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Auditoria vê irregularidades e aumento de gastos no Cruzeiro de Pires de Sá

Wagner Pires de Sá foi presidente do Cruzeiro entre janeiro de 2018 e dezembro de 2019 - © Washington Alves/Light Press/Cruzeiro
Wagner Pires de Sá foi presidente do Cruzeiro entre janeiro de 2018 e dezembro de 2019 Imagem: © Washington Alves/Light Press/Cruzeiro

Thiago Fernandes

Do UOL, em Belo Horizonte

18/05/2020 16h32

O Cruzeiro divulgou, na tarde de hoje (18), a auditoria externa feita pela Kroll Associates Brasil Ltda. A empresa constatou gastos suspeitos e elevados durante a gestão de Wagner Pires de Sá, entre janeiro de 2018 e dezembro de 2019.

Há algumas irregularidades no período, como oferecer direitos econômicos de jogadores em garantia de pagamento de dívida em ao menos dois contratos. A prática é proibida pela Fifa e pelo Regulamento Nacional de Registro e Transferências de Atletas de Futebol da CBF. As despesas e os salários aumentaram em 50% se comparados ao biênio anterior. Veja, a seguir, alguns pontos do relatório:

1) O Cruzeiro ofereceu direitos econômicos de jogadores em garantia de pagamento de dívida em, ao menos, dois contratos, o que é proibido pelo Regulamento Nacional de Registro e Transferência de Atletas de Futebol da CBF e pelo documento equivalente da Fifa. Entre os jogadores relacionados em um dos contratos estava um atleta amador, à época com 9 anos de idade. O Regulamento Nacional de Registro e Transferência de Atletas de Futebol proíbe qualquer transação envolvendo direitos econômicos de menores até que o atleta complete 16 anos.

2) As despesas do Cruzeiro aumentaram em 50% no período entre 2018 e 2019, em relação ao biênio anterior, passando de R$ 770.097.107,00 para R$ 1.180.676.437,00. Os salários, que compõem 20% das despesas do clube, também tiveram um aumento de 50%, saltando de R$ 156.581.352,00 para R$ 234.380.814,00.

3) O Cruzeiro pagou um total de R$ 8.521.311,80 a empresas vinculadas a dirigentes e/ou seus familiares durante o período em análise. As empresas favorecidas eram, em sua maioria, prestadoras de serviços de consultoria e tinham contratos com o clube que abarcavam os serviços perfomados pelos dirigentes em seus cargos. Entre os pagamentos identificados, há empresas em nome de esposas de dirigentes, comissões e pagamentos de rescisão não são previstos em contrato, bonificação de dirigentes por desempenho do time e recebimentos em duplicidade por parte de dirigentes.

4) O Cruzeiro pagou R$ 6.068.078,33 a empresas vinculadas a 52 conselheiros, apesar de o Estatuto Social do clube vedar esse tipo de relação. A Kroll analisou em detalhe pagamentos a 12 conselheiros que recebram acima de R$ 100.000,00 e perfazem 83% de todo o valor pago a esta categoria. Os pagamentos analisados referem-se a contratos de mútuos, serviços de consultoria, advocacia e compras em estabelecimentos. A Kroll ressalta que parte destes pagamentos pode estar relacionada a atividades comerciais regulares, mas não recebeu os dados suporte para confirmar essa hipótese.

5) Um intermediador recebeu comissão de R$ 500 mil pela negociação de um atleta menor amador com o Cruzeiro, o que é vedado pelo Regulamento Nacional de Intermediários da CBF.

6) Um terceiro contrato foi identificado em que o Cruzeiro forneceu a um intermediador 10% dos direitos econômicos futuros de um menor amador, caso este viesse a se tornar profissional e posteriormente ser transferido do clube.

7) O Cruzeiro assinou contratos de intermediação de atletas sem que a participação desses intermediários nas negociações fosse cadastrada na CBF, o que é vedado pelo Regulamento Nacional de Registro e Transferência de Atletas de Futebol. Esses contratos originaram 13 comissões, que somam R$ 13.270.715,00.

8) Foram pagos R$ 2.139.653,74 a empresas de consultoria jurídica, tributária e de engenharia, com descritivo genérico de atividades e sem comprovação de serviços prestados. Além disso, foram pagos R$ 591.250,00 em comissão por negociação de contratos com patrocinadores do Cruzeiro.

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