda acontece. É algo que, para mim, tento levar como motivação. Passei da fase de levar como crítica. Tá duvidando? Vou fazer questão de mostrar que estou aqui porque gosto do que faço e trabalho muito para crescer em relação a isso. Espero que essa mentalidade mude com o tempo. Já houve uma grande melhora. Mas ainda existe e precisa melhorar", afirmou a comentarista de arbitragem.

Nadine ainda comemorou ter estreado neste Brasileirão em um jogo sem grandes dificuldades, entre Grêmio e Fluminense. "Foi um jogo tranquilo na parte da arbitragem, tranquilizou minha estreia. Eu estava meio ansiosa".

Ana Thaís concordou com a análise da amiga e contou sua experiência com o preconceito contra mulheres que comentam futebol. E disse que se permitiu sentir felicidade com o domingo de trabalho - apesar do momento triste por conta da pandemia.

"Vendo tudo isso acontecer, sabendo da dificuldade de ocupar o espaço que ocupa, do jeito que a gente ocupa, fico tão feliz. Estou realizada. Eu até pedi licença para sentir essa felicidade, porque estamos num momento tão difícil de falar em felicidade. Mas fico feliz por essa chegada de outras mulheres, que são minhas amigas e grandes profissionais", disse ela.

Ana Thaís aproveitou para relembrar os ataques que ainda sofre. "A cobrança é enorme, tem que ser 100% de excelência. Às vezes me coloco com uma palavra que alguém não entende ou faço algum comentário errado, e os ataques já são rápidos. Mas vejo que com colegas é diferente. É uma coisa meio orquestrada, ainda existe bastante", alegou.

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