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Élber ganhou mimo da Mercedes e testou carrão antes de ser ídolo do Bayern

Élber é fotografado antes de jogo do Bayern de Munique contra o Schalke 04  - Ralf Treese/DeFodi Images via Getty Images
Élber é fotografado antes de jogo do Bayern de Munique contra o Schalke 04 Imagem: Ralf Treese/DeFodi Images via Getty Images

Fatima Lacerda

Colaboração para o UOL, em Berlim

15/07/2020 04h00

Entre os brasileiros que um dia fizeram a diferença no Campeonato Alemão, poucos alcançaram o sucesso de Giovane Élber, que saiu do Brasil com 18 anos para tentar a vida no Velho Continente. Único jogador nascido no país que faz parte do Hall da Fama do Bayern de Munique, o ex-centroavante também brilhou com a camisa do Stuttgart.

O clube de Stuttgart está localizado em polo industrial alemã na qual a Mercedes concentra atividades. Quando ainda defendia as cores da equipe, o ex-jogador recebeu um mimo especial da empresa automotiva.

"Do nada, o pessoal da Mercedes ligou pra mim e disse: 'Olha, se você quiser testar um carro, já que você faz aniversário em julho, a gente deixa o carro com você por um mês. Além disso, eles convidaram eu, o Fredi [Bobic] e o [Krasimir] Balakov para irmos para Hockenheim [para o Grande Prêmio de Fórmula 1], e cada um com um carro da Porsche", lembrou Élber, em entrevista exclusiva ao UOL Esporte, em Berlim, antes da final da Copa da Alemanha, na qual o Bayern de Munique levou a melhor sobre o Bayer Leverkusen.

Se nomes como Aylton, Paulo Sérgio, Lúcio, Alex Alves, Marcelinho Paraíba, Gilberto, Diego, Amoroso, Cacau, Dedé, Zé Roberto, Dante e Rafinha também brilharam em gramados alemães, Élber foi quem melhor conseguiu alinhavar, da maneira mais harmoniosa possível, a autenticidade do brasileiro, exibida sempre em sua aura alegre, com a seriedade imprescindível para se firmar na hermética sociedade alemã.

Antes de chegar à Alemanha, Élber defendeu as cores do Grasshopper, da Suíça, em uma espécie de estágio para os desafios e choques culturais da Europa, como as tardes cinzentas do inverno de céu escuro já a partir das 14h, além da saudade da família e o estranhamento em novos solos. Em Zurique, o então centroavante só saía de casa para ir ao McDonald's, sua única ferramenta de comunicação.

Hoje embaixador do Bayern, Élber superou as dificuldades para representar o clube dentro e fora de campo. Diretor esportivo do clube, Hasan Salihamidzic disse, ao ser apresentado como reforço em 1998, que "jogar no FC Bayern é aprender a vencer". Foi esse o espírito que o brasileiro precisou incorporar para fazer sucesso com a camisa da equipe.

Élber aprendeu rapidamente como se destacar também fora do campo. O domínio da língua alemã se mostrou chave para sua integração. Nenhum jogador estrangeiro é tão cobiçado pela mídia alemã como sinônimo de credibilidade para analisar o futebol local - e também o brasileiro. Obviamente, sua coleção de títulos também contribuiu para esse status. Entre as conquistas, estão quatro taças do Campeonato Alemão, uma da Liga dos Campeões e uma do Mundial de Clubes.

Enquanto ex-jogadores do time bávaro gozam de uma aposentadoria tranquila à beira da piscina em residências luxuosas, Élber sai pelo mundo organizando torneiros de futebol. Na bagagem, ele leva o objetivo de promover integração social por meio do esporte.

Até hoje, o misto entre Brasil e Alemanha se faz presente na vida de ex-jogador. Em um dia, ele posta um vídeo andando a cavalo em sua fazenda no Mato Grosso. No outro, publica imagens literalmente com a mão na massa, preparando uma especialidade italiana para a mãe e a esposa. Em seguida, exibe alegria de criança pulando uma fogueira, em ritual típico de festa junina. Dois dias depois, ele marca presença em Berlim para a final da Copa da Alemanha e ainda almoça com a diretoria do Bayern no exclusivo restaurante "China Club".

Não há antagonismo entre o Élber de Londrina e o embaixador do Bayern. A insustentável irreverência brasileira e a astúcia alemã se completam da forma mais elegante possível.

