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Cleber Machado quer resgatar bordões históricos em final da Copa de 70

Cleber Machado quer usar bordões de narradores que marcaram sua infância - Reprodução
Cleber Machado quer usar bordões de narradores que marcaram sua infância Imagem: Reprodução

Beatriz Cesarini

Do UOL, em São Paulo

19/04/2020 04h00

Durante toda a semana, o SporTV reprisou a campanha da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1970 e hoje (19) é dia de levantar a taça do tricampeonato. Às 18h, o canal transmite a grande final entre Brasil e Itália nas vozes de Cleber Machado e Caio Ribeiro. Ao UOL Esporte, o narrador do Grupo Globo relembrou como acompanhou ao confronto na época e afirmou que pretende usar os bordões históricos de narradores que marcaram a década.

"Sei quem transmitiu, as duplas, o esquema da transmissão em conjunto. A voz mais marcante na época foi a do Geraldo José de Almeida. Potente, vibrante, com bordões fortes, como 'Furacããão da Copa', 'Ponta de bota', 'Canhotinha de Ouro' e o famoso 'Olha lá, olha lá no placarrrr'. Estou pensando, inclusive, em usar frases deles na transmissão. Não só do Geraldo, mas também do Fernando Solera, do Wálter Abrahão e do Oduvaldo Cozzi, narradores da primeira Copa do Mundo transmitida ao vivo para o Brasil. São nomes históricos da comunicação", disse Cleber, que tinha 8 anos em 70.

"Tinha 8 anos. Assistia aos jogos em casa e, na maioria das vezes, estavam na sala meu pai, um primo mais velho, meu irmão mais novo e eu. Lembro dos comentários sobre a partida, da transmissão. Gostava quando aparecia na tela 'Replay' e depois 'Live', separando a repetição dos lances do jogo ao vivo. Lembro da festa na rua, bandeiras, fogos, foi um Carnaval", recordou o narrador.

A exibição da Copa de 70 faz parte do "Faixa Especial", uma atração do SporTV que já vem exibindo partidas antigas da seleção brasileira desde o início da pandemia causada pelo novo coronavírus. A reprise dessas partidas já fez grande sucesso justamente pelo peso da equipe formada por nomes como Pelé, Clodoaldo, Gérson, Carlos Alberto Torres, Jairzinho e Rivellino.

"É um privilégio, uma delícia. A seleção de 70 foi a minha porta de entrada para o futebol, tinha jogadores extraordinários. Era arte, poder de decisão, competitividade e tinha muitos jogadores entre os melhores de todos os tempos. Alguns deles, felizmente, tive a honra de conhecer depois. Além de tudo isso, vai ser lindo poder narrar um jogo em que o 10 é o Pelé", exaltou Cleber Machado, que acompanhou todos os jogos que passaram durante a semana para carregar ainda mais emoção ao confronto de hoje.

"Para a transmissão de hoje, eu não assisti à final antes. Optei por ver os jogos anteriores na 'Faixa Especial' no SporTV. Assim, me preparo para narrar o Brasil x Itália, sabendo, claro, dos principais momentos do jogo, mas sem ver antes. A ideia é passar o sentimento do momento da transmissão e acrescentar fatos, casos e a análise do jogo, junto com o Caio [Ribeiro], respeitando a época em que foi disputada a partida", destacou.

Caio Ribeiro exalta trabalho de Zagallo

Aos 44 anos de idade, Caio Ribeiro, consequentemente, não era nascido e não acompanhou a Copa do Mundo de 1970. Apesar disso, o comentarista e ex-jogador é muito fã da seleção brasileira que conquistou o tricampeonato de forma épica com o técnico Jorge Lobo Zagallo.

"Eu nasci em 1975, então, na Copa de 70 eu não existia, mas como ex-jogador, exercendo atualmente a função de comentarista e, principalmente como um amante do futebol, não tem como não acompanhar e conhecer a história daquela Copa e a da geração de 70. Ela unia força física, qualidade individual, jogo coletivo e aspecto tático. E também tem o fato de o Zagallo ter conseguido colocar tantos camisas 10, já que a maioria deles eram 10 nos seus times, e fazer com que eles funcionassem juntos, coletivamente. Jairzinho, Tostão, Gérson, Pelé, Rivellino... Só craques. É a maior seleção de todos os tempos", destacou Caio Ribeiro.

Mesmo sem ainda ter nascido na época do famoso título, o comentarista considera a seleção de 70 melhor do que a de 82, que encantou o mundo. Caio está mais do que preparado para a transmissão de hoje e já tem até momentos marcantes gravados em sua memória.

"Muita gente fala sobre a Copa de 62 [no Chile], quando Garrincha e Pelé jogaram juntos. Mas, para mim, a Copa de 70 é o que tem de melhor na história do futebol brasileiro. Até por ter na equipe o melhor de todos os tempos, que é o Pelé. Também pela forma como a gente se impôs diante dos adversários. Chegar em uma final de Copa do Mundo, pegar uma seleção tradicional como a Itália, vencer por 4 a 1, com autoridade, além de toda a plasticidade, a construção dos gols e o aspecto coletivo do jogo", declarou o ex-jogador.

"Aquele gol do Carlos Alberto é uma pintura. A forma como o Brasil vai ganhando o campo, passando a bola de pé em pé, todo mundo participando de maneira simples, fazendo com que a bola chegasse até o Carlos Alberto para fazer aquele golaço: aquele é o lance da Copa de 70. Se eu pudesse resumir a Copa de 70 em uma imagem, com certeza seria o gol do Carlos Alberto", finalizou.

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