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Vingança de Cavani à diretoria do PSG é tida como "traição" por torcedores

FRANCK FIFE / AFP
Imagem: FRANCK FIFE / AFP

João Henrique Marques

Colaboração para o UOL, em Paris (França)

23/06/2020 04h00

Classificação e Jogos

Edinson Cavani, o maior ídolo da torcida do Paris Saint-Germain entre os jogadores do atual elenco, virou as costas para o clube. Essa é a análise que toma conta da grande maioria dos fãs do PSG, surpresos com a recusa do uruguaio em aceitar uma extensão de dois meses de contrato para concluir com o time a Liga dos Campeões —a fase final será disputada em agosto. A bonita história do atacante no clube francês terminou com saída pela porta dos fundos.

A saída prematura de Cavani choca os fanáticos pelo PSG. O uruguaio é o maior goleador da história do clube, com 200 gols, em 301 jogos. São 21 títulos conquistados no total.

Na pesquisa com mais de 3 mil votos no jornal francês Le Parisien, 67% responderam com o "não" a pergunta: você compreende a saída de Cavani do PSG? O tema dominou o noticiário esportivo do país na segunda-feira (22). No dia da reapresentação do time para treinamentos, o uruguaio nem foi ao clube.

"Cavani sempre diz ser maltratado. Ibrahimovic foi o grande lobo mau que impediu Cavani de jogar na linha central. Na briga dos pênaltis, a culpa é de Neymar. Cavani é Deus na Terra. Se Ibrahimovic ou Neymar fizessem isso, imagina o que teríamos ouvido", explanou o jornalista francês Philippe Sanfourche em comentário no canal de telivisão RTF.

Na principal torcida organizada do PSG, o Le Collectif ultras Paris (CUP), a posição atual é de que precisam entender as razões de Cavani antes de comentários sobre o tema. A cobrança ao grupo de fãs marcado por xingar Neymar nesta temporada é intensa por parte da mídia francesa. O grupo CUP é chamado de maneira irônica de Cavani ultras Paris por grande parte da torcida do PSG.

Já na organizada de uma menor adesão, a Block Parisii, as postagens em rede social em homenagem a Cavani feitas após o clube anunciar na semana passada a saída do jogador ao fim da temporada foram apagadas. Ninguém esperava que a decisão do uruguaio fosse a de nem mesmo concluir as finais da Copa da França (contra o Saint-Etienne) e da Copa da Liga da França (diante do Lyon), além da Liga dos Campeões, uma vez que o time está classificado às quartas de final.

"É algo surrealista. O cara se recusa a jogar os três jogos mais importantes da história do PSG, sendo um ídolo nosso. Não tem como manter essa idolatria", opinou um dos membros da organizada, o francês Attilio Susi.

Vingança de Cavani é rebatida no PSG

No entorno dos brasileiros do clube, Marquinhos, Thiago Silva e Neymar, a informação em comum é a de que Cavani ficou furioso com a recusa da diretoria do clube francês em o liberar para o Atlético de Madri em janeiro, seis meses antes do fim do contrato. O atacante teria se vingado da diretoria do PSG sem acertar a renovação por somente mais dois meses, e já tendo um contrato garantido com o clube espanhol para a próxima temporada.

De pessoas próximas de Cavani chegam informações ao redor do aspecto físico. O argumento básico para saída antecipada do PSG é o risco de lesão em jogos de alta intensidade. Rapidamente, isso foi rebatido nos bastidores do clube.

"O Cavani teve a proposta de seguir por dois meses com o mesmo salário e recusou. Ele é pequeno. Não acredita que o PSG possa ser campeão da Champions", disse uma fonte da diretoria à rádio francesa RMC.

Na análise da diretoria do PSG, Cavani era peça importante justamente para a fase eliminatória da Liga dos Campeões. Tanto que o uruguaio foi titular no último jogo do time, a vitória por 2 a 0 contra o Borussia Dortmund, que garantiu a vaga para as quartas de final da Champions.

"Ele é um jogador que sempre dá tudo, não há nada a dizer. Mas hoje, vamos abrir os olhos. Se ele já assinou em outro clube, saia da toca e assuma. Para de fingir que foi maltratado pelo PSG", esbravejou o jornalista francês Philippe Sanfourche.