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No Flu, Hudson critica pressa por volta do Carioca: "Falta de humanidade"

Hudson foi um dos líderes do manifesto de jogadores do Fluminense contra o retorno do futebol - Lucas Merçon/Fluminense FC
Hudson foi um dos líderes do manifesto de jogadores do Fluminense contra o retorno do futebol Imagem: Lucas Merçon/Fluminense FC

Caio Blois

Do UOL, no Rio de Janeiro (RJ)

24/06/2020 09h07

Um dos líderes do elenco do Fluminense, Hudson representou as ideias dos jogadores e criticou o retorno do Campeonato Carioca. O volante estranhou a pressa pela volta, já que em outras competições do país.

"'É uma questão de bom senso. Saber que os outros estaduais vão começar em meados de julho e o Carioca terminar antes, então esse novo período sem jogo traz dificuldades em ritmo de jogo, sequencia, padrão tático, técnico. Não dá para entender essa pressa. Estamos aqui para cumprir as nossas obrigações, mas acredito que é um momento para esperar um pouco mais", opinou.

Titular da equipe de Odair Hellmann, o experiente jogador foi o escolhido para atender a imprensa na primeira entrevista coletiva online do clube durante a pandemia do coronavírus.

Após o STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) marcar a reestreia do Tricolor no Estadual para o dia 28, o elenco do Flu jogará sob protesto, conforme comunicaram em manifesto no dia 17.

"Partiu da gente o manifesto. A nossa preocupação é com as pessoas que estão morrendo, mas também com a nossa condição física, a possibilidade de se lesionar com mais facilidade. É um desgaste extremamente desnecessário para que o bom senso prevaleça. A gente não programou nenhum protesto ainda. A nossa indignação é visível, ninguém esconde isso, mas ainda não temos uma forma de protestar. Acho que o nosso manifesto foi muito claro", afirmou.

A maior preocupação dos jogadores e da comissão técnica é com a parte física, já que o Fluminense terá apenas nove sessões de treino até o jogo contra o Volta Redonda, no domingo, às 19h, ainda sem local confirmado. Na opinião do volante, as constantes mudanças na tabela, inclusive, atrapalham ainda mais o planejamento.

"Vivemos uma situação de calamidade pública no país inteiro, estamos ainda com números muito altos. Isso tudo ainda é uma preocupação para a gente. E ainda assim temos que pensar em entrar em campo, ter um alto rendimento. A gente entra no campo para treinar e tenta esquecer qualquer fator externo, mas a preparação é prejudicada por conta dessas idas e vindas de horário e local. Se o jogo for daqui a cinco dias, a gente pode pegar pesado por mais dois dias, por exemplo", disse.

"A nossa preocupação continua. Dez dias são pouco, mas vamos ter que superar isso. Tempo de preparação curtíssimo após mais de três meses parado. Temos que superar tudo isso e procurar fazer o melhor jogo possível e honrar a camisa do Fluminense, o trabalho que nosso presidente tem feito, que está nos dando orgulho. É uma situação inusitada, que temos que superar", disse.

Hudson manteve a postura crítica ao se colocar contra o retorno do futebol. Para ele, é uma situação de "falta de humanidade" dos defensores da volta apressada da competição.

"É lógico que é muito difícil jogarmos futebol, que é o esporte do país, que comove o país inteiro, que é a paixão de milhares de torcedores que vivem por isso e parecer que não está acontecendo nada lá fora. O maior exemplo disso é o Maracanã, que tem um hospital de campanha dentro do complexo e a gente fazer um gol e ter uma pessoa morrendo do lado. Isso é, no mínimo, estranho, é falta de humanidade. É não pensar no próximo".

"A gente tem noção das coisas quando acontece perto da gente, com um familiar, com um parente próximo, e talvez as pessoas responsáveis por toda a programação, pelo calendário, não estejam agindo com a maior humanidade possível, estejam agindo por interesses externos e internos. Infelizmente, como jogadores de futebol, teremos que superar tudo isso para poder estar em campo e atuar em alto rendimento"

Por fim, Hudson elogiou bastante o posicionamento do Fluminense na gestão do retorno ao futebol. Além disso, também aproveitou para comentar a iniciativa #ÉpeloFlu, que promove associação em massa ao clube.

"O Fluminense está sendo um exemplo para ser lembrado nessa situação. A torcida, como sempre, está apoiando o clube. A gente recebe mensagens diárias de incentivo ao nosso posicionamento nas redes sociais. Os torcedores estão se esforçando ao máximo para ajudar o clube. Eles tem dado exemplo de abraçar o clube em um momento difícil. É exemplar a atuação da torcida e nos motiva ainda mais".

Confira a íntegra da coletiva de Hudson:

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