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Grêmio tentou Riquelme para turbinar time de Zé Roberto, Elano e Luxa

Alfredo Luna/TELAM/AFP
Imagem: Alfredo Luna/TELAM/AFP

Jeremias Wernek

Do UOL, em Porto Alegre

19/04/2020 04h00

Juan Román Riquelme quase jogou no Grêmio. Carrasco do clube gaúcho em 2007, na final da Copa Libertadores, o meia negociou acordo para atuar em Porto Alegre na última temporada do estádio Olímpico, em 2012. O time, à época treinado por Vanderlei Luxemburgo, buscava um novo articulador para o segundo semestre e a relação abalada do jogador em Buenos Aires deu brecha para o sonho.

No fim, houve divergência interna e o acordo jamais foi assinado.

Riquelme tinha 34 anos e estava em atrito com dirigentes do Boca. Chegou a comunicar que não jogaria mais pelo clube e ficou cerca de sete meses sem vestir azul e amarelo. Antes da parada, que terminou em retorno à Bombonera, o Grêmio foi para cima.

Outros clubes brasileiros também tentaram o camisa 10, mas em junho de 2012 havia convicção entre pessoas ligadas a Riquelme que a chance de atuar no Brasil era maior se fosse em um time próximo à Argentina.

"Eu me encontrei com advogado do Riquelme e depois com ele, mais de uma vez. Ele, Riquelme, me disse que gostaria de jogar no Grêmio e fomos agilizar tudo com a posição dele. Foi real", conta Jorge Baidek, ex-zagueiro do Grêmio e empresário de futebol.

O Grêmio ofereceu dois anos de contrato e adicionais no vínculo. Riquelme, segundo envolvidos na operação, gostou dos termos e passou a esperar a formalização do acordo.

"Eu já havia decidido jogar por Cruzeiro ou Grêmio, mas demoraram para acertar a papelada", disse o próprio Riquelme ao canal TyC no final de 2012.

A noite decisiva

O Grêmio recebeu o Sport no estádio Olímpico, em 18 de julho, e horas antes havia otimismo entre os dirigentes pelo acordo com Riquelme. A noite fria de Porto Alegre avançou, o time de Luxemburgo venceu por 3 a 1 e o cenário na negociação mudou.

As versões são divergentes. No Grêmio, o negócio virou tabu e existem dirigentes que negam as tratativas. Para os demais envolvidos no episódio, a pressão política fez o clube botar o pé no freio.

Mesmo que o salário não fosse alto, dois anos de contrato eram motivo de debate. As eleições presidenciais aconteceriam meses depois com a volta de Fábio Koff ao cenário. É hábito, referendado por estatuto, que contratos não se estendam depois do mandato presidencial.

Koff acabou vencendo Paulo Odone, dirigente de situação, no pleito. Riquelme ficou em Buenos Aires, foi reintegrado ao Boca e deixou a Bombonera em 2014. O fim da carreira foi no Argentinos Juniors, também na capital argentina.

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