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Romário virou case de sucesso no PSV e trocou exemplo por ajuda em gol mil

Romário nos tempos de PSV Eindhoven - Reprodução
Romário nos tempos de PSV Eindhoven Imagem: Reprodução

Jeremias Wernek

Do UOL, em Porto Alegre

04/04/2020 04h00

Romário marcou torcedores de Flamengo, Vasco, Fluminense, Barcelona e PSV. Na Holanda, aliás, foi tão bem que quebrou um paradigma e virou estudo de caso. O sucesso na cidade provinciana fez o clube criar a cultura de garimpar brasileiros. A herança do Baixinho cobrou um preço nada pesado décadas depois. Durante a corrida pelo gol mil, o camisa 11 ligou para Eindhoven atrás de estatísticas preciosas.

Foram cinco anos na Holanda com direito a 165 gols — muitos deles localizados em 2007.

A história é contada no livro Soccernomics, de Simon Kuper e Stefan Szymanski. Os autores citam Guus Hiddink, treinador de Romário no PSV. O histórico técnico holandês contou o método usado para manter o atacante brasileiro motivado e desafiado no dia a dia no PSV.

Hiddink viajou ao Rio de Janeiro para convencer Romário a assinar com o PSV. Na Holanda, o treinador designou a um fisioterapeuta do clube a missão de acordar o atacante. Nos treinos, haviam concessões para o astro do time e também provocações. Uma delas foi em relação ao horário de uma reunião.

Romário tinha por hábito se atrasar, mas depois de ouvir tantas cobranças e receber muitas multas, o agora senador sincronizou o relógio particular com o do CT. Hiddink notou e adiantou o relógio da sala em um minuto no dia anterior. Quando o baixinho chegou, ouviu que estava atrasado.

"Eu dispensei e ele ficou aborrecido", contou o treinador em sua biografia autorizada.

Romário ficou fora de um jogo do Campeonato Holandês e voltou em partida da Liga dos Campeões, contra o Steaua Bucareste. Irritado antes, durante e depois do confronto, o Baixinho descontou nos romenos: fez três gols.

"A gente se encarou no vestiário depois do jogo. Ele entendeu, eu também. O jogador realmente extraordinário entende. É um jogo, mas um jogo perigoso. Só se pode jogar uma vez", lembrou Hiddink.

Os gols de Romário fizeram o PSV investir em Ronaldo, Vampeta, Alex, Gomes e também houve tentativa por Robinho. Atualmente, Pepê — meia-atacante do Grêmio, está na mira.

Os dirigentes do clube entenderam que era preciso ceder em alguns hábitos para ter retorno em campo. Romário entregou tudo em troca da ajuda no dia a dia, com regalias que tornaram mais fácil a adaptação a um continente completamente estranho.

Depois de deixar a Holanda, Romário ajudou o PSV pelo menos uma vez. Foi quando ligou para Ronaldo e parabenizou o atacante que anos depois ganharia o apelido de Fenômeno pelos gols marcados em jogo recente. O contato, óbvio, foi motivo de orgulho para o jovem ex-Cruzeiro. A história foi repetida várias vezes nas dependências do clube, segundo o relato do livro.

O pedido de ajuda

Quando lançou a ideia de chegar aos mil gols, Romário começou a contar as bolas que mandou para a rede. Os números precisavam ser exatos e chegar o mais perto possível da meta. Foi então que o telefone tocou na Holanda. O Baixinho ligou para o clube e para um jornal local atrás de registros de partidas disputadas contra clubes pequenos.

O livro Soccernomics chega a mencionar "jogos de pré-temporada". A definição foi dada por Hans van Breukelen, repórter da publicação local e que conviveu com Romário. Os dados foram passados e o resto é história.

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