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Agente recebia bonificação do Cruzeiro a cada aumento de Thiago Neves

Thiago Neves assinou contrato ao lado do agente Leandro Lima (à direita) no Cruzeiro - Vinnicius Silva/Cruzeiro
Thiago Neves assinou contrato ao lado do agente Leandro Lima (à direita) no Cruzeiro Imagem: Vinnicius Silva/Cruzeiro

Thiago Fernandes

Do UOL, em Belo Horizonte

22/05/2020 04h00

Resumo da notícia

  • O Cruzeiro pagou comissão ao empresário Leandro Lima por cada aumento concedido a Thiago Neves
  • O tema foi abordado no relatório divulgado pela Kroll na última segunda-feira (18), sem identificar os envolvidos
  • O caso não é ilegal, de acordo com o documento, mas é considerado inusual
  • "Essas comissões, apesar de não serem irregulares, podem ser consideradas inusuais", diz o relatório
  • A análise foi durante a gestão passada, mas o jogador chegou ao clube com Gilvan de Pinho, que nega a cláusula em seu mandato

O Cruzeiro pagou comissão ao empresário Leandro Lima por cada aumento concedido a Thiago Neves entre janeiro de 2018 e dezembro de 2019. O tema foi abordado no relatório divulgado pela empresa de auditoria Kroll, na última segunda-feira (18), sem identificar os envolvidos. O UOL Esporte apurou que se trata do representante do camisa 10. O caso não é ilegal, de acordo com o documento, mas é considerado "inusual".

"O Cruzeiro pagou R$ 7 milhões em comissões a intermediadores que já atuavam no Cruzeiro, por terem negociado aumento salarial para estes atletas. Além disso, o contrato de um intermediador previa o recebimento de bonificação todas as vezes em que o atleta que ele representava atingisse metas de performance. Essas comissões, apesar de não serem irregulares, podem ser consideradas inusuais e prejudiciais ao Cruzeiro", informou o relatório da Kroll, divulgado à imprensa no início da semana.

Leandro Lima, empresário do meio-campista que atualmente defende o Grêmio, era bonificado a cada aumento concedido a Thiago Neves, mesmo os realizados por metas impostas no vínculo. Portanto, a cada ampliação salarial imposta por cláusulas contratuais, o estafe do jogador recebia uma nova gratificação.

Os pagamentos analisados ocorreram durante a gestão de Wagner Pires de Sá, entre 2018 e 2019. O atleta chegou ao clube em janeiro de 2017, na administração anterior. Os documentos investigados pela Kroll, contudo, não contemplam o que houve nos mandatos de Gilvan de Pinho Tavares, que nega a existência da cláusula durante a sua gestão.

"O contrato dele, depois, foi alterado. O Thiago [Neves] estava sendo pretendido por vários clubes. Ele não viria, só viria se recebesse um salário de R$ 700 mil. Nós dissemos a ele que não pagaríamos, que só pagaríamos se ele chegasse aqui e jogasse um futebol de alto nível, como ele acabou jogando, e fizesse 55 partidas durante o ano. Se ele cumprisse isso, nós passaríamos o salário dele de R$ 400 mil para R$ 700 mil. Foi isso que nós colocamos, não teve nada do que foi acrescentado depois pela gestão do Wagner [Pires de Sá]", disse Gilvan de Pinho Tavares ao UOL Esporte.

"Eles fizeram isso com quase todos os jogadores do Cruzeiro, alteraram os salários deles antes de vencer os contratos, pagando comissão aos agentes deles para renovar antes de precisar renovar. Fizeram uma porção de coisa errada. Essa cláusula [de bonificação ao agente do Thiago Neves] se limitou à gestão do Wagner Pires de Sá", acrescentou.

O ex-presidente Wagner Pires de Sá foi quem se responsabilizou por assinar as documentações de Thiago Neves durante a sua gestão, entre 2018 e 2019. Procurado pela reportagem, o dirigente tratou a situação como normal, mas não quis dar mais detalhes.

"É muito antes [do início da minha gestão] que ele [Thiago Neves] chega. Essa premiação é normal no futebol. Eu já peguei isso andando. Há várias premiações para o empresário quando você contrata o jogador. Isso deve ter sido firmado assim. Eu, francamente, não posso dar uma resposta melhor, porque não tenho em mãos esses detalhes. Isso vem de algum tempo já. Eu não me lembro de todos os detalhes do contrato, francamente não me lembro. São milhares de contratos diários que passam pela cadeira do presidente", disse Wagner Pires ao UOL Esporte.

Procurada, a assessoria de imprensa de Leandro Lima informou que o agente não irá se manifestar, pois não foi citado no relatório da Kroll ou pelo próprio Cruzeiro. Em seu último ano de contrato — 2019 —, Thiago Neves possuía salário de R$ 480 mil mensais na CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas).

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