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Corintiano demitido após ato reforça perseguição e diz que acionará empresa

Emerson Osasco se tornou símbolo de resistência em manifestação contra o fascismo e o racismo - Annelize Tozetto/Divulgação
Emerson Osasco se tornou símbolo de resistência em manifestação contra o fascismo e o racismo Imagem: Annelize Tozetto/Divulgação

Adriano Wilkson

Do UOL, em São Paulo

13/06/2020 18h13

Presente em um protesto contra o fascismo no último dia 31, o torcedor corintiano Emerson Osasco ganhou notoriedade nas redes sociais por erguer o punho no meio da Avenida Paulista e repetir o gesto do grupo antirracista Panteras Negras. Por outro lado, a repercussão do caso pode ter tido um impacto negativo em sua carreira, pois ele teve seu contrato de trabalho como desenvolvedor de software rescindido um dia após a manifestação. A polêmica ainda se mantém, pois ele acusa sua ex-empregadora de perseguição política.

A multinacional Softtek, empresa de tecnologia fundada em 1982 no México, com filial em Barueri (SP), que tinha Emerson contratado como pessoa jurídica, negou razões políticas na demissão, disse que investigaria o relato e ainda afirmou que ofereceu ao empregado nova modalidade contratual, que teria sido recusada. O corintiano nega o episódio.

Por meio de um comunicado enviado ao UOL Esporte, Emerson Osasco diz que estuda acionar a empresa judicialmente. "Ao invés de assumir seu erro, a empresa reproduz uma lógica histórica de distorcer a realidade e tenta me colocar na condição de mentiroso. Mas dessa vez, essa lógica não prevalecerá. Como disse, estou estudando as melhores alternativas jurídicas junto com os meus advogados", cita um trecho.

O torcedor do Corinthians, que é diretor e conselheiro da torcida Gaviões da Fiel, além de lutador de muay thai, ainda anexa o registro de uma conversa em aplicativo de mensagens. Um contato identificado como "Mauro Gerente Sofftek" publica um link em que Emerson aparece no protesto e a seguinte pergunta a ele: "Foi dar rolê na Paulista domingo?".

"No dia 1 de junho, o dia do meu desligamento, fui questionado em um grupo de WhatsApp da empresa sobre a minha participação no ato. A mensagem foi enviada por um dos gerentes da empresa no grupo de prestadores de serviço envolvidos no trabalho com a rede de hipermercados Big. Apenas esse print já é capaz de mostrar que, horas antes da minha demissão, a minha participação no ato já era um assunto no corpo diretivo da empresa", completa Emerson Osasco.

Procurada pela reportagem para comentar as mensagens apresentadas por Emerson e a iminente briga judicial, a Softtek não se pronunciou até a publicação da reportagem. Caso a empresa responda, a nota será imediatamente atualizada.

VEJA O COMUNICADO ASSINADO POR EMERSON OSASCO:

"Quem mente uma vez tem de mentir sempre para poder ocultar a primeira.

Essa semana fui surpreendido com uma nota da empresa Softtek divulgada na imprensa afirmando que minha demissão se deu porque me foi oferecida "outra modalidade contratual", e que eu não teria aceitado.

Isso não é verdade. A própria empresa, ao declarar que instaurou investigação interna para apurar o assunto, demonstra que não acredita totalmente nessa versão.

A empresa deturpa a narrativa de que fui perseguido por minhas posições políticas diante de uma emergência social. Ao invés de assumir seu erro, a empresa reproduz uma lógica histórica de distorcer a realidade e tenta me colocar na condição de mentiroso.

Mas dessa vez, essa lógica não prevalecerá. Como disse, estou estudando as melhores alternativas jurídicas junto com os meus advogados. Como o assunto se tornou público, aproveito a oportunidade para divulgar uma das provas que serão devidamente analisadas pelo poder judiciário:

No dia 1 de junho, o dia do meu desligamento, fui questionado em um grupo de WhatsApp da empresa sobre a minha participação no ato. A mensagem foi enviada por um dos gerentes da empresa no grupo de prestadores de serviço envolvidos no trabalho com a rede de hipermercados Big.

Apenas esse print já é capaz de mostrar que, horas antes da minha demissão, a minha participação no ato já era um assunto no corpo diretivo da empresa.

Mais uma vez tentam colocar um trabalhador preto que sonha com um mundo melhor na condição de mentiroso para encobrir as lógicas sociais que colocaram o Brasil nessa condição. Isso não vai ficar assim."

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