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Candidato fala em trabalho árduo para resolver problema financeiro do SPFC

Olten Ayres de Abreu Jr. - Divulgação
Olten Ayres de Abreu Jr. Imagem: Divulgação

José Eduardo Martins

Do UOL, em São Paulo

12/07/2020 12h00

Além da retomada das competições após a quarentena por causa da pandemia do novo coronavírus, os bastidores do São Paulo são agitados pela proximidade das eleições. Em dezembro, serão escolhidos os substitutos de Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, na presidência do executivo, e Marcelo Pupo, no Conselho Deliberativo. Candidato já confirmado da chapa chamada de coalização, Olten Ayres de Abreu Jr., falou com exclusividade ao UOL Esporte sobre a situação do clube.

Postulante à vaga de Pupo, o advogado se mostrou preocupado com a crise financeira do Tricolor. Na última temporada, o São Paulo fechou o seu balanço com déficit de R$ 156 milhões. Neste ano, atrasou os salários em carteiro dos jogadores do time profissional mesmo antes da pandemia e abriu 2020 com mais de R$ 100 milhões de dívida com instituições bancárias.

"Será um trabalho árduo e não será resolvido da noite para o dia. Esse desafio precisa ser enfrentado a partir de várias frentes de trabalho. Nossa proposta envolve, entre outros pontos, renegociar e alongar dívidas, implementar uma política de austeridade e de meritocracia, com metas claras desde a base até a diretoria. Sanar a dívida não será fácil, não será rápido, mas é uma tarefa que precisa ser encarada com seriedade e muito trabalho. Um fator que precisará ser levado em conta é o cenário pós-pandemia, com os obstáculos que isso deverá trazer para todos os clubes, mas que temos certeza que vamos conseguir superar juntos", disse Olten.

Júlio Casares está confirmado nesta mesma chapa como o candidato ao executivo. A dupla conta com o apoio de oito grupos de conselheiros. Do outro lado, ainda será realizada a convenção no dia 8 de agosto para a definição dos candidatos. Marco Aurélio Cunha, Roberto Natel e Sylvio de Barros aparecem como os concorrentes.

Já Marcelo Marcucci Portugal Gouvêa aparece como o provável postulante ao Conselho Deliberativo. Nas últimas semanas, José Roberto Ópice Blum e Homero Bellintani abriram mão de suas candidaturas e decidiram mudar de lado para apoiar Olten.

"É uma grande satisfação poder contar com nomes como os de José Ópice Blum, Homero Bellintani Filho, Ives Gandra Martins, só para citar os que recentemente manifestaram apoio. A união de forças em torno do que é melhor para o São Paulo é o nosso mote. Fazemos uma campanha propositiva e, a cada dia, isso tem se reforçado a partir das nossas colocações e da exposição de nossas ideias. Queremos ver um São Paulo forte, e vamos precisar da força de todos os que acreditam nesse projeto", disse Olten.

Confira a entrevista com o candidato Olten Ayres de Abreu Jr.:

Análise da atual gestão

É uma gestão que deixará problemas para serem resolvidos. O principal deles é o desequilíbrio financeiro, sobretudo no futebol, com contratações que nem sempre levaram em conta o custo-benefício, ou com erros de avaliação que provocaram acordos com valores ou tempo de vigência (às vezes ambas as coisas) que não foram os melhores para o clube. E isso fica claro quando vemos que mesmo com todos os gastos que foram feitos os títulos ainda não voltaram.

Desafio de ser candidato

A minha relação com o São Paulo é profunda, uma herança de família. Cresci dentro do São Paulo, e o São Paulo é minha casa, é uma vida inteira dentro do clube. E quando nossa casa está com problemas, não a abandonamos, não a deixamos piorar. Sempre iremos fazer tudo o que podemos para que a situação seja solucionada. É esse sentimento que guia minha conduta como conselheiro vitalício e, agora, que será o norte de minha liderança no Conselho Deliberativo caso eu tenha a honra de ser eleito.

Oposição ou situação?

Esta eleição tem uma característica muito peculiar, que é a mistura de forças nos dois lados da disputa. A coalizão Juntos Pelo São Paulo, por exemplo, é fruto da união de oito grupos de tendências e posições políticas diversas. Nossa chapa é formada tanto por membros que integram ou integraram a atual gestão como por outras pessoas que fizeram oposição ao Leco na eleição passada, como é o meu caso e também o do ex-presidente José Eduardo Mesquita Pimenta Estamos juntos pelo que é mais importante agora, que é pensar no que é melhor para o São Paulo Futebol Clube.

União com Júlio Casares

Nos unimos por nossas divergências, que nos aproximou ao debatermos ideias, sempre com respeito mútuo. Cada um de nós tem seus pontos de vista, mas temos em comum a paixão pelo São Paulo e queremos o melhor para o clube que amamos. O que realmente importa nesse momento é ver o São Paulo vencedor novamente. E, para isso, é preciso todo o esforço e toda a ajuda possível. Por isso estamos juntos. Juntos pelo São Paulo, como expressa o nome da nossa chapa.

Terá mudança estatutária?

O estatuto passou por uma reforma recentemente, mas é importante sempre olharmos para aquilo que podemos melhorar. O Conselho de Administração é um bom exemplo. Queremos dar mais autonomia e transparência ao órgão e para isso é preciso que ninguém concentre poderes ao ocupar tanto a sua presidência quanto a da diretoria, que é um dos ajustes que queremos fazer.

Fim de remuneração para conselheiros

A mistura de atuação política com função profissional não pode acontecer. Não agrega nada de produtivo para o clube. Os conselheiros são representantes de um dos Poderes do clube e, nessa condição, precisam seguir certas normas para que suas funções sejam cumpridas plenamente. O movimento que culminou com a proibição da ocupação de conselheiros em cargos remunerados nasceu a partir de uma reunião na minha casa, que deu origem à ideia de apresentar a emenda no estatuto que veta essa situação.

Divisão de grupos políticos no São Paulo

Para mim é simples: há quem está com o São Paulo, que quer ver o clube prosperar, que coloca a coletividade acima dos interesses pessoais e que apesar da discordância de pontos de vista, se propõe discutir soluções e a construir caminhos. Esse é o grupo que está empenhado em unir forças, relevando as diferenças políticas para que isso aconteça. E, do outro lado, há quem coloca seus interesses individuais acima do coletivo.

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