Veja a entrevista exclusiva de Élber ao UOL na íntegra:

UOL: Em Stuttgart, a Mercedes Benz é símbolo de potência econômica em um país devastado pela guerra. Como foi para você, vindo de uma cultura completamente diferente? Havia uma presença constante desse poder econômico em relação à indústria automobilística?

Élber: Era só você chegar no centro de treinamento. Olhando para cima, você via a estrela. Quando eu vi aquela estrela, eu pensei: 'É da Mercedes Benz'. É impressionante, na verdade. Pô, o carro Porsche, eu via só em filmes. De onde eu venho, nunca tive a possibilidade de ver um andando na rua. Do nada, o pessoal da Mercedes ligou pra mim e disse: 'Olha, se você quiser testar um carro, já que você faz aniversário em julho, a gente deixa o carro com você por um mês. Além disso, eles convidaram eu, o Fredi [Bobic] e o [Krasimir] Balakov para irmos para Hockenheim [para o Grande Prêmio de Fórmula 1], e cada um com um carro da Porsche. Para mim, foi muito mais do que um sonho. Andando na rodovia alemã, pensei: 'Gente, cinco anos atrás eu estava lá em Londrina, andava de carroça, e hoje estou aqui andando dentro de um Porsche'. É legal, sim, mas eu nunca fiquei louco ou obcecado por ter os melhores carros. Quando eu joguei no Stuttgart, era a Mercedes. Em Munique, era a Opel, depois a Audi. Eu não precisei comprar uma Ferrari ou uma Lamboghini. O carro que o clube nos dá es bom demais.

UOL: Você fez dois gols pelo Stuttgart e decidiu a final da Copa da Alemanha de 1997 contra o Energie Cottbus em partida emocionante. Como você se lembra daquele jogo?

Élber: Era jogada ensaiada e treinada no clube. Tinha o Thomas Bertold e o Zonimir Soldo. Como eram maiores, eles sempre saíam antes. Eu esperava eles saírem ou ia na segunda trave. O que foi legal não foi só ter feito os dois gols, mas o que aconteceu até chegar a esse jogo final. Mesmo depois de ter assinado o contrato com o Bayern, eu sempre falei: 'Gente, eu vou dar tudo pro Stuttgart até o último jogo'. Mas eu sentia de alguns companheiros que eles vinham conversando com o treinador: 'O Giovane já está pensando no Bayern de Munique'. Fomos para a Holanda na preparação final e eu falei para o técnico": 'Pelo amor de Deus, me deixar jogar. Se eu estiver ruim, você pode me tirar, mas eu estou focado para jogar com o Stuttgart e quero ser campeão'. Aí aconteceu, eu fiz um gol no primeiro tempo, depois um no segundo. No minuto final, eu olhei para ele e falei: 'Agora, se você quiser trocar, eu já fiz meu trabalho'. Depois eu acabei não comemorando com os jogadores porque eu fiquei chateado com o ocorrido. Quando retornamos a Stuttgart eu falei para o Fred Bobic, até hoje meu amigo e irmão: 'Eu vou para casa. Já comprei a passagem de avião e estou indo com a minha família pro Brasil'. No mesmo dia, enquanto eles estavam na praça, eu fui pro aeroporto, peguei minha família e fui para o Brasil.

Em matéria na revista 11 Freunde, é destacado todo o drama em torno dessa partida. Eles contam que o Bobic bateu na porta, dizendo 'assim, não brasileiro!'. Eu achei muito legal dele, que disse: 'Você não pode sair assim. Tudo o que nós vivemos nesses três anos que você passou com a gente! Você já assinou com outro clube, mas hoje ainda é nosso companheiro. Vamos comemorar'. Aí, eu desci com ele para a festa que estava acontecendo no hotel, e fiquei até de manhã com ele na festa. Foi legal (risos).

UOL: Como foi trocar o Stuttgart pelo Bayern?

Élber: No Stuttgart, foi um aprendizado muito grande. Se eu não tivesse passado por esse clube, eu não teria feito o que fiz no Bayern de Munique, nos seis anos de permanência lá. Na época, no time bávaro, um jogador estrangeiro e centroavante não passava de um ano. E também naquela época, o FC Bayern era o FC Hollywood: treinador brigando com jogador, jogador com o presidente, e este com o treinador. Era tudo uma confusão. Será que eu vou me dar bem com o meu jeito, em um clube assim com tanto conflito interno? Cíntia, minha mulher falou: 'O seu sonho é ir para a seleção, os jogos do Bayern passam no Brasil. Se você não for para lá, talvez não tenha a chance na seleção, e se no clube você não der certo, pior do que no Stuttgart, você não fica'.

