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Jogadora do PSG prepara futuro como cirurgiã: 'Sei o valor de ajudar'

Nadia Nadim é jogadora do PSG e prepara futuro como cirurgiã reconstrutiva  - Paris Saint-Germain/Divulgação
Nadia Nadim é jogadora do PSG e prepara futuro como cirurgiã reconstrutiva Imagem: Paris Saint-Germain/Divulgação

Do UOL, em Porto Alegre

27/04/2020 12h14

Nadia Nadim carrega uma história de superação. Nascida no Afeganistão, foi impedida de ir à escola com 11 anos, viu o pai 'desaparecer' quando tinha 12 levado pelo regime Talibã. Apaixonou-se pelo futebol num campo de refugiados na Dinamarca, virou jogadora da seleção do país onde conseguiu nacionalidade, e atualmente defende o Paris Saint-Germain, da França. Mas não sabe por quanto tempo. Ainda que tenha apenas 32 anos, ela já prepara o futuro como cirurgiã.

Nadia é um grande exemplo. É fluente em sete idiomas, rodou o mundo jogando futebol, dá palestras para meninas sobre superação, defende bandeiras relevantes. Ainda assim encontrou tempo para seguir estudando e está prestes a se formar como cirurgiã reconstrutiva.

"Não acho que muitas pessoas possam dizer que experimentaram tudo isso durante a vida. Não quero parecer arrogante, mas acho que tenho mais discernimento do que a maioria das pessoas quando se trata de outros seres humanos, cultura, religião, idioma. Isso foi construído dentro de mim a partir de mundos diferentes", disse em entrevista ao jornal britânico Guardian.

A emoção de fazer um gol importante, segundo ela, é semelhante a que se vive na sala de cirurgia. Situação com a qual conviverá rotineiramente quando optar por pendurar as chuteiras.

"Quando me perguntam: 'Como é fazer um gol?', eu digo: 'É realmente maravilhoso'. Mas experimento emoções e adrenalina semelhantes na sala de operações. Há pouco tempo, joguei um jogo e estava muito cansada, mas logo após a partida ajudei um de nossos médicos em uma cirurgia renal. Fiquei ali por duas horas, na mesma posição, segurando um instrumento para que ele pudesse ver melhor. Eu estava sofrendo em todos os lugares por causa da partida, mas ainda estava me sentindo tão bem e meu pulso estava acelerado. Eu tive essa onda de adrenalina, pensando: Isso é tão legal. Estou literalmente olhando dentro do estômago de alguém", contou. "Chegará um momento em que, como cirurgiã, toda a responsabilidade estará em mim e será a experiência mais extrema que já experimentei", acrescentou.

Ajudar as pessoas, seja com exemplo, gols, ou mesmo uma cirurgia, é algo com que Nadia está acostumada.

"Eu sei o valor de ajudar uma pessoa quando ela não tem esperança. Eu sou um lembrete disso. Toda a ajuda que me foi dada na vida me fez a pessoa que sou hoje. Então, eu realmente quero oferecer essa ajuda. O rosto de alguém pode ser explodido e é difícil para eles existirem. Vou devolver um pouco da identidade deles", acrescentou.

O UOL Esporte contou a história de Nadia Nadim em janeiro do ano passado, quando ela se transferiu para o PSG.

Ainda não há data definida para a mudança do futebol para medicina. Mas ela garante estar pronta para mais um desafio.

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