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Roger Machado cita 'barreiras invisíveis' para negros no futebol brasileiro

Roger Machado durante entrevista no novo CT do Bahia, em Salvador - Darío Guimarães Neto/UOL
Roger Machado durante entrevista no novo CT do Bahia, em Salvador Imagem: Darío Guimarães Neto/UOL

Colaboração para o UOL, em São Paulo

25/06/2020 19h30

O treinador Roger Machado, do Bahia, declarou que o futebol - assim como a sociedade brasileira - impõe barreiras invisíveis para os negros. O técnico argumentou que essas barreiras podem ser identificadas fora do campo, nos espaços de poder do esporte, onde a proporção entre brancos e negros se torna desigual.

"Eu vejo que o futebol repete, reproduz e amplifica a sociedade brasileira. Assim como fora do futebol, dentro há diversos tipos de preconceito. E é evidente que há o preconceito de cor nas esferas e estruturas do futebol, pois os espaços não são preenchidos proporcionalmente pela presença dos negros no esporte. À medida que saímos do campo, temos barreiras invisíveis que impedem a ascensão dos negros aos espaços de poder. (...) E o futebol também reproduz o discurso da sociedade de que não há racismo, mesmo quando, na prática, ele pode ser identificado", disse o técnico em entrevista ao Expediente Futebol, do Fox Sports.

Efeito 7 a 1

Roger Machado ainda falou sobre o impacto do 7 a 1 no futebol brasileiro. O treinador acredita que o desempenho do Brasil na Copa do Mundo de 2014 fez com que uma geração inteira de treinadores fosse considerada obsoleta.

O técnico acredita que, de certa forma, ele mesmo foi beneficiado pelo 'efeito 7 a 1', que deu espaço para treinadores mais jovens no país.

"Acho que o futebol brasileiro tem treinadores modernos e atualizados, mas os acontecimentos da Copa de 2014 jogaram uma cortina de fumaça sobre eles. Eu penso muito nisso porque eu mesmo só estou aqui por ter ocupado esse espaço. Uma geração de treinadores foi considerada culpada pelo mau resultado da seleção brasileira e os times buscaram novos técnicos. Mas esses treinadores estão voltando e conseguindo o reconhecimento merecido, como o próprio Felipão, que, depois do 7 a 1, venceu muito na China, em confrontos contra alguns dos grandes treinadores europeus. Depois, ainda questionado, voltou ao Brasil e venceu mais uma vez. O Luxemburgo, que me ensinou muito no Grêmio, praticamente teve que criar um canal no YouTube para convencer as pessoas que entende de tática. E agora voltou a ganhar reconhecimento do mercado", ponderou.

Retorno das atividades

Para Roger Machado, a diferença de datas na volta dos treinamentos dos clubes não deve influenciar no rendimento das equipes. O treinador do Bahia, porém, se preocupa muito com o tempo de paralisação dos atletas.

"Era impossível imaginar o retorno uniforme dos clubes aos treinamentos. Até pela diferença do avanço do Coronavírus em cada estado. Eu penso que se uma equipe treinar 30, 40 dias e a outra treinar o dobro do tempo, não vai ter muita diferença, pois estamos acostumados a um tempo curto de preparação aqui no Brasil. O que nos preocupa mesmo é o tempo que os atletas ficaram parados. Isso sim é anormal. Já são cem dias seguidos. (...) Agora, é prematuro o retorno das competições por tudo o que a gente está vivendo", completou.

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