UOL: No seu tempo de ativa na Alemanha, você sofreu alguma manifestação racista dentro ou fora do campo?

Élber: No Stuttgart, quando eu cheguei em 1994, havia um time do leste da Alemanha que ainda jogava na primeira divisão, e os torcedores começaram fazer barulho de macaco, mas acabou o jogo e eu não falei para ninguém e pronto. Teve gente que perguntou: 'Você não escutou eles fazendo esse barulho?', e eu disse: 'Escutei, fazer o que?' O estádio estava cheio. Eu não iria perder tempo com dez pessoas. No Bayern de Munique, eu nunca escutei nada parecido.

UOL: A Bundesliga tem vasto histórico de jogadores brasileiros que fizeram a diferença em diversos clubes, mas você é um dos que mais conseguiu incorporar o espírito alemão. Qual o segredo?

Élber: Eu nunca tive uma pessoa falando para mim como tenho que me comportar na frente da imprensa. Isso já vem de família, vem de berço. Como eu saí cedo do Brasil, chegando em um país como a Suíça, você aprende muitas coisas. Claro que você não esquece as suas raízes. Você pode ser brincalhão, mas na hora de ser sério com trabalho, você tem que saber como se comportar estando fora do seu país. Muitas vezes eu não poderia ser aquela pessoa que eu era no Brasil. Às vezes, era preciso recuar. Como jogador eu sempre falei: 'Gente, eu sou jogador não porque se ganha bem. Eu gosto de jogar futebol'. O torcedor que está lá na arquibancada vê quando as coisas não estão andando bem. A minha vida é um livro aberto. A partir do momento em que eu pulei da cama e coloquei o pé no chão, é um dia feliz. Eu vivo aquele dia.

UOL: Na Alemanha você é ídolo, parado e reconhecido pelos torcedores nas ruas e muito requisitado pela imprensa. Já no Brasil você anda tranquilamente nas ruas e muitas pessoas não te conhecem. Como digerir isso?

Élber: Houve um caso, quando vim [do Stuttgart] com Dunga para Hamburgo. Um intérprete português atuava como tradutor. Eu interrompi e perguntei: 'Posso falar meu alemão, que já domino um pouco?'. As pessoas gostaram e aplaudiram. Até jogador falava para mim que tinha jogador estrangeiro que vinha pensando em jogar três, quatro, cinco anos, ganhar dinheiro e ir embora. Não queria aprender nada sobre a cultura, o idioma, não queria se envolver. Eu não. Eles viram que eu sou um deles. Até hoje eu tenho o passaporte brasileiro, mas muitas vezes eu me considero mais alemão do que brasileiro. Como você falou: no Brasil eu não sou conhecido. Muitas vezes eu digo 'putz, graças a Deus' por isso. Posso me movimentar de A para B sem muito medo. Tem uma ou outra pessoa que fala 'esse cara já jogou na seleção'. Eu nunca joguei uma Copa do Mundo. Um jogador do Brasil como eu, que saí muito cedo, só será conhecido quando jogar um Mundial, mas isso nunca me atrapalhou. Não fico chateado de não ser conhecido no Brasil. Pelo contrário. Eu fico feliz de sair aqui, vejo as pessoas olhando. Você vê que a pessoa quer vir conversar. Acho isso muito legal.

UOL: Você sabe quantos ternos de linho de fabricação italiana do Ottmar Hitzfeld você literalmente destruiu ao jogar baldes de cerveja para comemorar no gramado títulos recém-conquistados?

Élber: Quatro do campeonato [Alemão], mais três da Copa da Alemanha e um ou dois da Liga dos Campeões, porque ele tomou outra cervejada enquanto estava no banquete de comemoração. Mais ou menos uns dez, 12. Eu era louco! Nos saímos correndo atrás do Uli Hoeness [então diretor esportivo]. O Mehmet Scholl deu a ideia. Aí eu disse: 'O Uli não! Ele é o diretor esportivo! Ele pode me mandar embora'. Mas, mesmo assim, a gente pegou ele. Isso é a alegria que dá quando você ganha o título. Não é porque você está jogando no Bayern que você automaticamente se torna campeão. Você tem que trabalhar muito, porque todos os outros clubes querem te derrubar. Agora, com o Bayern campeão (2019/2020) oito vezes consecutivas, o torcedor reclama que já ficou chato porque o FCB sempre ganha, mas os jogadores trabalham para isso, e, se na temporada que vem outros clubes derem mole, o Bayern vai ganhar de novo.

