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Ex-Inter curte Japão e lembra saída do Beira-Rio: "Joguei muito pouco"

Divulgação/Kashima
Imagem: Divulgação/Kashima

Jeremias Wernek

Do UOL, em Porto Alegre

17/05/2020 04h00

Juan Alano se prepara para voltar aos treinamentos nesta segunda-feira (18), em decisão anunciada pelo Kashima Antlers após medidas de autoridades sanitárias do Japão. Destaque do Coritiba no ano passado, o meia-atacante conta as primeiras impressões do futebol japonês e relembra a saída do Internacional, no final de 2018.

Aos 23 anos, Alano ajudou o Inter de uma maneira que não queria (pelo menos agora). A transferência dele ao Kashima Antlers serviu para turbinar as contas do clube gaúcho.

No Japão, Juan Alano convive com um quadro bem diferente do Brasil no combate ao novo coronavírus. O número de casos oficiais é menor e a apreensão é maior com a família, que está do outro lado do mundo.

"Meu pai vai ao mercado e volta com todas aquelas coisas, né? Deixar a roupa na rua e tal. Eu fico com o coração um pouco apertado? Eles podem só estar falando que estão se cuidando, né?", comenta o meia-atacante.

Contratado após boa Série B do Campeonato Brasileiro pelo Coritiba, Juan Alano disputou três partidas oficiais pelo novo clube. Mas antes já havia começado a estudar os jogos e viu um padrão claro em campo.

"É um jogo muito rápido. Joguei contra um time da Austrália e dois contra times japoneses. O jogo é muito intenso, rápido, mas no final do jogo o ritmo cai bastante. A partir de 20, 25 minutos do segundo tempo o jogo fica lá e cá. O Léo, volante que está aqui, me alertou? O time que está perdendo começa a se atirar e quem está vencendo não segura. Não sei se é coisa de japonês, que é ansioso, mas o time que está perdendo se joga. Se atira mesmo e o jogo vira lá e cá. Eu reparei isso, o final do jogo é bem aberto", diz.

A principal diferença, na comparação com o futebol brasileiro, está na velocidade.

"A dinâmica do jogo, a velocidade é muito maior, sem dúvida alguma. Os japoneses são velozes pela genética deles. Mas o jogo é rápido. O domínio e passe deles são muito, muito bons. Quando cheguei, fiquei impressionado com a qualidade técnica deles. Em umas coisas eles são mais atrasados, tipo taticamente, mas a dinâmica de jogo eles são bons. Eles executam muito bem. O japonês é muito concentrado e consegue ir bem nos fundamentos". Se alguns fundamentos são dominados pelos companheiros nipônicos, existe um atributo do jogo que segue longe dos pés e pernas asiáticos. "Não vejo improviso nos japoneses, isso é muito diferente no brasileiro. Aí no Brasil tem muita gente que improvisa facilmente. Por eles terem aqui bom passe e dominio, fazem isso a toda hora. Fazem o simples, o fácil", destaca.

Saída do Internacional

Destaque da base do Inter durante anos, Juan Alano deixou o estádio Beira-Rio sem ter sequência no time principal. O adeus mexe com o meia-atacante.

"Peguei um dos anos mais difíceis do clube. Subi em 2017 e peguei o clube no ano da Série B, foi um ano conturbado e que no início o time não andava? Depois aconteceu de eu jogar, subir e no seguinte a gente ficou em terceiro lugar no Brasileiro, algo que ninguém esperava. Mas eu queria sair para jogar, mas também tinha um pé atrás. Queria fazer carreira no Inter, foram oito anos no clube e tenho identificação enorme com o clube. Me dei bem com todo mundo, todos os treinadores da base ao profissional. Mas na vida a gente tem que tomar decisões e eu precisava jogar. Precisava ter minutos", lembra Juan Alano.

Um dado estatístico segue na ponta da língua do meia e serve como principal argumento para ilustrar a decisão de sair. E uma ponta de frustração também.

"Em dois anos e pouco de profissional de Inter, eu tinha oito jogos e isso é muito pouco. Muito pouco? A circunstância? Tinha muita qualidade (no elenco), a gente entende o lado de ser difícil botar o moleque para jogar, mas optei por ser emprestado. Fui emprestado com aquele pé atrás, mas minha cabeça era sair e depois voltar ao Inter para jogar no clube. Aconteceram coisas no caminho que me trouxeram para o Japão", remonta.

A sensação de ter trocado o Inter pelo Coritiba é confusa.

"Não digo decepcionado, mas queria ter mostrado aos torcedores e quem acreditou em mim que eu poderia jogar no Inter. Infelizmente não deu, mas quem sabe no futuro, né? Ninguém sabe?", aponta

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