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Grêmio e Inter se alinham contra 'MP do Flamengo': "Imaturidade política"

Romildo Bolzan Jr. e Marcelo Medeiros estão unidos em crítica à MP que muda venda de direitos de transmissão - Lucas Uebel/Grêmio FBPA
Romildo Bolzan Jr. e Marcelo Medeiros estão unidos em crítica à MP que muda venda de direitos de transmissão Imagem: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Jeremias Wernek

Do UOL, em Porto Alegre

20/06/2020 04h00

A dupla Gre-Nal está alinhada contra a Medida Provisória 984/2020, que alterou a lógica dos direitos de transmissão no futebol brasileiro. Grêmio e Internacional entendem que o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), se equivocou ao assinar o texto sem debate prévio. A chamada 'MP do Flamengo' foi pauta de reunião de ontem (19) entre os dirigentes gaúchos.

Marcelo Medeiros, presidente do Internacional, e Romildo Bolzan Jr., mandatário do Grêmio, falaram sobre a assinatura da MP e os efeitos políticos no futebol verde e amarelo.

"Da maneira que foi encaminhada, me parece que a demanda atendeu a interesse específico. É um ato muito pequeno e de enorme problema, enorme consequência. Consequência que pode ser boa ou ruim. O cerne de tudo está a forma como foi encaminhado: completamente sem debate prévio. É de imaturidade política, que... Bom, nem vou adjetivar. Mas nos joga no centro de um problema que é discussão da Globo com o governo federal. É tudo que não precisávamos agora. O que vai acontecer, no mérito, não posso dizer. Mas a forma como isso tudo foi encaminhado, de maneira solitária por um clube, sem a mínima preocupação de debate...", disse Romildo Bolzan Jr., presidente gremista, em entrevista à Rádio Guaíba.

A insatisfação é justamente pelo fato da revisão de regras não ser tema urgente. O Grêmio tem contrato com a Globo para todas as plataformas até 2024. O Inter possui vínculo de TV fechada com o Grupo Turner até dezembro e compromisso nas outras modalidades com a Globo, igualmente até o fim de 2024.

Bolzan revelou conversa com Medeiros e disse que os dirigentes estão 'muito alinhados' sobre o tema. Integrante da Primeira Liga, o presidente gremista chegou a dizer que os clubes ficam com construção política fragilizada pela publicação do texto.

"Tem clubes que acham boa a medida. Alguns se manifestaram publicamente achando interessante a MP. Como não discutimos nada, estamos divididos mais uma vez. E nos dividiram para atender uma situação especifica, vamos combinar que é bem especifica", declarou o dirigente do Grêmio.

Pelo Twitter, o presidente da República, Jair Bolsonaro, comentou a MP e disse que está democratizando o futebol brasileiro ao dar ao clube mandante o direito de comercializar os direitos das partidas.

"Se fosse democratizar, ouviria a todos", comentou Bolzan. "Os clubes deveriam se posicionar para não serem engolidos por um debate que não provocaram. Estamos com 70% dos contratos de TV suspensos e não sabemos o que vem pela frente. A que serve essa MP? O que está por trás disso? Tenho muitas preocupações e temos que reagir. Reagir devolvendo a MP ao governo e abrindo debate. Temos mais três anos e meio de contrato pela frente. Então, de repente se acha um bom termo negocial para todos. Mas em meio à crise se gera esse problema. Não entro no mérito, mas no âmbito político", acrescentou.

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