UOL: Certa vez, você disse que o ex-técnico Ottmar Hitzfeld era como um pai para você. Ele também agiu como um pai quando te disse que teria que escalar o holandês Roy Makaay e te aconselhou deixar o Bayern?

Élber: Sim. Porque ele veio e olhou no olho e disse: 'Giovane, eu preciso falar com você. Olha, nos compramos um jogador por 18 milhões de euros. Eu vou ter que colocar ele'. Eu ainda perguntei se teria alguma chance, e o técnico explicou: 'Eu vou ter que escalar ele [Makaay], vou colocar o Claudio Pizarro e o Roque Santa Cruz, que são jogadores jovens que preparamos para substituir seu lugar. Ou joga Pizarro e Makaay ou Makaay e Roque Santa Cruz. Você vai ficar na tribuna. Vamos pagar seu salário, claro, mas se você permanecer, acho, que vais ficar infeliz'.

UOL: Falando sobre as viagens como embaixador do Bayern, houve uma passagem por São Paulo em novembro de 2019. Você confessou estar especialmente emocionado por estar pela primeira vez nesta função no Brasil. O que você sentiu de diferente das outras viagens?

Élber: Eu me arrepiei! Como você disse antes, eu não sou conhecido no Brasil, aí eu me vejo ali sendo reconhecido por pessoas que são fãs de um clube alemão. Não é porque eu joguei no São Paulo e no Flamengo que eles me reconhecem pelo que eu fiz no Bayern de Munique. É uma gratificação por tudo o que você fez, sabe? Você pensa: Tudo o que eu fiz como jogador profissional eu acho que não foi errado. As dores que eu passei, as alegrias e as tristezas e ter o reconhecimento das 150/200 pessoas, é muito gostoso.

UOL: Em debate pouco antes do amistoso entre Alemanha e Brasil no estádio Olímpico em Berlim, em março de 2018, com participação sua e do Zé Roberto, a mediadora perguntou para quem você torcia naquele que seria o primeiro encontro depois do 7 a 1 da Copa-2014. Sem pestanejar, você disse que torceria para a Alemanha. A repercussão te incomodou?

Élber: Acho que a pessoa tem que ser realista quando te perguntam o teu palpite. Em 2014, convidado pela Federação Alemã, eu assisti ao jogo do 7 a 1 no Mineirão, que foi onde eu joguei com o Cruzeiro e estava junto com a torcida alemã. Por isso eu falo para você: eu me sinto, muitas vezes, mais alemão do que brasileiro. Não é porque eu sou brasileiro que eu tenho que falar que o Brasil vai ganhar.

UOL: Você se sente injustiçado pelo Zagallo e pelo Felipão por não ter sido convocado mais frequentemente para a seleção brasileira? Em 2019, você disse que a Copa para você foi a conquista da Liga dos Campeões em 2001. Ainda se sente assim?

Élber: Foi sim! O que doeu foi quando o Zagalo veio na Alemanha em dezembro 1997. Em entrevista na TV, ele foi perguntado: 'E aí? E o Giovane Elber?'. Eu estava em uma boa época. Ele respondeu: 'Jogadores como o Élber, a gente tem mil no Brasil'. Ali eu percebi que ele nada conhecia do futebol alemão, nem sabia quem eu era. Aí, os jornalistas [alemães] no dia seguinte foram na sede do clube e me perguntaram: 'E aí?', Eu falei: 'Ele deve estar doido'.

Não deu três semanas, ele me convocou para a Copa Ouro, nos Estados Unidos. Aí os jornalistas voltaram. 'Você fala mal dele e ele te convoca, como assim?' .'Para vocês verem'. Alguém deve ter passado a resenha para ele. Já com o Felipão, não me deixou chateado. Me foi avisado que 'a seleção não conversa com o clube'. Foi momento de pressão do Bayern de Munique para que eu ficasse na Alemanha me recuperando, porque estavam agendados jogos finais da Liga dos Campeões. 'O que vocês querem que eu faça?', indaguei. O coordenador técnico do Felipão retrucou: 'Você não está preso no clube. Você pega um avião e vem para cá'. Eu falei: 'Quem paga meu salário não é a CBF, é o Bayern de Munique! Vocês da CBF nunca ligaram para mim para perguntar se eu melhorei'. Eles me convocaram e depois falaram que se eu não fosse e o jogador no meu lugar desse certo, seria ele que iria para a Copa do Mundo.

