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Jesualdo condena demissão do Santos e cita "pouca coragem do presidente"

Treinador português comandou o Santos em apenas 15 partidas e foi substituído por Cuca - Ivan Storti/Santos FC
Treinador português comandou o Santos em apenas 15 partidas e foi substituído por Cuca Imagem: Ivan Storti/Santos FC

Do UOL, em São Paulo

09/08/2020 09h35

O técnico português Jesualdo Ferreira se manifestou hoje (9) pela primeira vez sobre a demissão do Santos, quatro dias após o anúncio do fim de sua passagem de apenas 15 partidas. Em sua coluna no diário "O Jogo", o treinador de 74 anos criticou o presidente José Carlos Peres.

"Após quatro meses de paralisação, voltamos ao trabalho e os problemas do clube aumentaram e prejudicaram o rendimento de todos. As expulsões em todos os jogos quando já estávamos em vantagem, a rescisão de contrato de jogadores [Everson e Eduardo Sasha] e o sentimento de insatisfação indicavam o desequilíbrio emocional que reinava a equipe. Foram quatro jogos seguidos com dez jogadores, nunca tinha vivido nada assim, e uma derrota e um empate quando já ganhávamos os jogos foram interpretados pela direção do clube como a necessidade de mudar", disse Jesualdo, antes de completar:

Revolveram mudar, mas não o rumo que o clube levava, e sim o treinador. Medida muito fácil de tomar e de pouca coragem do presidente.

Jesualdo Ferreira foi contratado pelo Santos em dezembro do ano passado, após a saída do vice-campeão brasileiro Jorge Sampaoli. Ele dirigiu 15 partidas, com seis vitórias, quatro empates e cinco derrotas. Foram duas vitórias em dois jogos na Copa Libertadores, em que o time lidera o Grupo G, e eliminação nas quartas de final do Campeonato Paulista. Foi a queda para a Ponte Preta que causou a demissão na quarta-feira, após dois dias de treinamentos com foco na estreia do Campeonato Brasileiro.

"Quando recebi o convite para ser treinador do Santos senti orgulho, 'é o clube do Pelé', disse para mim, não pensei, aceitei e parti para uma das mais difíceis tarefas da minha vida pessoal e profissional. Sempre gostei de grandes desafios, tive muitos na minha carreira, venci muitos mais do que perdi, felizmente", afirmou o treinador, ainda em sua coluna.

De acordo com Jesualdo, a equipe "começava a dar sinais de equilíbrio e de entendimento de processos", o que o faz desperdir-se orgulhoso: "Tenho a consciência tranquila no trabalho que realizamos, que foi muito bom, tal como muitos reconheceram. Os torcedores do Santos, torcedores no Brasil, são realmente excepcionais, e a eles quero deixar um abraço e um muito obrigado. Foi um prazer treinar o Santos."

Elogios a garotos e ex-diretor

Em apenas 15 partidas, Jesualdo Ferreira promoveu as estreias como profissionais de duas promessas do Santos: o meia Anderson Ceará e o atacante Renyer, além de dar mais oportunidades a Sandry, Kaio Jorge e Yuri Alberto (transferido para o Internacional). De acordo com o português, outros sete jogadores começariam a ganhar espaço na sequência: Alex (zagueiro), Wagner (zagueiro), Ivonei (meio-campista), Matheus Moraes (meio-campista), Lucas Lourenço (meio-campista), Marcos Leonardo (atacante) e Allanzinho (atacante).

"Meu trabalho no Santos foi para além de treinar e dirigir a equipe profissional. Em conjunto com o William Thomas uniformizamos os processos de treino e avaliação de jogadores do sub-20 e do time B (...) A integração destes jogadores não foi difícil (...) Com o calendário de muitos jogos todos eles iriam ser utilizados e talvez um ou mais viessem a ser jogadores de futuro. O projeto estava em curso. Sem dinheiro e sem poder inscrever jogadores, só havia um caminho: desenvolver o talento que existe com trabalho competente. O outro caminho seria desistir, mas isso não faz parte do meu DNA", escreveu Jesualdo Ferreira, que ainda fez elogios ao trabalho do ex-diretor técnico, William Thomas.

O executivo pediu demissão do Santos após a saída de Jesualdo.

"William Thomas, um nome, uma grande pessoa de muito caráter, uma personalidade. Pediu a demissão por não concordar com a minha saída. Na minha carreira nunca conheci ninguém como ele, tão capaz e competente. O clube perdeu a pessoa que podia gerir todo o processo desportivo e comercial de uma marca tão poderosa como o Santos."

Sem contar com William Thomas (substituído pelo ídolo Renato) e também sem Jesualdo, o Santos estreia no Brasileirão hoje, às 16h, contra o Red Bull Bragantino. Será a estreia do técnico Cuca, que assinou contrato até março de 2021, ao fim da competição.

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