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Brasileiro líder de gols da Chuteira de Ouro teve ajuda de Micale no Galo

Brasileiro de 24 anos vive fase artilheira na Grécia - Divulgação/Ofi Crete
Brasileiro de 24 anos vive fase artilheira na Grécia Imagem: Divulgação/Ofi Crete

Thiago Tassi

Colaboração para o UOL, em São Paulo

09/07/2020 04h00

Ranking que elege o artilheiro da Europa por temporada, a Chuteira de Ouro de 2019/20 conta com uma surpresa quando o assunto é jogadores brasileiros: João Figueiredo, que atua no OFI Creta, da Grécia, é o 'top 4' e o atacante que mais balançou as redes entre os nomes do país. São 20 gols até o momento.

Revelado pelo Atlético-MG em 2016, o centroavante conta ao UOL Esporte que virou camisa 9 nas mãos do treinador Rogério Micale, ainda nas categorias de base do Galo. O bom desempenho na posição de matador, à época, o fez trocar a função de 10 pelo ataque de forma definitiva.

"No sub-20, quando eu fui para uns campeonatos na Holanda e na Alemanha, com o Micale, tínhamos só um centroavante, que se machucou no primeiro jogo. Aí, ele me colocou de centroavante, e eu fui artilheiro nos dois campeonatos. Depois disso, só fiquei de centroavante. Fui bem e fiquei nessa posição para sempre", conta o atacante de 24 anos.

O técnico campeão olímpico em 2014 com a seleção brasileira, aliás, marcou a fase final na base. "Ele [o Micale] é muito bom treinador. A gente saía do treino dele como se saísse de uma aula. É muito bom taticamente."

Depois de jogar apenas três jogos do Brasileirão de 2016 pelo Atlético, o jogador foi emprestado ao Democrata no ano seguinte para disputar o Campeonato Mineiro. Quando a competição estadual foi encerrada, voltou ao Galo e frequentou o time B.

Sem espaço numa equipe estrelada e com atacantes de peso — o time contava com Lucas Pratto e Fred, quando o jovem foi lançado —, João foi tentar a carreira na Europa. É assim que se destacou no Kaunas Zalgiris (Lituânia) no primeiro semestre de 2019 e foi contratado pelo OFI, em agosto do ano passado.

Hoje titular na Grécia e com 11 gols pelo OFI, ele se diz adaptado ao futebol europeu. Tanto que é não pensa em voltar ao Brasil tão breve. "Por ora, não [voltaria ao Brasil]. Meu plano agora é mais fazer carreira na Europa e, quando for mais velho, voltar para o Brasil, mais para o fim mesmo", revela.

O jogador, que se considera ambidestro, diz acreditar que se dá melhor no Velho Continente, que privilegia um futebol em sua maioria de força, velocidade e disciplina tática. Ele aguarda agora a disputa dos jogos de mata-mata da Liga Europa da próxima temporada. Seu time entra na terceira de cinco preliminares antes da fase de grupos.

"Na liga [grega] estava sendo titular. Só que como classificamos aos playoffs de cima [na Grécia], e como já estamos classificados para a Liga Europa, o treinador está revezando. Até por conta da pandemia [do novo coronavírus], também, troca bem por jogo."

Chuteira de ouro 2019/20

Atacante João Figueiredo, brasileiro do Ofi Crete, da Grécia - Divulgação/Ofi Crete - Divulgação/Ofi Crete
Imagem: Divulgação/Ofi Crete

O polonês Robert Lewandowski reina absoluto no ranking dos artilheiros da temporada na Europa, com 34 gols e 68 pontos na contagem (o Bayern de Munique ainda tem a fase final da Liga dos Campeões para jogar). As ligas têm peso por gol, e as principais, por exemplo, somam dois pontos a cada tento.

Figueiredo soma 20 gols. Na contagem, vale a ressalva, é considerado o primeiro semestre de jogos que disputou na Lituânia, já que o futebol por lá é anual.

Desta forma, ele é o quarto brasileiro do ranking, com 25 pontos, atrás de João Pedro Galvão, do Cagliari, que tem 34 pontos (17 gols); Neymar, do PSG, com 26 pontos e 13 anotados; e Carlos Vinícius, do Benfica, que soma 25.5 pontos e 13 gols em Portugal. O quinto colocado é João Klauss, do Lask Linz (Áustria), com 18 pontos e 12 bolas nas redes.

De longe, pai 'fica em cima' e dá dicas

João Figueiredo mora sozinho na Europa. A família, que vive em São Paulo, acompanha o desempenho do camisa 20 à distância. Principalmente o pai, que não conseguiu seguir carreira no futebol na juventude e 'fica em cima' como pode, como conta o jogador.

"Meu pai jogava, não chegou a ser profissional, mas porque teve que parar. Era o filho mais velho, teve que trabalhar, teve lesão também", afirma. "Todo dia, depois de jogo, ele me liga. Para falar coisa boa e coisa ruim também que eu fiz [risos]."

É bem provável que o pai esteja gostando das atuações e dos números do filho na temporada, ainda que o OFI tenha três partidas até o encerramento do torneio nacional.