UOL: Faltam dois anos para a Copa do Mundo do Qatar. Em que patamar você vê a seleção brasileira?

Élber: Não faltam somente resultados. Os últimos não foram satisfatórios. O Brasil é sempre uma potência no futebol. Claro que a pressão é muito grande de que Neymar tem que ganhar, mas tem que ser o time todo.

UOL: Recentemente, o Matheus Cunha, do Hertha Berlim, afirmou que o Flamengo poderia disputar o título alemão com o Bayern. O que você acha disso?

Élber: Disputar o campeonato sim, mas colocar o Flamengo onde está o Bayern de Munique, acho que não. Mas claro que o Flamengo não iria passar vergonha disputando um Campeonato Alemão. Poderia ser talvez contra um Schalke 04, um Leverkusen, que é um time que talvez pode chegar a ganhar o campeonato, mas fica sempre ali, no "pode". O Bayern de Munique é um time difícil de ser batido.

UOL: O Benfica tem interesse em Jorge Jesus, e o nome do técnico foi até citado em rumores envolvendo o Barcelona. Você acha que ele pode retornar à Europa e dar certo em equipes dessas proporções?

Élber: Com certeza! O trabalho que ele fez na América do Sul, com o Flamengo, pelo amor de Deus! Eu, mesmo de longe, acompanhei passo a passo, porque sou torcedor do Flamengo (risos). Acompanhando todo o desenvolvimento que o Flamengo teve na temporada, foi espetacular! Eu acho que, talvez, um outro treinador não teria conseguido acertar as peças no esquema tático dele, e assim acabou conquistando o Campeonato Brasileiro e a Libertadores. Eu acho, sim, que ele tem espaço no futebol europeu.

UOL: Salomon Kalou assinou com o Botafogo. Ele deixou o Hertha Berlin criticado após descumprir protocolos de quarentena. Como um brasileiro experiente em jogar no estrangeiro, você acha que, no contexto atual, a parceria entre Botafogo e Kalou pode dar certo?

Élber: O Kalou se desculpou. Não podemos esquecer os anos que ele passou aqui na Alemanha, fazendo muito bonito, por causa de um episódio. Ele mesmo falou que foi infeliz. Infelizmente, não aceitaram. Eu fico muito feliz que ele tomou a iniciativa de ir jogar no Brasil. Ele é um jogador experiente que passou pelo Chelsea, Lille e pelo Hertha Berlin. Ele pode acrescentar muito ao futebol brasileiro. Eu acho que ele terá bons momentos no Botafogo. Espero que o clube tenha uma equipe a altura do Kalou.

UOL: Você acha que o futebol brasileiro voltou no momento certo?

Élber: O Brasil começou muito depois da Alemanha a ter a pandemia do coronavírus. Demoraram para fechar, estão fechando, abrindo. Eu acho que não era o momento [para abrir], mas envolve muitas coisas; a questão financeira dos clubes, que a gente tem que entender. Não é fácil.

UOL: Você tem a Fundação Giovane Élber para dar assistência a crianças de rua. Qual foi a motivação em criar esse projeto?

Élber: O projeto foi criado em 1997, quando eu ainda atuava pelo Stuttgart. Sempre na época de Natal, eu distribuía cesta básica para pessoas carentes da minha cidade. Eu me senti na obrigação de devolver aquilo que Deus me deu. Quando eu estava na Europa, eu comecei a ajudar as pessoas lá na minha cidade. Um amigo teve a ideia de bolar um projeto para ajudar as crianças, tirá-las da rua, para que elas possam ter assistência e estar em lugar seguro enquanto o pai e a mãe trabalham. As crianças vão cedo para a escola do município, depois vão para o projeto e participam de recreação, obtêm auxilio escolar e alimentação. É muito gratificante, depois de tanto tempo, eu encontrar pessoas na cidade que vêm agradecer por terem sido incluídas no projeto, que atende 200 crianças.

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