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Red Bull viveu dias de desespero após erro de hospital em exames para covid

Felipe Conceição, técnico do Red Bull Bragantino, na chegada da equipe ao Morumbi para enfrentar o Corinthians - Ari Ferreira/Red Bull Bragantino
Felipe Conceição, técnico do Red Bull Bragantino, na chegada da equipe ao Morumbi para enfrentar o Corinthians Imagem: Ari Ferreira/Red Bull Bragantino

Eder Traskini e José Eduardo Martins

Do UOL, em São Paulo e em Santos

01/08/2020 15h14Atualizada em 01/08/2020 16h44

Classificação e Jogos

Tudo corria bem para o Red Bull Bragantino no Campeonato Paulista. Líder do grupo e melhor campanha da primeira fase, a equipe se reapresentou no dia seguinte à vitória sobre o Botafogo-SP para os testes PCR que já se tornaram rotina, mas o resultado surpreendeu de forma desesperadora: 23 pessoas ligadas ao time foram notificadas como casos positivos para covid-19.

Do total, nove eram jogadores, sendo seis que foram titulares contra o Corinthians, além de quatro membros da comissão técnica e dez funcionários do clube de Bragança Paulista. Assim que foi informado, na madrugada da terça-feira (28 de julho), o Red Bull isolou todos e o caos instaurou-se, com direito a ligação de familiares chorando para o clube. Faltavam dois dias para o confronto com o Timão pelas quartas de final do Paulistão, que terminou em derrota por 2 a 0.

O isolamento ainda contou com problemas particulares de cada atleta, como aqueles que têm filhos e precisaram tirar as crianças de casa, incluindo um filho asmático na conta. Até entenderam exatamente o que estava acontecendo, mulheres dos jogadores também buscavam a diretoria do clube em busca de respostas, chorando, sem saberem quais eram poderiam ser as consequências exatas daquela notícia. Na quarta-feira, véspera do jogo, os "positivados" foram encaminhados para dois laboratórios diferentes para a contraprova e receberam todos resultados negativos para covid-19.

Assim, os atletas retornaram para a concentração, mas seguiram em quartos isolados. Eles já haviam perdido o último treino pré-jogo e não sabiam se poderiam estar em campo no Morumbi.

No dia da partida, os nove também não participaram de uma atividade posicional que foi realizada pois precisaram deixar a concentração mais cedo rumo a São Paulo. Isso obrigou o Red Bull Bragantino a alugar dois ônibus: um para os "positivados" e outro para o restante da delegação.

O primeiro ônibus, dos "positivados", se dirigiu ao Einsten para novo teste por volta da hora do almoço, mas os procedimentos atrasaram no hospital, e os atletas chegaram ao estádio apenas às 17h45 —o jogo tinha início às 19h e, por procedimento padrão, a escalação precisava sair até as 18h.

Sem saber se poderia contar com os atletas até poucas horas antes do duelo contra o Corinthians, o técnico Felipe Conceição ainda optou por escalar seis dos nove jogadores como titulares no jogo decisivo. O Timão bateu o Red Bull por 2 a 0 e avançou para as semifinais.

Em nota, o hospital Einstein responsabilizou um "lote específico de reagentes" pelos resultados divergentes:

"O Einstein recebeu amostras de secreção nasofaríngea de atletas e membros da Comissão Técnica do Red Bull Bragantino para análise da presença da Sars-Cov2. As amostras tiveram resultado liberado no fim da tarde da última terça-feira, dia 28, sendo que algumas apresentaram resultado positivo.

Na quinta-feira, dia 30, o Red Bull Bragantino solicitou um novo teste destas amostras, que foram coletadas e processadas no mesmo dia. No novo processamento, estas amostras resultaram negativas.

Na análise dos processos internos, identificou-se um lote específico de reagentes importados ("primers") com instabilidade de funcionamento, que foram provavelmente os responsáveis pelos resultados divergentes.

A fabricante, uma empresa internacional, foi imediatamente notificada sobre a ocorrência e os lotes com desempenho atípico foram retirados da rotina de exames do laboratório do Hospital Israelita Albert Einstein."