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Juninho e Leonardo foram além de só "ex-ídolos" ao atingir cargos na França

Juninho Pernambucano em entrevista coletiva no Lyon - Romain Lafabregue/AFP
Juninho Pernambucano em entrevista coletiva no Lyon Imagem: Romain Lafabregue/AFP

João Henrique Marques

Colaboração para o UOL, em Paris (França)

10/07/2020 08h37

Pivôs de uma indisposição em declarações essa semana, Juninho Pernambucano e Leonardo chamam a atenção na França por algo incomum para profissionais do futebol brasileiro: estes atuarem em cargos de direção técnica ou administrativa em grandes clubes europeus. O primeiro é o atual diretor esportivo do Lyon, enquanto o segundo ocupa mesma função no Paris Saint-Germain.

Os dois clubes hoje estão, no aspecto técnico, entre os tops da Europa se considerar os times da fase final da Champions League. O PSG já está nas quartas de final, entre os oito melhores, enquanto o clube de Juninho, com bem menos aporte financeiro, está nas oitavas e ganhou o duelo de ida da Juventus, de Cristiano Ronaldo, por 1 a 0 -joga pelo empate pra estar entre os oito melhores.

A trajetória pra ocuparem posições de referência passou também, claro, pelo fato de terem sido ídolos e campeões por estes quando eram jogadores. Mas só isso não bastaria em um continente que os clubes exigem bom repertório dos integrantes destas funções, e que nem sempre são ocupados por ex-jogadores.


O pontapé inicial para serem cobiçados não seria dado sem a fluência da língua francesa, algo que carregam desde os tempos em que jogaram no país. A isso se acrescenta o fato de que mesmo quando deixaram os então ex-times, sempre tiveram bons trâmites por lá, mantendo contatos. Mas isso não seria suficiente sem preencher outro quesito básico para qualquer um atuar como cartola na Europa: no currículo, os dois passaram pelo curso de Mestrado Executivo da Uefa para especialização no cargo de dirigente.

Tanto no caso de Juninho como de Leonardo, uma coisa que agradou no perfil de ambos na visão de seus clubes é o fato de serem considerados pulso firme, algo que as duas diretorias entendiam ser chave para que pudessem impor respeito ao grupo de jogadores. No caso de Leonardo, que já teve antes passagem pelo PSG em cargo diretivo, e até na Inter e Milão e Milan como treinador, pesou também o fato de ser poliglota (fala português, inglês, francês, italiano, espanhol e até japonês), o que é tido como um trunfo para negociações.

Outro ponto de Leonardo que agrada os fanáticos pelo PSG está no volume de declarações oficiais. Esse era uma das principais críticas aos dirigentes do clube na gestão Qatar. Desde que o dirigente brasileiro retornou ao clube, os principais assuntos são tratados publicamente. A mais recente exposição foi justamente um contra-ataque ao posicionamento de Juninho sobre a gestão de carreira de Neymar.


Linha dura de ambos causou rusgas

Na gestão dos brasileiros o pulso firme deixou algumas rusgas com os elencos. No PSG, Leonardo é ignorado por Neymar basicamente pela análise do jogador de que o dirigente fez um jogo de cena na negociação com o Barcelona há um ano. O atrito se estendeu ao vestiário com Leonardo criticando internamente festas até mesmo familiares do grupo e decidindo colocar um fim ao ciclo de Thiago Silva e Cavani no PSG.

Já no Lyon, o problema maior de Juninho foi tocar no meio-campo francês Lucas Tousart, de 23 anos. O dirigente brasileiro irritou a ala francesa do elenco ao dizer publicamente que o time precisava de um "jogador mais refinado" para a posição. Tousart teve apenas 10 jogos com o time na temporada e em uma transação atípica foi vendido ao Hertha de Berlim, da Alemanha, para jogar pelo clube somente a partir da próxima temporada.

A idolatria no Lyon ainda fez Juninho resistir à pressão interna por ser o cabeça da contratação de Sylvinho para ser treinador de um time pela primeira vez na carreira. O auxiliar de Tite na seleção brasileira na Copa do Mundo fracassou no clube francês ao ser demitido após 11 jogos na temporada, com três vitórias, quatro empates e quatro derrotas. O Lyon teve seu pior início de Campeonato Francês desde a temporada 1995/96, quando fez os mesmos nove pontos em nove rodadas. O time agora ocupava a 14ª colocação quando Sylvinho foi demitido.

O moral prestígio interno de Juninho foi recuperado meses depois com a contratação do brasileiro Bruno Guimarães. Ele contornou a preferência do meio-campo de acerto com Atlético de Madrid ou Benfica com discurso de plano de carreira e várias oportunidades como titular. Bruno chegou ao clube em janeiro e é visto como o melhor reforço da temporada.


Idolatria por motivos diferentes

No Lyon, Juninho tem o rosto estampado no maior bandeirão da torcida em jogos em casa. É considerado pela grande maioria fãs como o jogador mais importante da história do clube por conta do histórico heptacampeonato francês conquistado entre 2002 e 2008.

Em visita recente às lojas do clube em Lyon, o UOL Esporte ouviu dos funcionários que a grande maioria dos produtos comercializados ainda levam o nome de Juninho. Seja a camisa 8 utilizada no heptacampeonato ou outros produtos como chaveiro, cadernos e cachecol.

Já Leonardo é figura de grande aceitação entre os fãs do PSG por conta do trabalho de bastidores. Ele foi o primeiro dirigente da era Qatar no clube e teve atuação capital para a contratação de vários reforços de peso, como Verratti, Maxwell, Ibrahimovic, Thiago Silva, Thiago Motta, Pastore, Marquinhos e Cavani.

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