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Como Arena se tornou um peso às finanças do Corinthians nos últimos anos

Arena Corinthians foi inaugurada há pouco mais de seis anos e já recebeu 200 partidas do time corintiano - Pléiades, © Cnes, Distribuição Airbus DS
Arena Corinthians foi inaugurada há pouco mais de seis anos e já recebeu 200 partidas do time corintiano Imagem: Pléiades, © Cnes, Distribuição Airbus DS

Diego Salgado

Do UOL, em São Paulo

11/06/2020 17h43

O Corinthians vive uma intensa crise financeira, com três déficits anuais seguidos e um rombo acumulado de R$ 230 milhões no período. Sem receita de bilheteria há pouco mais de seis anos, o clube teria uma situação menos grave caso não jogasse na Arena Corinthians. Com as rendas dos jogos, fecharia no azul em 2017 e 2018.

As dificuldades do Corinthians passaram a ser mais acentuadas a partir de 2015, justamente a temporada em que ficou sem receita dos ingressos de forma integral. Naquele ano, o clube registrou o primeiro déficit depois de seis temporadas no azul, quando as receitas eram compostas pela venda das entradas das partidas como mandantes, disputadas, sobretudo, no Pacaembu.

"A Arena tem impacto positivo na moral do torcedor, entretanto, sob o ponto de vista financeiro, hoje é mais um problema que uma solução, pois retira uma das fontes mais importantes de renda do clube, que é a bilheteria, ainda que ajude na construção do modelo de sócio-torcedor", disse Cesar Grafietti, consultor de finanças e gestão do esporte.

Em 2017, por exemplo, o déficit corintiano atingiu R$ 35,1 milhões. No mesmo período, o time jogou 34 vezes em Itaquera, com renda bruta de R$ 63,7 milhões e lucro de R$ 40,6 milhões, superior, portanto, às perdas dos 12 meses. Na temporada seguinte, a bilheteria também salvaria o clube do vermelho.

Com déficit de R$ 18,8 milhões, o Corinthians viu a renda bruta das 35 partidas atingir R$ 57,8 milhões, com lucro de R$ 38,5 milhões. Se pudesse contar com essa receita, o superávit seria de quase R$ 20 milhões.

"Não chega a ser uma novidade, pois desde o início não foram poucos os alertas sobre isso. Em algum momento no futuro será positivo, mas ainda está longe", ressaltou Grafietti.

Se jogasse, por exemplo, no Pacaembu, a receita estaria no mesmo patamar. É isso que os números mostram. Nos 200 jogos disputados na Arena em seis anos, a renda líquida atingiu R$ 222 milhões. Média anual de R$ 37 milhões.

A receita de bilheteria obtida pelo clube em 2013, quando atuava no Pacaembu, atingiu R$ 32,1 milhões, segundo balanço do próprio clube. No ano anterior, ela chegou a R$ 35,1 milhões.

Em relação aos resultados em campo, Arena Corinthians e Pacaembu registram números parecidos. De 2008 a 2014, o Corinthians conquistou sete títulos enquanto atuava no estádio municipal. De 2014 a 2020, com a Arena, levantou cinco troféus.

Vale lembrar que, desde a abertura da Arena, toda a renda obtida com eventos do estádio é destinada ao pagamento do estádio. Dessa forma, o clube conta com outras três grandes receitas fixas: TV, publicidade e sócio-torcedor. Eventualmente, conta com premiação e venda de jogadores.

Veja os resultados das contas e a bilheteria na Arena

2017
R$ 35,1 milhões (déficit)
R$ 40,6 milhões (34 jogos)

2018
R$ 18,8 milhões (déficit)
R$ 38,5 milhões (35 jogos)

2019
R$ 177 milhões (déficit)
R$ 38,7 milhões (38 jogos)

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