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"Que p... é essa?": Como um palavrão de Ronaldo ajudou Marcelinho Carioca

Ronaldo e Marcelinho Carioca com o troféu da Copa do Brasil 1995, conquistado pelo Corinthians - Lalo de Almeida/Folhapress
Ronaldo e Marcelinho Carioca com o troféu da Copa do Brasil 1995, conquistado pelo Corinthians Imagem: Lalo de Almeida/Folhapress

Diego Salgado

Do UOL, em São Paulo

06/04/2020 04h00

Quem viu a alegria de Marcelinho Carioca no fim da tarde do dia 2 de abril de 1995, após uma vitória épica do Corinthians sobre o Palmeiras, não imaginava que 50 minutos antes ele precisou ser reerguido pelo goleiro Ronaldo em uma sala do vestiário do Pacaembu.

Até aquele momento, Marcelinho vivia um pesadelo no seu jogo mais difícil com a camisa do Corinthians em pouco mais de um ano de clube. No primeiro tempo do clássico, o camisa 7 errou um passe simples no meio-campo e viu Roberto Carlos abrir o placar na sequência. No intervalo, sentiu-se perdido.

"Fiquei trancado uns cinco minutos no banheiro. O Ronaldo foi até lá, abriu a porta e perguntou: 'que porra é essa?. Disse que eu era o craque do time e os outros jogadores não podiam me ver daquele jeito, que o time ia afundar. Ele disse que eu ia dar a vitória para o Corinthians", relembrou o craque em entrevista ao UOL Esporte.

A redenção de Marcelinho começou a virar realidade aos 25 minutos da etapa final, numa falta de longe, muito longe, na qual o goleiro Velloso dispensou a barreira. "Ele jamais iria acreditar que eu mandaria a bola na gaveta", disse Marcelinho.

Se soubesse o que viria pela frente, o meia teria economizado na comemoração. Depois de empatar o jogo, Marcelinho atravessou o campo em direção à torcida organizada. Em frente ao muro preto e branco, descontou a raiva, aos berros, na bandeirinha de escanteio.

Aos 44 minutos, o Corinthians virou numa jogada de sorte e perspicácia. A zaga do Palmeiras bateu cabeça, e a bola sobrou para Tupãzinho, que protagonizou um corta-luz providencial. Marcelinho, livre, só empurrou para o gol.

Novamente com passos rápidos e curtos, o camisa 7 atravessou o campo. Dessa vez, em linha reta, rumo à meta defendida por Ronaldo. Na pequena área, os dois ídolos do Corinthians se abraçaram naquele desfecho improvável e esperado pelo arqueiro.

"O que o Ronaldo fez no vestiário no intervalo? Ele foi pai, técnico, amigo, conselheiro. Ele foi brilhante. Eu abracei ele na comemoração, soluçava. Eu só queria abraçar o Ronaldo, mais ninguém", disse Marcelinho.

Semanas depois, com os dois no papel de protagonistas, o Corinthians se sagrou campeão da Copa do Brasil em final contra o Grêmio. Em seguida, voltou a erguer a taça do Paulistão depois de sete anos, em um triunfo sobre o Palmeiras em Ribeirão Preto.

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