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The English Game: série da Netflix fala de futebol, mas é outra coisa

Reprodução/Netflix
Imagem: Reprodução/Netflix

Jeremias Wernek

Do UOL, em Porto Alegre

05/04/2020 04h00

A abstinência de futebol em tempos de novo coronavírus ganhou um novo remédio nos últimos dias. A Série The English Game, da Netflix, vem ganhando popularidade entre torcedores e outros convalescidos com a ausência de bola rolando na TV. A produção é do mesmo criador de Downton Abbey e mistura luta de classes com drama pessoal e os primórdios do esporte.

Antes de mais nada, é preciso dizer que a série tem diversas licenças poéticas históricas. Dito isso, é uma diversão para todo mundo. Não fala apenas de futebol.

Dividida em seis episódios de cerca de 50 minutos cada, a produção original da Netflix começa com o retrato de um choque de classes na Inglaterra do século 19 e vai costurando a história dos personagens com crescimento do futebol e o conflito entre clubes da elite e equipes operárias.

Fergus Suter e Jimmy Love, considerados os primeiros jogadores profissionais do futebol, estão na trama, mas o desenrolar do roteiro deixa a história de lado e abraça a ficção.

Os personagens se cruzam em um caldeirão de conflitos pessoais, drama de classes e forçada empatia. O lado bom é que o roteiro não constrói um vilão caricato, mas pessoas com traços de personalidade formados por experiências e relações.

Mesmo sem diálogos marcantes, a série é envolvente. É bem provável que você queira 'maratonar' para avançar na história logo.

Mas quem assiste à espera de futebol, puro e direto, pode se decepcionar. As cenas do jogo ainda se beneficiam da fase inicial do esporte, mas é outra produção que sofre ao gravar o que acontece dentro das quatro linhas. Por mais que o futebol do final do século 19 seja rústico, os lances visivelmente se tornam falsos.

Os mais atentos vão reparar que existem referências de épocas diferentes do futebol. Coisas que vieram décadas e décadas depois. Como preleção, propaganda nos estádios, hooligans, negociação entre clubes por jogadores, vestiários e até uma sacada sutil para botar o cenário de super times com aporte de algum empresário rico contra clubes tradicionais (oi, Manchester City, PSG e Red Bull!). As licenças poéticas seguem até o final do último capítulo e uma delas certamente faria Bellini, capitão da seleção brasileira em 1958, reclamar.

The English Game, em resumo, é uma obra bem acabada e que envolve muitas histórias. O futebol faz parte do grande quebra-cabeça e, mesmo assim, ajuda a matar um pouco a saudade.

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